no ninho dos açores

ms. oaktree dá pulos de alegria!

Foi com verdadeiro júbilo que acolhi hoje novas acerca dos Wolf Parade. Ao que parece, o novo registo da banda irá sair a 17 de Junho, tendo já título confirmado: "Kissing the Beehive", retirado do romance de Johnathan Carroll com o mesmo nome.
O wolfparade.nonstuff.com (um site de fãs da banda), refere ainda que o disco terá nove faixas, umas curtas e outras longas, e que a banda irá iniciar a respectiva tournée de promoção no mês de Julho (organizadores e promotores de festivais e concertos: abram a pestana!).

Entretanto, aqui fica um docinho:


E assim começa a contagem decrescente para aquele que eu espero que venha a ser o álbum do ano.

é muita canção de amor junta...

The Magnetic Fields - "69 Love Songs" (2004, Domino)

Houve algo que sempre me fascinou neste álbum. Para além da óbvia conotação sexual que outras mentes perversas, como a minha, poderão daqui extrapolar, o que eu acho verdadeiramente notável é como alguém se dispõe a escrever 69 canções acerca de um único tema (diz-se que o objectivo inicial seriam as 100, mas o Sr. Merritt lá achou a tarefa demasiado megalómana, tendo-se ficado pelas 69. Pois...). Canções de amor, neste caso. Tal como poderiam ser canções de trabalho ou de dor de cotovelo.
A verdade é que apesar desta minha admiração por um trabalho desta envergadura, só recentemente (a primeira edição data de 1999) consegui adquirir este disco a um preço que eu considero bastante simpático, tendo em conta que é de um álbum triplo que falamos.
E, sendo muito sincera, é um álbum muito cansativo, acabando mesmo por se tornar monótono. Mas tal seria expectável num disco que tem como único leitmotif a canção de amor. 69 delas.
Acontece que o registo entre as faixas não é assim tão diversificado que permita manter o ouvinte interessado e a audição estimulante. O que é pena, uma vez que estes três discos contêm algumas muito boas canções, cujo efeito acaba por se perder no meio de tanta informação.
Assim, os efeitos da audição consecutiva deste triplo disco variam entre a ligeira sonolência e a indução de um estado semi-vegetativo. Alguns investigadores defendem ainda que a sua audição poderá provocar um desfasamento no contínuo espaço-tempo. A consumir em doses moderadas, portanto.
Vale pelo conceito. Peca pelo excesso. Sem dúvida que resultaria muito melhor como álbum único, que reunisse os melhores momentos destes três discos.

videoarchiebronsonoutfit pt. 1


Archie Bronson Outfit - "Cherry Lips"

para os mais distraídos...

Atlas Sound, que é como quem diz Bradford Cox, dos Deerhunter, vai fazer a primeira parte do concerto dos Animal Collective no Lux, a 28 de Maio. Os bilhetes custam 20€.
Mas há mais novidades: Magik Markers com Pumice a 19 de Abril no Museu do Chiado, para mais um sarau da Filho Único, Chromatics a 14 de Junho em local a anunciar, e mais um porradão de novos nomes para os festivais de Verão, aos quais eu não estou a dar grande importância este ano por motivos de Primavera.

clássicos modernos #5 - edição especial "eu é que não sou parva!"

Foi num momento de extraordinário 'aperto de cinto' que eu me deparei com estas pequenas pérolas. Tudo com os cumprimentos do estabelecimento comercial da minha querida amiga La Folie, que para além de praticar uns preços muito amigáveis, anda agora com uma promoção "pague 3, leve 4" (na realidade foi "pague 3, leve 5", uma vez que um deles é um 2 em 1. E mais um álbum do Carlos Paredes, que era uma prenda do Dia do Pai). Ora vejam...

Manic Street Preachers - "Generation Terrorists/Gold Against the Soul" (2007, Sony BMG - Colecção Music Made Simple)

Enquanto que a relevância actual dos Manics é altamente discutível, o mesmo já não se pode dizer do seu passado. Não restam hoje dúvidas que os três primeiros álbuns da banda (os que aqui se juntam nesta colecção são, justamente, os dois primeiros) marcaram, de alguma forma, a sua época. E é sempre bom recordar alguns dos temas da nossa adolescência, por muito imbecil que essa fase possa ter sido (6,99€).

Nick Cave and The Bad Seeds - "Murder Ballads" (1996, Mute)

Um dos álbuns maiores na carreira do Sr. Cave e das suas Sementes do Mal, recheado de colaborações de luxo. Nunca antes as canções de amor de 'faca e alguidar' haviam sido tão bem escritas e interpretadas. E, provavelmente, nunca mais o voltarão a ser (6,99€).

The Gersch - "The Gersch" (2006, Tortuga)

Este álbum (que não é mais do que uma colectânea das gravações dispersas desta banda já extinta) talvez ainda não seja um clássico per se. Mas tal só acontece porque o grosso da população desconhece que esta foi a primeira banda de Cliff Meyer (nome de baptismo: Bryant Clifford Meyer), que actualmente dá um ar de sua graça nos Isis, Red Sparowes e Windmills by the Ocean (14,49€).

censura aos bots!

Pedimos desculpa aos estimados leitores pelo inconveniente, mas devido à crescente afluência de spam nas caixas de comentários aqui do pasquim, resolvi tomar uma medida drástica e activar a verificação de palavras nessas mesmas caixas. Porque nós aqui somos contra a publicidade, especialmente aquela não solicitada e sem o mínimo interesse!... Morte aos bots do spam!!

delírios de uma insone

Hoje é um dia histórico para toda a Humanidade, e para a Suécia em particular! Finalmente este país vai poder ultrapassar o estigma 'Ikea-H&M-elevado-nível-de-vida-e-suecas', ostentando no seu currículo de feitos admiráveis algo de que realmente se possam orgulhar!... Algo de que toda e qualquer nação se orgulharia! Um feito tão grandioso, tão extraordinário, que tudo em seu redor empalidece perante tamanha magnificência! Algo só mesmo ao alcance de uma nação de deuses e de heróis, como é a Suécia!
Falo justamente da vitória conseguida na Poker Nations Cup da Party Poker por esta gloriosa nação. E que vitória!... E que emoção!! O que aos olhos de um leigo pode parecer uma coisa extremamente chata e monótona (ou mesmo uma daquelas ocasiões em que a emissão de TV congela - quem usufrui do serviço Meo sabe do que falo...), é nada mais, nada menos do que um pequeno vislumbre do choque entre aquelas grandes mentes jogadoras de póquer, algo que nós, comuns mortais, raramente temos a fortuna de presenciar!
Assim, apenas posso dar o meu singelo voto de parabéns à Suécia, e almejar que Portugal, um dia, possa sair deste marasmo, revelando todo o seu potencial, para, também ele, atingir esse feito heróico... Grande Suécia!!
Agora, se me dão licença, tenho um campeonato de curling para ver.

cabeças de vídeo


The Futureheads - "The Beginning of the Twist"

sério candidato aos melhores do ano

Apesar de ainda não o ter escutado na íntegra, é das melhores coisinhas que ouvi neste primeiro trimestre de 2008. Só sai a dia 8 de Abril, mas graças às maravilhas da partilha, já transbordou para aqui (courtesy of Real Short Reviews).
Se descarregarem, se gostarem e se não comprarem, farei questão em ir pessoalmente a vossas casas para vos empalar numa estaca coberta de vidros partidos e arame farpado (assim uma coisa bem zévi metal). Grata pela atenção.

something to write home about #14

Building the State

Quem é que disse que não é suposto uma banda de post-rock ter voz?... Ora queiram então ouvir estes Building the State.

MySpace
Site oficial

liars fazem jus ao nome

Soube há pouco, através dos meus companheiros do Stage Diving, que os concertos de Liars em Portugal (bem como outras datas também na Europa) foram cancelados para que a banda possa ir em digressão pelos EUA com, segundo consta, os Radiohead.
Concorde-se ou não com a manobrazinha de marketing, este caso tem um aspecto muito positivo: sempre é menos um para me levar à bancarrota!

O reembolso dos bilhetes já adquiridos poderá ser feito nos locais de compra (Flur e Louie Louie).

cava, lázaro, cava!!!

Nick Cave & The Bad Seeds - "Dig, Lazarus, Dig!!!" (2008, Mute)

É sempre bom saber que há coisas que nunca mudam. Pondo a coisa de outra forma: é sempre bom saber que há coisas que, mesmo atravessando fases de inusitada mudança, acabam sempre por regressar aos moldes iniciais.
Foi isso que se passou com Nick Cave e os seus Bad Seeds neste "Dig, Lazarus, Dig!!!". Não sei se serão os efeitos benéficos da sua experiência com os Grinderman, bem como das recentes 'caubóiadas' em que ele se tem visto envolvido, o facto é que o Sr. Cave pareceu redescobrir o rock & roll e reencontrar o negrume das canções. Voltando a imbuir-se numa atmosfera de night club soturno, Cave desfia as suas pequenas histórias de perda, desilusão e abandono (desta feita com uma colaboração mais activa por parte dos Bad Seeds), recheadas daquele sarcasmo desprendido que lhe é tão familiar, e que afasta de cena quaisquer contornos de tragédia inevitável.
E assim, Cave mostra-nos que continua a ser um músico tão vital e tão único como era no início da sua carreira. Que não há aqui reinvenções nem reformulações, mas apenas evolução. E que, felizmente, a sua fase 'luminosa-e-corinhos-gospel' já passou.

les savy fav go digital

No meio de toda essa estúpida proliferação descontrolada de inanidades perfeitamente irrelevantes, que assola os nossos meios de divulgação musical, ainda se vão apanhando uma ou duas notícias de jeito, lá quando o rei faz anos.
Desta vez é o Disco Digital que nos dá conta que os Les Savy Fav, uma banda pela qual aqui o nAnha nutre um grande afecto, irão lançar um álbum digital gravado ao vivo na Bowery Ballroom de Nova Iorque no primeiro dia deste ano, que dará pelo nome de "After the Balls Drop", e que poderá ser descarregado a partir de dia 19 de Abril.

Fica então a tracklist do dito e um aperitivo...

1. "Equestrian"
2. "Patty Lee"
3. "What Would Wolves Do?"
4. "Sweat Descends"
5. "Yawn Yawn Yawn"
6. "We’ll Make A Lover Of You"
7. "The Year Before The Year 2000"
8. "The Lowest Bitter"
9. "Who Rocks The Party"
10. "Tim Speech"
11. "Hey Tonight" (Creedence Clearwater Revival Cover)
12. "Debaser" (Pixies Cover)
13. "Astro Zombies" (Misfits Cover)
14. "Sliver" (Nirvana Cover)
15. "Everybody’s Gotta Live" (Love Cover)

Download "Sweat Descends"

à espera do próximo apocalipse

Channels - "Waiting for the Next End of the World" (2006, Dischord)

O meu amor pelo senhor J. Robbins remonta ao tempo dos Jawbox, tendo-se exacerbado mais tarde, por alturas dos Burning Airlines.
E interessante é o percurso deste senhor. Sempre afiliado a estéticas post-hardcore, quer pela editora, quer pela sonoridade praticada, o facto é que a sua aguçada sensibilidade pop sempre foi bastante notória, tendo florescido consideravelmente por alturas desses tais Burning Airlines, terreno fértil para apuradas melodias pontuadas por guitarras dissonantes, que revelavam a sua reverência pelos ensinamentos iniciáticos apreendidos nas escolas punk/hardcore.
Ora, estes Channels - o mais recente projecto de Robbins (o que eu só vim a descobrir a posteriori, não sem antes ter exclamado: "Diabos me levem se isto não é o senhor J. Robbins a cantar!!", tudo porque ainda nem sequer tinha olhado para o interior do livrete...), desta feita em colaboração com a sua mulher, Janet Morgan, e o baterista Darren Zentek - dizia eu que os Channels não são mais do que um continuar do trabalho iniciado com os Burning Airlines (e, diria mesmo, com os Jawbox).
Quem sabe ao que vem, sabe que é bom. Quem não sabe, sinta-se desde já convidado a conhecer este álbum dos Channels, e as pequenas pérolas que ele contém.

só nesta páscoa: espetacular pacote boris!

Oportunidade única de possuir o single em vinil de 12" polegadas e o bilhete para o concerto na ZdB. Não perca!
Já à venda nos melhores estabelecimentos comerciais.

comitiva portuguesa no primavera

O Mr. Dan já marcou férias para o final de Maio, ainda se conseguem arranjar bilhetes de avião para Barcelona, nas companhias low cost, por 60€ (mais coisa, menos coisa), o que siginifica que a ida ao Primavera Sound está a deixar de ser apenas uma miragem distante, para passar a ser uma realidade! Agora só falta mesmo é arranjar alojamento e comprar os bilhetes.
Se mais alguém se quiser juntar a esta (ainda) pequena mas simpática comitiva, faça favor de se acusar.

boato da semana

Soube hoje, de fonte 'seguríssima', que os The Mars Volta irão actuar em Portugal, mais precisamente no Festival Paredes de Coura.
A fonte à qual me refiro é o sonho que tive na noite passada (sim, porque o meu subconsciente é um gajo esperto, e entre sonhar com coproculturas, exsudados nasofaríngeos, pesquisas de sangue oculto nas fezes ou concertos, a escolha é bastante óbvia...). Aproveito ainda para comunicar que, caso esta minha previsão se concretize, tenciono seguir a carreira de vidente.

é só prestígio!!

Foda-se!! Perdoem-me a excitação, mas é difícil conter-me após tomar conhecimento da prenda de aniversário que a ZdB ofereceu aqui ao pasquim, na minha pessoa.
E poderia lá haver melhor prenda que esta?! Uma temporada de concertos verdadeiramente do camandro?!
É neste estado de total euforia que constato que os caríssimos programadores culturais da ZdB, num regresso às velhas glórias, nos irão proporcionar três meses (Abril, Maio e Junho) de concertos de excelência!
Reparai...

03/04 - Humanization 4tet (PT/US), 23h
04/04 - Demonshaker (PT/US) + Open SPEECH trio (PT), 23h
05/04 - Cobra (PT/US), 23h
12/04 - Dorit Chrysler (AT) + Rita Braga & Bernardo Devlin (PT), 23h
18/04 - The Vicious Five (PT), 23h
25/04 - JAPANESE NEW MUSIC FESTIVAL: Acid Mother Temple SWR (JP) + Ruins Alone (JP) + Zubi Zuva X (JP) + Akaten (JP) + Zoffy (JP) + Ubi Zuva X (JP) + Tsuyama Atsushi (JP) + Kawabata Makoto (JP), 23h (Weeeeeeeeeeee!!!)
26/04 - François Virot (FR) + No Snow (FR), 23h
02/05 - Anonima Nuvolari (PT), 23h
11/05 - BRETHREN OF THE FREE SPIRIT: James Blackshaw (UK) & Josef Van Wissem (NL), 23h
22/05 - Tom Brosseau (US), 23h
23/05 - Bunnyranch (PT), 23h
27/05 - Boris (JP) + Growing (US), 22h (já se sabia, mas nunca é demais relembrar!)
30/05 - Scout Niblett (US), 23h (SCOUT NIBLETT!!!)
06/06 - The Dirty Projectors (US), 23h (THE DIRTY PROJECTORS!!!)
08/06 - Sunset Rubdown (CA), 18h (SUNSET RUBDOWN!!!!! Este, como é às 18h, deve ter lugar no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, e não na ZdB)

Ficam uns videozinhos, para ir aumentando a expectativa...

Sunset Rubdown - "Us Ones in Between"
Boris - "Pink"


Acid Mother Temple
Scout Niblett - "Dinosaur Egg"


The Dirty Projectors - "Rise Above"

Já que falamos em concertos, numa nota algo diferente, o Pedro Jordão do Mercado Negro, em Aveiro, enviou-me um e-mail a corrigir um suposto concerto da tournée dos chilenos La Familea Miranda que iria decorrer nesse local, a 15 de Março. Tal concerto não irá ter lugar no Mercado Negro, o que irá lá decorrer é sim um concerto da Scout Niblett a 29 de Maio.
Ao Pedro Jordão, e restante equipa do Mercado Negro, as minhas desculpas pelo equívoco, e também uma palavra de apreço pelo esclarecimento adicional.

Finalmente, parece que os Liars vão regressar ao Lux, segundo informação veiculada pelo Ípsilon de hoje. O acontecimento terá lugar no dia 6 de Maio, sendo que, no dia seguinte, é a vez da cidade do Porto ser granjeada com a presença destes senhores, num concerto no Cine-Teatro Batalha.

E agora, se me dão licença, tenho uma agenda para actualizar...

este açor já tem 1 ano

Pois é. E assim se passou 1 ano de nAnha.
Eu peço desculpa, mas nunca fui grande apreciadora de discursos, e muito menos vou estar aqui a recapitular metas atingidas/por atingir ou a fazer restrospectivas e perspectivas para o futuro (já fiz uma coisa dessas por altura do início do ano, e quanto a restrospectivas/antevisões ficámos conversados durante, pelo menos, mais um ano).
Apenas gostaria de deixar aqui o meu singelo agradecimento a todos os leitores, e que continuem, como até aqui, a ler as minhas patacoadas.

notas musicais avulsas #8 - edição especial festivais de verão

E é assim chegada a altura de fazer o ponto de situação relativamente a alguns dos festivais de Verão que irão decorrer aqui no jardinzinho à beira-mar plantado.
Os cartazes vão-se consolidando a pouco e pouco, uns mais ridículos que outros, e é com alguma tristeza que constato que as alternativas musicais neste país continuam a ser miseráveis (dada a falta de visão dos nossos organizadores e promotores de espetáculos, tal facto também não é particularmente surpreendente. Mas uma pessoa sempre vai sonhando...): muitos repetentes, muita coisa sem o mínimo interesse e uma ou duas coisas realmente relevantes.
Encarando as coisas pela positiva, o panorama festivaleiro nacional até ao momento afigura-se bastante favorável a uma razia de não-comparências. O que me permitiria poupar bom dinheirinho, para depois o ir estoirar no Primavera Sound de nuestros hermanos... Há que ter fé!!
Vejamos então o que este Verão nos reserva...


Cronologicamente, o primeiro festival neste nosso roteiro é o Super Bock Super Rock, que comemora este ano a sua 14ª edição.
E que melhor forma de o fazer do que "arranjar um cartaz completamente pateta, completamente descabido e deslocalizar um bocadinho as coisas, dando dois dias de festival àqueles parolos que habitam ali para o Norte". É que eu podia jurar que ouvi o Sr. Montez a dizer isto, palavra por palavra...
Pois bem, num acto de verdadeiro provincianismo bacoco da parte do douto Sr. Montez, que nunca deve ter ido ao Porto, julgando por isso que, uma vez que o Porto não é Lisboa e, como neste país, tudo o que não é Lisboa, só poderá ser uma aldeia isolada, sem água nem luz, onde os lobos atacam o gado e a população é, na sua larga maioria, analfabeta e inculta, de forma que qualquer coisa que se lhes enfie pela goela abaixo lhes irá, necessariamente, saber a pato!
E é nesse espírito de altruísmo e caridade que o Sr. Montez oferece às gentes do Norte dois dias de grandes concertos. Ora vejam: David Fonseca, James, ZZ Top, Xutos e Pontapés com a Orquestra do Hot Club e Crowded House a dia 4 de Julho, e Jorge Palma, Clã, Jamiroquai e mais duas bandas internacionais a anunciar (até tenho medo de imaginar quais...) no dia 5. E assim se tira o proverbial coelho da cartola: junta-se uma porrada de bandas nacionais mais que batidas, que as pessoas não têm oportunidade de ver dezenas de vezes durante o resto do ano (nem nada que se pareça!...), com umas quantas carcaças mumificadas et voilà! Está feito meio cartaz daquele que é suposto ser um dos maiores festivais de rock do país...
Diga-se, em abono da verdade, que o panorama para Lisboa também não é muito mais animador: Iron Maiden, Slayer, Avenged Sevenfold e Rose Tattoo no dia 9 de Julho (sendo que estes dois últimos nomes ainda estão por confirmar), tendo os Digitalism sido hoje confirmados para uma actuação no dia seguinte.
Quem quiser assistir a esta imbecilidade terá que pagar 40€ por um dia ou 70€ pelos dois dias, para os concertos lisboetas; e 35€ (1 dia) ou 60€ (2 dias) pela miséria portuense. Adicionalmente, irá haver um passe, limitado a 1.000 bilhetes, que dará acesso aos quatro dias do festival, e custará 80€.
Posto isto, só tenho a dizer: Sr. Montez, atente nas figuras ridículas que anda a fazer e dê-se ao respeito!


Depois de toda esta maldicência, o senhor que se segue é o festival Optimus Alive!, que irá ter lugar no Passeio Marítimo de Algés, entre 10 e 12 de Julho. Até à data é o que tem o cartaz mais preenchido: estão confirmadas as actuações de Rage Against the Machine, Gogol Bordello, Cansei de Ser Sexy (vómitos convulsivos!), The National, Peaches (todos a dia 10), Chris Cornell, Within Temptation (blhárgh!), Mr. Flash, Krazy Baldhead, Uffie (todos a dia 11), Neil Young, Ben Harper & The Innocent Criminals, Donavon Frankenreiter (dia 12).
Ainda assim, nada que me interesse particularmente. Embora admita que tinha uma certa piada ver RATM e Neil Young.
Para este os bilhetes custam 45€ (diário) e 80€ (passe 3 dias).


Passamos agora ao Marés Vivas, um festival cada vez menos obscuro, que este ano se vai realizar entre 17 e 19 de Julho, no Areínho de Oliveira do Douro, em Vila Nova de Gaia. Por enquanto só há duas confirmações, ainda sem data definida: Peter Murphy e The Prodigy, embora se fale também em Manu Chao, Clã e Blind Zero. Mais do mesmo, portanto. Mas, pelo menos, é baratinho: 35€ o passe para os três dias e 20€ o bilhete dário.


Quanto ao Paredes de Coura do meu coração, este ano a coisa está fraquinha e, por este andar, provavelmente não me apanharão por lá. Ainda assim, há algumas boas propostas.
Vejamos: para dia 31 de Julho temos Sex Pistols, Mando Diao e The Wombats; já para dia 1 de Agosto, estão confirmados Primal Scream e The Rakes; e para dia 3 irá haver Thievery Corporation e Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra (embora o Sr. Montez, com toda a prepotência e arrogância que o caracterizam, tenha vindo para aí cagar umas postas de pescada, afirmando que o concerto de Emir Kusturica em PdC será "cancelado", e que irá sim ter lugar num festivaleco organizado pelo Sr., ali para os lados de Sagres. Pois sim... Estaremos aqui para ver!). Faltam ainda confirmações para dia 2 de Agosto, embora os Caribou já tenham sido anunciados, mas ainda sem data definida.
Quem quiser arriscar, pode ainda comprar o passe para os 4 dias do festival por 60€, sendo que, a partir de 3 de Abril, este passará a custar 70€. Já o bilhete diário custa 40€.


Finalmente, para aquele festival que decorre no local onde Judas perdeu as botas, entre 7 e 10 de Agosto este ano, e que dá pelo nome de Sudoeste (mais um do iluminado Sr. Montez e da sua Música no Coração), por enquanto ainda há só um nome confirmado: Björk, que irá actuar no primeiro dia do festival.
A novidade desta edição é que a companhia de teatro experimental catalã La Fura Dels Baus irá ter actuações diárias no recinto.
Se a Björk é o Maomé da vossa montanha, podem já pagar 40€ por um bilhete diário.
Se são mesmo muito maluquinhos e gostam de comer pó e merda durante 4 dias, o passe está ao vosso dispor pela quantia de 65€ até 31 de Março, e 75€ a partir dessa data.


Apenas uma nota sobre o Festival Vilar de Mouros (o tal a que eu nunca fui), que, mais uma vez, está em risco de não se realizar. O que é lamentável, sobretudo devido à natureza dos motivos que são apontados para o impasse.


E já que no início desta posta referi o Primavera Sound, aqui fica um regalo para a vista. E, se tudo correr conforme esperado, também para a audição...

Artistes confirmats:

808 State, A Place To Bury Strangers, Alan Braxe, Animal Collective, Apparat Band, Dj Assault, Atlas Sound, Autolux, Awesome Color, Berlinbattery feat. Shir Khan Dj Supermarkt & Malente, Bèstia Ferida, Bill Callahan, Bishop Allen, Bob Mould Band, Bon Iver, Boris, British Sea Power, Buffalo Tom, Caribou, Cat Power, The Clientele, Clipse, The Cribs, De La Soul, Deerhunter, Devastations, Devo, Digital Mystikz, Dinosaur Jr., Dirty Projectors, Dr. Octagon aka Kool Keith + Kutmasta Kurt, Edan & MC Dagha, El Guincho, Ellen Allien, Enon, Eric's Trip, Explosions In The Sky, Fanfarlo, The Felice Brothers, Fuck Buttons, Dj Funk, Gentle Music Men, The Go! Team, Grande-Marlaska, Health, Holly Golightly & The Brokeoffs, Holy Fuck, It's Not Not, Kavinsky, Kinski, La Estrella De David, La Orquesta Del Caballo Ganador, Les Savy Fav, Lightspeed Champion, Madee, Man Man, The Mary Onettes, Mary Weiss of The Shangri-Las, The Marzipan Man, Matt Elliott, Menomena, Messer Chups, MGMT, Mi and L'au, Midnight Juggernauts, Mission Of Burma, Mixmaster Mike, Model 500, Moho, Mount Eerie, MV & EE with The Golden Road, Nick Lowe, No Age, The Notwist, Okkervil River, Om, Para One, Pissed Jeans, Polvo, Port O'Brien, Portishead, Prinzhorn Dance School, Public Enemy performing It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back, Robert Hood, Rufus Wainwright, The Rumble Strips, Scout Niblett, Sebadoh, Shellac, Shipping News, Silver Jews, Simian Mobile Disco, Six Organs Of Admittance, SJ Esau, The Sonics, Stephen Malkmus & The Jicks, The Strange Death Of Liberal England, Subterranean Kids, Supermayer, Surkin, The Swell Season, Tachenko, Tarántula, Thomas Brinkmann, Throbbing Gristle, Tiefschwarz, Times New Viking, Tindersticks, Träd Gräs och Stenar, Vampire Weekend, Vórtice, Voxtrot, The Wave Pictures, White Williams, Why?, Young Marble Giants.

Posto isto, nada mais tenho a dizer.

amor felino

Jaguar Love

Amigos, fãs, apreciadores, adeptos incondicionais, devotos dos defuntos Pretty Girls Make Graves (PGMG) e The Blood Brothers (TBB), não desesperem mais! Eis que chega a solução para todos os vossos (e meus!) dramas e dilemas existenciais: Jaguar Love!
Dois terços TBB (Johnny Whitney e Cody Votolato) e um terço PGMG (Jay Clark), os Jaguar Love são tudo aquilo que se poderia esperar de uma joint venture entre estas duas bandas, e mais ainda: muito barulho, muito berro, mas também muita sensibilidade pop à mistura.
No final de Janeiro deste ano assinaram contrato com a Matador (casa-mãe dos PGMG), anunciando-se o álbum de estreia para o início do Verão. Enquanto isso, e durante o mês de Junho, a banda vai andar em tournée por essa Europa fora... Não há por aí algum 'visionário' que os traga cá?

Download "Take Me to the Sea" Demo (4 faixas)

MySpace

os fragmentos de ellen

"The Tracey Fragments", de Bruce McDonald

Quem viu "Hard Candy", concerteza que não terá ficado indiferente à actuação fortíssima desta miúda. "Juno", goste-se ou não, confirmou-a como uma grande actriz.
Ellen Page é, aos 21 anos, uma das maiores promessas da 7ª arte. Já para não dizer uma das mais belas criaturas existentes à face da Terra (eat your heart out, Scarlett!).

Agora temos "The Tracey Fragments", baseado no romance homónimo de Maureen Medved. Um filme que respira e transpira Ellen Page. Diz-nos a sinopse:

"15-year-old Tracey Berkowitz is naked under a tattered shower curtain at the back of a bus, looking for her little brother Sonny, who thinks he's a dog.

Tracey's journey leads us into the dark underbelly of the city, into the emotional cesspool of her home, through the brutality of her high school, the clinical cat and mouse games with her shrink and her soaring fantasies of Billy Zero - her boyfriend and Rock 'n' Roll saviour.

Her travels also put her in contact with the seedier inhabitants of the city. Like Lance, her would-be saviour who ultimately puts her life in jeopardy.

Tracey's stories begin to intertwine truth with lies, and hope with despair as we move closer to the truth of Sonny's disappearance..."

Para vos aguçar ainda mais a curiosidade, a banda sonora é da responsabilidade dos Broken Social Scene...

Marquem na agenda: 20 de Março.

Site oficial

apelo à caridade do bondoso leitor

Será que não há por aí uma alminha gentil e desinteressada que me arranje dois bilhetes grátis para o concerto de Caribou de dia 12, no Santiago Alquimista?

Obrigados!

Nota: Este apelo será ainda transmitido, amanhã, no Jornal Nacional da TVI, onde poderão saber, num rigoroso exclusivo para este canal de televisão, a história de que como eu, uma pobre desgraçada criança, estrábica, analfabeta, que padece de caspa, psoríase, acne juvenil, tiques nervosos e rinite alérgica, e habita numa aldeia isolada do mundo, onde os comboios para Lisboa só passam de 5 em 5 minutos às horas ponta; e que tem 8 filhos para sustentar... Estava eu a dizer, a história de como esta pobre criança (eu, portanto) nunca consegue esticar o dinheiro até ao final do mês. Não percam este drama de vida!

something to write home about #13

Ad Astra Per Aspera

O nome é inspirado no lema do estado do Kansas, de onde a banda é oriunda. Os Ad Astra Per Aspera apresentam-nos uma miscelânea muito interessante, imbuída em referências post-punk, tropicalistas, noise ou mesmo twee-pop.
Formaram-se em 2001 e têm um álbum relativamente recente (de 2007), "Catapult Calypso", lançado pela Sonic Unyon, que é imperativo descobrir!

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o belo do vinil pt. 2

Deerhunter - "Cryptograms + Fluorescent Grey EP" (2007, Kranky) (12" duplo): Após passar vários meses à procura do EP "Fluorescent Grey" a um preço aceitável (tarefa inglória!), eis que me deparo com este duplo vinil que reúne esse mesmo EP ao álbum "Cryptograms", do qual apenas tinha uma cópia gravada em CD-R.
Já tinha aqui citado "Cryptograms" como um dos álbuns do ano de 2007, e "Flourescent Grey" segue o mesmo fio condutor desse trabalho. Um grande EP, portanto.

You Say Party! We Say Die! - "Hit the Floor!" (2005, Sound Document/Reluctant) (12"): Álbum de estreia para este colectivo canadiano, que desde logo lança as bases para o seu dance-punk que pisca o olho à new wave. No entanto, do pouco que conheço do seu segundo álbum, este primeiro parece-me um registo muito mais directo e cru (no bom sentido).

E agora para os pequenotes...
The Ghost Frequency - "Never Before Have I Seen A Man Alive That Looks So Exactly Like A Skeleton" (2007, City Rockers) (7"): Isto quando uma pessoa começa a gostar à séria dos Klaxons, há uma série de outras coisas que vêm por arrasto. É o caso destes ingleses obcecados com um certo imaginário gore de série B, que, embora não se enquadrem bem no espectro, são puro vício! Então a faixa título deste 7" é do mais estupefaciente que tenho ouvido nos últimos tempos.
Põe qualquer um a mexer, mesmo que esteja morto (como se pode ver aqui e aqui)! Ideal para se ouvir em qualquer pista de dança, ou mesmo em casa, quando já se estoirou o orçamento, e nem sequer há dinheiro para sair à noite e dar um pézinho de dança.

The Moths - "Wild Birds/Games/Valentine" (2007, Label Fandango) (7" autografado): O que me chamou a atenção neste vinilo foi, para além do preço extremamente simpático, a editora, Label Fandango, uma subsidiária da Fierce Panda (investiguem aqui, pois o conceito é bastante interessante).
Simpático também é este trio de traças (que veio alterar por completo a minha opinião sobre este animal cujas larvas me esburacam a roupa e cheiram a merda quando são esborrachadas. Da próxima vez que assassinar uma serei, concerteza, muito mais humana e não tirarei prazer nenhum desse acto, como acontecia até agora. Adiante...), praticante de um rock & roll revivalista (garage, art-rock, new-rock, ou lá que diabo é que vocês lhe chamam hoje em dia!), na linha de Futureheads, Young Knives ou Art Brut.

duo jarbas e justino

O novo trabalho conjunto de Jarboe e Justin Broadrick, "J2", também deu uma de Pedro Santana Lopes e já anda por aí. Aqui (courtesy of Drought).
Por esta altura já é um lugar-comum estar a dizer isto, mas, como nunca é demais lembrar: se gostarem, comprem!... O bolso dos artistas agradece!

e quem é que protege os professores?...* em sete andamentos

1. Uma estória: Andava eu na minha 2ª ou 3ª classe, não me recordo ao certo, quando, num belo dia, alguém, um colega, se sente particularmente inspirado, acabando por extravasar essa inspiração numa qualquer malfeitoria. Qualquer coisa sem importância, uma qualquer malandrice normal para as crianças dessa idade. Não interessa. Ninguém se acusou, ninguém se chibou (aqueles compromissos de honra velados que se estabelecem entre as crianças). O que importa é o desfecho da situação. A professora deu-nos duas opções, a toda a turma: ou ficávamos de castigo na sala durante o intervalo ou, quem assim optasse, levava uma reguada e podia ir ao intervalo.
A escolha foi muito clara: meia hora (uma eternidade para quem ainda só tem 7 ou 8 anos!) fechado na sala, em vez de se estar na rua a brincar, é uma seca! Escusado será dizer que, nesse dia, toda a turma foi ao intervalo.

2. A minha mãe era professora do ensino secundário, e digo era porque já se reformou. A minha tia é professora do ensino secundário. Talvez eu seja suspeita para falar acerca desta classe profissional, dada a forte influência familiar, mas o facto é que só me recordo de ter tido 4 ou 5 maus (péssimos!) professores, das várias dezenas com que me cruzei durante o ensino básico e secundário. O facto é que, como em todas as outras profissões, há professores que se estão bem a cagar para a sua actividade e para os seus alunos e, que quanto menos fizerem, melhor! Mas facto é também que o número de maus professores é largamente ultrapassado pelo de profissionais competentes, dedicados e empenhados. Mas, acima de tudo, mal-amados. Pelos alunos, porque estão na idade (adolescentes, está tudo dito...) de odiar tudo o todos. Pelos pais e encarregados de educação, que, muitas vezes, são piores que os filhos ou educandos, defendendo cega e irracionalmente as suas criancinhas (mesmo que estas sejam o diabo incarnado) quando não têm qualquer razão, ou a razão é tão insignificante ou egoísta que nem deveria ser tida em conta. E, actualmente, pela própria ministra.

3. A minha mãe reformou-se há cerca de dois anos. A primeira coisa que senti foi alívio. Alívio pelas histórias, cada vez mais frequentes, que ela me contava de alunos que agridem ou ameçam professores, de pais ou encarregados de educação que, para instilar ainda mais terror e medo, também ameaçam ou agridem os professores. Todos caem em cima dos professores e estes, pura e simplesmente, não se podem defender porque estão terminantemente proibidos de tocar num cabelo que seja das bestas das criancinhas!... E se tocam nas bestas dos paizinhos, ainda se arriscam a levar com um processo em cima!
Não se trata de voltarmos ao tempo da outra senhora. Trata-se, tão somente, da supressão de dois dos direitos mais básicos de um ser humano: o direito a ser respeitado e o direito à sua auto-defesa. Sejamos realistas, há muitas escolas hoje que são um autêntico cenário de guerra. Porque não elevar a docência à categoria de profissão de alto risco?... Melhor ainda, porque não pôr polícias de choque dentro das salas de aula ou a leccionar essas mesmas aulas??

4. A reguada que levei naquela ocasião, outras antes e depois dessa, os castigos não fizeram de mim uma pessoa pior nem melhor. Não me transformaram num ser anti-social, uma criatura violenta e disfuncional. Apenas representam aquilo que, na altura, eu ainda não compreendia na sua plenitude: cada acto tem a sua consequência. Mas acima de tudo, devemos respeito a todos os que nos rodeiam, tal como todos eles nos devem, também, respeito a nós.

5. Defendo veementemente que todas as pessoas devem ser avaliadas no exercício da sua actividade ou profissão. Avaliação essa que terá necessariamente que ser justa e imparcial.
O meu conhecimento acerca do modelo de avaliação para os professores proposto pela ministra é bastante superficial, mas algo que me diz que, para o descontentamento ser tão generalizado e tão consensual, é porque há algo ali que está muito errado.

6. Será que esta ministra da educação respeita sequer a classe que é suposto ela representar? Eu cá tenho sérias dúvidas.

7. *... Porque a ministra não será, concerteza!
A minha tinha vem amanhã a Lisboa para a "Marcha da Indignação". E não me vai aborrecer absolutamente nada se tiver que subir até à Feira da Ladra a pé, devido a cortes no trânsito.

o belo do vinil pt. 1

Celebration - "The Modern Tribe" (2007, 4AD) (12"): Fui iniciada nas artes Celebratórias pela minha estimada Extravaganza, e logo tratei de aprofundar o meu conhecimento.
Diz-se deles que os concertos são pura e simplesmente extasiantes, fala-se ainda em "modern soul music", mas basta-me a voz de Katrina Ford (também conhecida como a bela moçoila que cede os seus préstimos vocais aos TV on the Radio), tão sublime e poderosa, para fazer dos Celebration algo de muito especial.

Omar Rodriguez - "Omar Rodriguez" (2006, Erika/GSL) (12"): Este álbum homónimo do Sr. Rodriguez-Lopez (um singelo picture disc de edição limitada a 2.000 cópias, que me veio parar às mãos pela módica quantia de 12,50€) é mais uma prova do seu virtuosismo como guitarrista e compositor, se tal ainda for necessário.
Aqui segue-se uma dieta rigorosa, à base de doses generosas de experimentação, psicadelismo, free-jazz e ambiências latinas. Indispensável a todos aqueles que, como eu, são adeptos fervorosos de At the Drive-In, The Mars Volta e suas ramificações.

Sunn 0))) - "Oracle" (2007, Southern Lord) (12"): "Orakulum", a segunda faixa deste EP, é uma composição destinada a acompanhar a colaboração ao vivo entre os Sunn 0))) e o escultor nova-iorquino Banks Violette, que teve lugar na galeria Maureen Paley, em Londres, em Junho de 2006. Esta colaboração performativa, que decorreu num espaço fechado no interior da galeria, destinava-se a gerar ou suscitar uma sensação de ausência, perda e um fantasma daquilo que já foi, das coisas passadas. Juntamente com a primeira faixa, "Belülrol Pusztít" (que em húngaro significa 'que destrói a partir do interior'), de carácter mais experimental, este EP pretende documentar a interpretação dos Sunn 0))) dessa mesma colaboração. Nas palavras dos próprios.

Don Caballero - "World Class Listening Problem" (2006, Relapse) (12"): Este "World Class Listening Program" é o último registo, já após o desmembramento e subsquente reunião, desse nome maior do math-rock, que são os Don Caballero.
Trata-se, tão somente, de um tratado portentoso em como harmonizar tecnicismo/precisão milimétrica e música. Se acham que os Battles inventaram a roda, isso é só porque ainda não ouviram Don Cab.

Owls - "Owls" (2001, Jade Tree) (12"): Banda já extinta dos manos Kinsella e restantes membros dos, também já extintos, Cap'n Jazz (com excepção de Davey 'The Promise Ring' von Bohlen), estes Owls dão continuação ao corpo de trabalho iniciado por esses mesmos Cap'n Jazz: emocore da velha guarda, carregado de inflexões e com alguma carga experimental. Peco por não os ter conhecido mais cedo, mas, já dizia a minha avózinha, mais vale tarde!

já temos cassetes

O novo de Tapes 'n Tapes, "Walk It Off", já anda por aí a circular. Corrijo, por aí não. Por aqui (courtesy of bolachas grátis). E, se gostarem do que ouvem, não se esqueçam de comprar o disco quando este sair, porque os artistas são bons artistas e não vivem do ar!

boris também em lisboa

Assim é. A solenidade terá lugar um dia depois do concerto no Porto (a dia 27 de Maio, portanto), na Galeria Zé dos Bois.

os sabbath estariam orgulhosos!

The Sword - "Age of Winters" (2006, Kemado)

De todas as bandas que podem ser emuladas e/ou citadas como referência, os Black Sabbath são das poucas que merecem a minha aprovação incondicional. Mesmo que a coisa seja uma cópia descarada, a influência do Sábado Negro é garante incontestável de qualidade. Melhor ainda quando a coisa não é uma cópia descarada e (ainda por cima!) é bem feita. Os Sword enquadram-se neste último grupo. Com alguns aspectos inovadores, note-se. Mas não muitos, porque em equipa vencedora não se mexe!
Como tal, não é de admirar que este "Age of Winters" seja um paraíso doom/sludge/stoner: intros arrastadonas, monumentais sucessões de riffs (o de "Winter's Wolves" é tão Sabbath que até dói!), uns trejeitos mais trash aqui e ali (vide "Iron Swan") e, a cereja no topo do bolo, letras que versam temas da mitologia nórdica! (Já vos falei do meu fascínio pela mitologia nórdica?...)
Meus amigos, mais 'zévi metal is the law' que isto é impossível... This is as good as it gets!!

a sepultura do lobisomem

Vverevvolf Grehv

Os The Faint morreram! Vivam os The Faint!... Ou talvez não.
O facto é que, após um hiato de cerca de quatro anos, a incerteza relativamente ao futuro da banda começa a instalar-se... E as contas continuam por pagar, os putos têm que ser sustentados e, se tudo correr bem, no final do mês ainda sobrará algum dinheiro para os estupefacientes.
Foi, talvez com isso mente, que Michael Dappen (aka Dapose), guitarrista da banda, resolveu deitar mãos à obra e avançar com o seu projecto paralelo Vverevvolf Grehv (leia-se werewolf grave), tendo o seu álbum de estreia, "Zombie Aesthetics", sido lançado hoje pela Relapse.
Mas desenganem-se aqueles que procuram no novo trabalho de Dapose um prolongamento do electro-punk praticado pelos Faint. Caso não tenham percebido pelo nome da editora, isto não é música para meninos!
A electrónica é mesmo o único ponto em comum entre as duas bandas, que, no caso dos Vverevvolf Grehv, se alia a sonoridades death, trash ou mesmo speed metal, produzindo um resultado deveras interessante. Para quem aprecia este tipo de coisas, claro está.
Confiram no MySpace... If you dare!

quem não esteve no porto este fim-de-semana nem sabe o que perdeu...

Um grande, enorme, monstruoso concerto (muito graças aos caríssimos Katabatic)!...

... E o anúncio da vinda dos Boris a Portugal, que acontecerá a dia 26 de Maio, no Porto-Rio (Porto). Weeeee!

Amplificasom em grande! Excelente trabalho!
 

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