no ninho dos açores

ms. oaktree's wishlist

A pedido de várias famílias, aqui vai disto:

CDs:
The Forms - "Icarus" ou "The Forms"
V/A - "David Shrigley's Worried Noodles"
Jenny Hoyston - "Isle Of"
Gossip - "Standing in the Way of Control"
!!! - "Myth Takes"

Livros:
Qualquer coisa do Chuck Palahniuk que não seja o "Lullaby", "Sobreviventes", "Monstros Invisíveis" ou "Asfixia". Dá-se preferência à versão original, em inglês.

DVDs:
"Half Nelson"
"Shortbus"
"Little Miss Sunshine"

a pop, o rock, o metal... e os black sabbath: uma história

Stephen Brodsky - "Stephen Brodsky's Octave Museum" (2006, Hydra Head)
Clouds - "Legendary Demo" (2007, Hydra Head)
Zozobra - "Harmonic Tremors" (2007, Hydra Head)
Torche - "In Return" (2007, Robotic Empire/Rock Action)


Era uma vez três amigos... Não, na realidade eram quatro amigos, mas um deles, o Júnior, partiu uma perna ou o diabo a sete e nunca mais ninguém ouviu falar dele...
Estava eu a dizer, era uma vez três amigos, o Estefano, o Adão e o Calú, que moravam ali para os lados da cidade de Bosta, Maismechuchas. Ora estes três amigos, por alturas do secundário, andavam meio aborrecidos. E o que é que uma pessoa faz quando anda meio aborrecida? Ou masturba-se, ou forma uma banda. Os três amigos optam pela segunda, embora algo me diga que eles também davam forte na primeira. Aquela história toda da puberdade, as hormonas em reboliço... Adiante, os três amigos formam uma banda, à qual chamam Caverna Adentro. Nome meio estranho, sem dúvida, mas o que a malta queria era curtir e fazer barulho, porque na altura ainda era ousado ser-se do metal e os três amigos apreciavam tudo o que tivesse qualquer conotação minimamente revoltosa ou inconformista.
Andavam os três nesta vida, quando conhecem o Aarão, um talentoso artista, que por mero acaso do destino dirigia a sua própria editora, a Cabecita da Hidra. Ora, o Aarão achou uma certa piada aos Caverna Adentro e resolveu contratá-los. A coisa corria bem para os três amigos (e também para o quarto, que por esta altura ainda não tinha partido a perna ou coisa que o valha), que entretanto vão amadurecendo e moldando as suas personalidades de forma a tornarem-se uns tipos respeitáveis.
É por esta altura, ali entre o momento em que o teu coração deixa de bater e a altura em que a tua criatividade se eclipsa, que o Estefano, que sempre foi dos três o mais sensível e tolinho (não deixando, ainda assim, de ser um grande visionário), põe-se com mariquices e resolve que estava farto de andar para ali gritar que nem boi no vale e que não quer mais "soar como um monstro" (nas suas próprias palavras) porque o que ele quer, no fundo é seduzir as miúdas com a sua voz doce e harmoniosa.
Seu dito, seu feito. E os Caverna Adentro lançam "Júpiter", que, contra todas as expectativas (pelos menos das dos metalheads de ideias mais fechadas), foi o seu ópus e um dos melhores álbuns de space rock de que há memória. A coisa começou-lhes a correr ainda melhor, tanto que os três amigos se desmultiplicam em projectos paralelos: os Pauzinhos do Sacrifício (alter-ego dos Caverna Adentro), o Estefano como o seu projecto a solo, a Sociedade Filarmónica Nova Ideia e o Puto Kilowatt (também com o Adão nas fileiras), tudo coisas muito ligeiras e agradáveis para agradar às meninas, e o Calú, mais contido, com os seus Tristeza do Idoso, sempre fiel ao ideal "zévi metal is the law".
Mas como não é infrequente nestes casos, muitas vezes o sucesso traz um monstro atrelado. As majors começaram a fazer olhinhos aos Caverna Adentro, e os Caverna Adentro não resistiram. Acontece que esse novo estatuto não produziu frutos, muito pelo contrário... E a coisa descambou. Para o facto também contribuía o marasmo criativo em que a banda vivia, e a indecisão entre serem os Yes, os U2 ou os Isis.
É só no final do ano da graça de 2006, início de 2007, que os três amigos levam a proverbial chapada nas fuças e tomam tento na vida. Adão, o mais sóbrio e sensato dos três, senhor de uma fabulosa space guitar (não é air, é space mesmo), manda os Caverna Adentro às couves e resolve dar azo à sua veia mais rock garageiro e sleazy, formando os Nuvens, que lançam um álbum verdadeiramente lendário. Calú refina ainda mais o seu gosto pelo metal e continua, com muita classe, a balir que nem um cordeiro em dia de sacrifício nos seus Sessobrou (Éparamim). Quanto ao Estefano, dedica-se de corpo e alma ao seu projecto a solo, lançando o "Museu das Oitavas", um álbum de indie pop elegante e ritmada.
Quanto aos Caverna Adentro, ainda voltaram à Cabecita da Hidra com uma palmadinha nas costas e uma festinha na cabeça do Aarão para lançarem mais um álbum, por sinal, muito pouco relevante. Actualmente, não se sabe muito bem em que pé estão.
E agora vocês perguntam: "Mas o que é que os Tocha têm que ver com tudo isto?..." (isto se ainda não adormeceram no decurso da leitura deste relato histórico-épico), ao que eu replico: nada... Ou melhor, têm. Porque num belo dia estava eu a falar com o meu estimado amigo Estevão, a contar-lhe as façanhas dos Caverna Adentro e a gabar-lhes as qualidades, antes do descalabro, e o Estevão, um tipo invejoso mas muito porreiro (exímio executante de guitarra e com uma voz que se propicia a vagidos, balidos, mugidos e afins), pensa lá com os seus botões: "Ora o que é que estes tipos têm que eu não tenho? Se os Mastodon são os dignos sucessores dos Metallica, eu vou formar uma banda que será a digna sucessora dos Black Sabbath!". E assim nasceram os Tocha... E sabem que mais? O sacana do Estevão tinha mesmo razão! Porque isto da inveja por vezes até traz coisas boas... Não é que o raio dos Tocha são realmente os dignos sucessores dos Black Sabbath?!?
Muito anos se passaram entretanto, todos tiveram muito sucesso, gravaram muitos álbuns para a malta culta gastar dinheiro e deram muitos e bons concertos. O Estefano continuou a engatar muitas miúdas com o poder da sua voz, a Calú casou-se comigo, o Adão trocou as miúdas pela sua adorada space guitar e os Tocha foram para sempre recordados como os dignos sucessores dos Black Sabbath. E todos viveram felizes para sempre!

E assim termina esta história, incoerente q.b., mas em tudo verdadeira.

something to write home about #4

The Forms

5 pontos que todos aqueles que tencionam formar a banda (quase) perfeita devem ter em consideração, segundo Ms. Oaktree:

1. Muito importante: ter talento. O que implica saber tocar e cantar com destreza e competência.

2. Saber misturar influências e correntes musicais de forma sofisticada e coerente. Um bocadinho de post-hardcore, uma tirada de indie rock, um cheirinho de experimentação e uma pitada de progressivo costumam resultar.

3. Ter um álbum produzido pelo Steve Albini.

4. Serem perfeccionistas dedicados, a roçar o patológico.

5. Serem de Brooklyn e chamarem-se The Forms.

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clássicos modernos #2

caP'n Jazz - "Analphabetapolothology" (1998, Jade Tree)

Incrível. Como uma coisinha tão lo-fi, tão lo-tech, tão lo-brow pode soar tão perfeita. Não há aqui elementos supérfluos, notas fora de contexto, retoques desnecessários de pós-produção. Porque o mais simples e mais directo resulta sempre melhor.
Este duplo CD reúne a discografia completa dos caP'n Jazz, incluindo singles, 7'', demos e participações em compilações, e não só deveria ser um álbum obrigatório na colecção de qualquer devoto do emo old-school, como também na de qualquer melómano que aprecie minimamente o berro.

mars de volta

The Mars Volta - "The Bedlam in Goliath" (29.01.2008, GSL/Universal)

Já passou o tempo em que os The Mars Volta eram a menina dos olhos de qualquer crítico ou publicação musical que se prezasse, da pop mais delicodoce ao metal mais extremo.
Apesar de faltarem precisamente três meses para o seu lançamento, este "The Bedlam in Goliath" tem merecido apenas o destaque de uma nota de rodapé em algumas publicações internacionais.
Passado assim todo o buzz mediático, vamos ver se é desta que eles se redimem da monumental pepineira que foi "Amputechture" (2006, GSL/Universal).

Tracklist:
1. "Aberinkula"
2. "Metatron"
3. "Ilyena"
4. "Wax Simulacra"
5. "Goliath"
6. "Tourniquet Man"
7. "Cavalettas"
8. "Agadez"
9. "Askepios"
10. "Ouroboros"
11. "Soothsayer"
12. "Conjugal Burns"

i'm back!

É nisto que dá ser uma máquina e terminar a monografia antes da data prevista... Não, não é transformar-me no Jack Nicholson no "The Shining" (embora nestas últimas duas semanas tenha aflorado, com relativa frequência, a escritora tresloucada que há em mim), mas antes uma semana que se afigura idílica, tal será a tranquilidade. Avizinham-se assim tempos férteis em postagens.

é p'ra acabar, fregueses!... é o bom e barato!

Os fregueses interessados podem ir aqui.

há coisas que ainda me conseguem chocar

Uma delas é a crueldade humana contra os animais.
Expliquem-me, como é que se deixa morrer um cão à fome em nome da arte, porque eu sinceramente não percebo...
Meus caros, isso não é 'arte', isso é merda criada por um selvagem arrogante, sádico e desumano, que também devia ser deixado a morrer à fome para gáudio do povo!

Vejam isto, e se concordarem que esta besta merecia um belo de um 'linchamento' público, assinem aqui.

esta gente insiste em profanar tudo o que há de mais sagrado...


...Bom, ao menos que paguem bem!

cute, cuddly... and deadly

No decurso das minhas pesquisas deparei-me com estas adoráveis criaturazinhas.
São micróbios, são gigantes, são de peluche, são tudo aquilo de mais patogénico, virulento e infeccioso que por aí anda... E são um amor!
Aquele amiguinho lilás pestanudo é o meu adorado EBV, mas há bicharada para todos os gostos: Salmonella, Shigella, Streptococcus, E. coli, Yersinia, Treponema, raiva, ébola, HIV e mais uns quantos, tudo para que nunca nos esqueçamos das nossas doenças preferidas.
Todos estes bicharocos vendem-se aqui... Sem querer parecer muito abusadora, o meu aniversário é já no próximo dia 4...

interlúdio #2

Esta semana e as duas que se lhe seguem vão ser infernais. Como tal, os próximos tempos serão de grande alheamento das lides bloguísticas. Poderei regressar, pontualmente, durante este período, mas só voltarei à carga em plena força lá para dia 2 de Novembro, ou por aí... Stay tuned...

2 down...

...23 more to go!

promete!

Band of Horses - "Cease To Begin" (2007, Sub Pop)

Sai já amanhã.

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diz que é uma espécie de magazine #2

Wire #284 (The Wire Tapper 18, Robert Wyatt, Invisible Jukebox: Han Bennink, Oxbow, Bristol Blues & Roots, Walter & Sabrina, Shape of Broad Minds, Ute Wassermann, Cross Platform: Camille Norment)

A Wire é a bíblia da música alternativa por excelência. Melhor dizendo, se a Magnet é a bíblia da música alternativa, a Wire será a bíblia da música ainda mais alternativa. Um verdadeiro compêndio de todos os universos musicais paralelos. Não há aqui música que passe na MTV 2, na Radar ou que possa ser encontrada numa vulgar loja de discos dita alternativa.
E é por isso que eu tanto aprecio esta revista. Porque quando a leio fico que nem boi a olhar para palácio (nesta edição escapa-se a matéria sobre Oxbow, bem como algumas das críticas), o que me diz que ainda há muito a descobrir e a conhecer e que este meio é virtualmente inesgotável. Ler a Wire é como ir ver discos à Ananana, daí que esta seja um dos seus pontos de venda em Lisboa e também o segundo onde a revista é mais barata (como é que eu me fui esquecer da Flur, cacete??).
A escrita é impecável e eloquente e o grafismo é dos mais bem conseguidos e clean de entre as revistas da especialidade. Para além disso, a secção de críticas é de um rigor arquivista.
A edição deste mês de Outubro traz ainda um CD sampler (The Wire Tapper), para ficarmos um bocadinho mais esclarecidos. Confiram aqui.

mas é com muito orgulho que digo: eu comprei pissed jeans!

Pissed Jeans - "Hope for Men" (2007, Sub Pop)

São tipos como estes que não deixam esquecer os motivos que me levam a gostar de barulho. Do punk ao hardcore, do doom ao sludge, a escola está toda lá, da velha à nova.
Flipper é talvez a referência mais óbvia. Mas também há ali um quê de Black Flag (bem como de Rollins Band), Melvins, Dead Kennedys, Neurosis ou até de Black Sabbath.
Aqui está o exemplo acabado de como um pastiche pode fazer todo o sentido.

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hoje encontrei o amor da minha vida no comboio

Mas ele tinha um pin dos The Doors. É incrível como uma banda compromete logo aquilo que poderia ser o início de uma bela relação.

eu até me envergonho de ter sequer equacionado a hipótese de adquirir voxtrot!

Voxtrot - "Voxtrot" (2007, Playlouderecordings)

Confesso, não conhecia Voxtrot. Tinha lido/ouvido algumas boas críticas, outras menos boas e algumas ainda "Ehhh...". Pareceu-me que poderia gostar e então resolvi ir tirar as minhas próprias conclusões.
Com esse fito, lá me dirigi a um certo antro de consumismo cultural e pus-me a ouvir o seu álbum homónimo de estreia. E tive o cuidado de o escutar na íntegra, mas não na sua totalidade, como hão-de compreender. Não me convenceu.

A música até é relativamente simpática, mas, e isto sou eu a pensar com os meus botões, os tipos gostavam mesmo era de ser canadianos. E nessa sua cruzada para a mudança de nacionalidade, disparam em todas as direcções: ora são os Arcade Fire, ora Wolf Parade, ora New Pornographers, ora Tegan and Sara, acabando por criar um pastiche mais que batido e, como tal, sem grande interesse.
Quer dizer, não são maus. Mas também não são bons. E muito menos justificam 17,50€.

Escusado será dizer que a coroa de Miss Universo hoje foi para os Pissed Jeans.

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Nota: A propósito deste assunto, e dado o meu fascínio recente pelo elemento de página "Sondagem", é favor responder à perguntinha que se encontra já aqui à direita. Agradecida.

algo para entreter até comprar os voxtrot... ou pissed jeans, ainda não me decidi


Menomena - "Wet and Rusting"

Menomena - "Evil Bee"

Menomena - "Rotten Hell"

Continuando a minha saga de auto-conhecimento, descobri hoje que sou Humanista Secular. E concordei.
(Não, isto não tinha absolutamente nada que ver com a posta restante.)

brutal

"F'n Nature" de Matt Furie
(lápis de cor, caneta e marcador sobre placa mate, 20" x 20", 2007)

A metáfora perfeita.

(É impressão minha ou, de repente, este blog tornou-se altamente sexuado?...)

então e tu, já comeste fruta hoje?

Estes tipos têm os melhores batidos e sumos de frutas de que há memória! E o mais curioso é que são mesmo de fruta verdadeira... Curioso, porque uma pessoa anda tão habituada a levar com comida de plástico que quando prova o real deal até estranha! Continuando...
Há misturas e mixórdias para todos os gostos. Pessoalmente, recomendo o Mango Tango Crush e o Shot de Romã. Os preços é que metem medo ao susto, mas ninguém se chateia se cometermos uma pequena loucura uma ou duas vezes por mês.
Fica mesmo ali no Monumental Dolce Vita, no Saldanha, e a 'ementa' de sumos pode ser consultada aqui... E para aqueles que estão agora a pensar que devo ter sido muito bem paga por esta publicidade descarada: desenganem-se!... É só para verem o quão maravilhosos estes sumos realmente são!

...Mas alguém me devia pagar, sem dúvida! Depois de uma tão simpática referência...

yep, that's me!

10 melhores... canções para mandar a trancada

E depois do desgosto, vem a queca de reconciliação...

10. Bloc Party – “Banquet”
9. The Knife – “Heartbeats”
8. Ornatos Violeta – “Bigamia”
7. The Kills – “Love Is a Deserter”
6. TV on the Radio – “Wolf Like Me”
5. The Faint – “Erection”
4. Les Savy Fav – “The Equestrian”
3. Queens of the Stone Age – “Do It Again”
2. Yeah Yeah Yeahs – “Cold Light”
1. Pink Grease – “Fever”

dava-te as mãos até te suarem as palminhas! #4

Uma vez, estava eu com uma amiga à porta do Coliseu, minutos antes do concerto dos Travis ter início, e este senhor passa por nós e oferece-nos um sorriso. E que sorriso!...
Fran Healy (Travis)

aviso à navegação

Informam-se todos os leitores deste blog que, neste momento, eu sou o maior sorvedouro de informação acerca do vírus Epstein-Barr da Península Ibérica e arredores.
Vinde! Vinde médicos, enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, técnicos de análises e profissionais de saúde em geral e partilhai do meu vasto conhecimento sobre este assunto tão interessante!
São cerca de 2500 páginas sobre este fabuloso bicharoco que eu coloco à vossa inteira disposição, para fazerem delas o que bem entenderem! Inclusivamente, usá-las como papel higiénico...

Nota: Por esta altura devem estar a pensar que eu sou atrasadinha mental, porque nunca, num mês, vou conseguir ler tanta página. Pois eu digo-vos: dá-me gozo! Dá-me muito gozo olhar para tantas páginas e dizer-lhes: "Eu não preciso de vocês para nada! Só necessito de cerca de 1% da informação que vocês contêm, portanto nem sequer vos vou ler a todas! Sim, a larga maioria de vós são completa e totalmente supérfluas! Tomem lá com esta, suas palhaças! AHAHAHAH!!!"... Se bem que isto de andar a falar com papel também não abona muito em favor da minha sanidade mental. Mas enfim, há coisas bem piores... Pena agora é eu não me lembrar de nenhuma... Bolas, olhem-me só para as horas! Já é tardíssimo! Então adeus e até logo.

ei-lo que chega, qual d. sebastião regressando numa manhã brumosa!*


"The Akhian Press", do álbum "The Folded Palm" (2004, Absolutely Kosher)

Por vezes há esperas que valem mesmo a pena...
Os Frog Eyes vão já no seu quarto álbum (LP) de originais e são mais um projecto paralelo de um dos elementos dos muy grandiosos e magnificentes Wolf Parade (ou serão os Wolf Parade o projecto paralelo?).
Mais uma vez, Spencer Krug, também ao volante dos Swan Lake, oferece-nos um conglomerado de música experimental e indie rock, que mais se aproxima da esquizofrenia cacofónica dos já citados Swan Lake (que partilha com os Frog Eyes um outro elemento, Carey Mercer) do que propriamente da elegância melancólica dos Handsome Furs de Dan Boeckner, seu companheiro de alcateia. São registos diferentes, mas o resultado é, em ambos os casos, bastante aprazível. Confiram no MySpace.

Finalmente a rodar no estéreo:
Frog Eyes - "Tears of the Valedictorian" (2007, Absolutely Kosher)

*Isto vem a propósito disto...

era uma michelle pfeiffer para cada carocho!

A Notícias Sábado desta semana presenteia-nos com a entrevista que faltava... Não, não é com o Special One, nem com o Cristiano Ronaldo e muito menos com a Merche Romero. O entrevistado é, nada mais nada menos, que o Monsenhor Luciano Guerra, reitor do santuário de Fátima... Por esta altura 99% dos leitores desta posta devem estar a pensar: "E o que é que isso me interessa a mim??". Calma! Aguentem aí os cavalos e não desesperem, que o senhor até tinha algumas coisas engraçadas para nos dizer!
A propósito da inauguração da igreja da Santíssima Trindade e dos 90 anos das aparições, o Monsenhor tece algumas considerações, no mínimo curiosas (e no máximo absurdas!), sobre tudo e mais alguma coisa.

Começando pelo princípio: Monsenhor Luciano Guerra é um acérrimo defensor que os milagres de Fátima não aconteceram na realidade (até aqui estamos de acordo), que é tudo uma questão de fé, fé essa que acabou por criar na mente dos crentes, ou a partir dela, uma espécie de projecção holográfica do sol a rodopiar no céu (isto começa a assemelhar-se a um episódio dos X-Files. Defensores da teoria que Deus é um alienígena rejubilem!). Passo a citar a resposta do senhor padre quando o entrevistador o confronta com o facto do milagre de Fátima não ter sido cientificamente registado:

"Não tem de ser registado. Não tem de ser um milagre real. Testemunhar, para mim, não tem de acontecer fisicamente. (...) O que aconteceu em Fátima foi um fenómeno psiquíco provocado por Deus.", histeria colectiva divina ou esquizofrenia abençoada, deve ser qualquer coisa por aí. Continuando... "E aconteceu a pessoas que estavam aqui e a 30 quilómetros de distância. Sempre seleccionadas. As próprias pessoas que viram Jesus ressuscitado foram escolhidas, Ele não apareceu a toda a gente. E estou convencido de que se existissem máquinas fotográficas nessa época seria impossível fotografá-Lo."

Então, se bem percebi, não só o milagre de Fátima não foi real, como Jesus também não ressuscitou realmente, não passando tudo de projecções mentais desses tais 'escolhidos'... Porque, como já dizia a minha avózinha, tudo o que é real, tudo o que existe num plano físico, pode ser fotografado, radiografado, ecografado ou captado numa ressonância magnética... Hmm, a trama adensa-se... Mas o senhor padre continua o seu raciocínio, e à pergunta se tudo não passa de uma questão de fé, replica:

"Sim, mas não significa que essa questão de fé não assente numa determinada construção psicológica. Mas não sei como se produz materialmente em imagem. Para mim, de facto, não houve em Fátima uma realidade exterior que aparecesse como uma imagem, porque se não, as outras pessoas teriam visto o que os pastorinhos viram. O olhar deles teve mais qualquer coisa do que o olhar material."

Ahhh! Então isso significa que se eu tiver muita fé, se acreditar com muita forcinha o meu cérebro irá criar uma elaborada construção psicológica que, embora eu não perceba bem como, irá produzir uma imagem material do Daniel Kessler na minha cama esta noite que mais ninguém irá ver. É assim que funciona?... E depois eu posso interagir com essa imagem material ou é uma coisa hands off? Monsenhor, há aqui muitas questões que urge serem respondidas!

Escuso-me agora a comentar aqui a opinião do senhor padre acerca do divórcio e da violência doméstica, porque aí iria estar a entrar no campo do surreal, que, como todos sabem, é algo que não domino. Assim, prossigo para outros campos mais verdejantes.
Outra sagaz consideração do Monsenhor prendia-se com a relação entre a falta de aproveitamento escolar, a sexualidade e a toxicodependência. Diz ele:

"(...) Tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluíram isso. Quanto mais você se concentrar num prazer menos tem concentração para aquilo que não lhe dá prazer. É por isso que os drogados coitados, acabam por se drogar noite e dia, porque estão a pensar sempre naquilo. É uma obsessão."

Enfim, que dizer? Mesmo não sabendo nada acerca da fisiologia humana e das vias bioquímicas envolvidas no prazer e na dependência física e psicológica, o Monsenhor é um génio, porque nos apresenta a solução para o flagelo da droga: põe-se uma gaja(o) boa(m) ao pé do(a) toxicodependente e já está! Nada mais simples, troca-se um prazer por outro e problema resolvido!
Agora perguntam vocês, "Então e as ninfomaníacas e os satiríacos, como é que isso se resolve?". Fácil, põe-se-lhes a droga à frente! Ha!

já alguma vez falei aqui dos tv on the radio?

Mas falar mesmo à séria? Dedicar-lhes uma posta inteirinha? Dizer o quão maravilhosos, fantásticos, magníficos, criativos, inovadores eles são? Professar a minha eterna devoção? Proclamar, para quem me queira ler, que eles são (quase) a minha banda favorita?...

Para quê? Não é necessário. A música fala por si...




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