April 7, 2009

mamã, continuo zangado com o mundo em geral

Cursive - "Mama, I'm Swollen" (2009, Saddle Creek)

Ainda bem que há pessoas assim. Ainda bem que há alguém que, após 34 anos de vida, continue repleto da teenage angst mais inconsequente e irreflectida. De uma forma deveras consequente e reflectida.
Alguém que despeja toda a sua ira por intermédio das palavras mais belíssimas. Seja contra a ex-mulher e ex-(hipotéticas)-amantes (grandes catalisadoras da raiva patente em "Domestica" e "The Ugly Organ", já para não falar da obra dos The Good Life, "Black Out"), seja contra o ser humano (ele próprio), a sociedade e o mundo em geral. Todas as composições de Kasher são manifestos da mais pura revolta e inconformismo. Mas não daqueles maçudos e soporíferos. Tudo isto é pessoal, tudo isto é rancor sincero e perverso. Não há aqui pseudo-politiquices nem basófias afins.
Mesmo nos momentos (temas) menos tempestuosos, a raiva acaba sempre por transparecer. Incontida e pura, no seu mais magnífico esplendor. E assim se quer o rock & roll. Nada de fachadas ou falsas perturbações/juventudes perdidas.
Kasher, quer o manifeste exteriormente ou apenas o cultive no mais profundo do seu âmago, só poderá ser o mais profundo dos misantropos. E ainda bem que assim é.
Como diz o próprio, "I'm at my best when I'm at my worst - when I'm not rehearsed.". E agora digo eu: and we wouldn't have it any other way.

Portanto, dai graças pela existência de Tim Kasher, pelos seus ódios de estimação e pelos seus Cursive! Que em 14 anos de carreira nunca nos deram um disco nada menos que brilhante.