January 28, 2011

olá, somos os japanther!
temos um nome porreiro e somos a bandola mais fixe que tu já ouviste!
(20 janeiro, zdb)

Saímos p'la fresca para a first fruit of the season.
Virámos há dias um amuse bouche numa salita mal amanhada numa loja de um maniento qualquer, cortesia dos Les Profs de Skids, surf-rock via estância de esqui em Grenoble.
Mas esta noite há sopa-da-pedra!
O ar que hoje respiramos sabe a diferente, não sabe ao de sempre.
É um ar mais vinte-e-poucos-quero-é-bailar-à-parva e menos vinte-e-muitos-trinta-e-tais-e-morder-a-tua-sapatilha-trendy-e-o-teu-cabelito-cuidadosamente-descuidado-é-o-que-quero-mais!
Eu descobri há pouco os prazeres de um pente e do sapatinho brogue engraxadote do velhote, mas que bem me sabe uma fungada forte deste ar. Assim à bruta, sem filtro!



Subimos ao aquário e em menos que um ai já um big rider de ondas grandes, dos que cagam em campeonatos e reza a Fu Manchu, pisa o estrado.
Traz uma guitarra de dois ou três acordes amigada com a percussão sem pratos nem bombo da miúda de ar desleixado not fake e guizinhos cabrita-dos-montes nos pés, qual tree hugger de Yosemite.
Meia-bola e força nas cordas, vozes a mielas e pauladas certeiras direitinhas às ancas da putaria*.
É quanto basta aos Shellshag para arrancar um balanço mesmo nervoso aos quadris da vilanagem e ainda um mundo de boquitas escancaradas com deliciosos dentinhos Sensodyne erva-fresca a descoberto.









No buffet dos Japanther, o guisado não é assim tão diferente. É estrugido que também ferve em águas das torneiras de Brooklyn, e isto não é dizer pouco!
É guisado rico de noise-rock, pop-punk ou punk-pop, pipocas e hardcore, algodão-doce e hip-hop.
Isto p'la mão de um bateras que será o maior fã do Bart Simpson que conheces, a julgar p'lo rabisco de um Bart skater no antebraço emparelhado com uns quantos rabiscos mais, obra maior de um qualquer artista em ascenção lá na casa dos cinco anos. E pelo número incontável de vezes que grita o nome do herói amarelo num sotaque catalão de Beirute.
Tem um kit de bateria com as peças todas e o seu quê de Homer na barriga flácida tapando orgulhosamente as presilhas da calça.
O baixo é escancarado pelo primo afanado do Jay Reatard e de um Carles Puyol a alinhar a avançado, que os Japanther jogam ao ataque!
Há uma miúda nas tábuas num bailarico digno de um Van Damme no Kickboxer de '89, quando se finge pifo antes de desatar à bordoada nos bandidos. Ou de uma Amy Winehouse arriscando uns moves de hard ass. Eu cá ergo a muleta no ar, só numa de não me foderem o joelho vivo!
Mas que ganas de baile tenho!
Há uma flanela atirada ao Homer e um pronto: "You're fucked, motherfucker! This shirt is now mine!"
E trata de aconchegá-la lá para os lados do farmville, para que nem passe pelo miolo do puto pedi-la de volta. Há sorrisos daqui a Tóquio, cheira a macho e Anaïs Anaïs!
Aqui e agora, os putos são livres e a alegria contagia!
Esta merda não devia ter fim nunca, só para os miúdos não terem que pensar em mais uma borbulha no queixo, no que vestir amanhã ou em como dizer que gramam à brava este gajo ou aquela chavala.
Naaah! Estes putos não perdem tempo com trampa!
Estes putos são felizes!
Porque há dias em que isso até é fácil!


*putaria-miúdagem numa de bailarico selvagem