May 12, 2008

lost in translation?

Boris - "Smile" (2008, Southern Lord) (CD)
Boris - "Statement/Floor Shaker" (2008, Southern Lord) (Vinil 7")


Foi na passada semana que tive a imensa felicidade de receber no conforto do meu lar o novo registo dos grandiosos Boris, juntamente com o esgotadíssimo single para o tema "Statement", que foi gentilmente reimpresso pelos senhores da Southern Lord para que os senhores da Insound pudessem fazer um pack especial de pré-encomenda deste disco.
Se bem se recordam, já por aqui tinha falado deste álbum. O que nessa ocasião não esclareci foi que este disco teria duas edições: uma japonesa (aquela que já tinha mencionado) e outra ocidental, via Southern Lord (esta de que agora vos falo). Mas como o estimado leitor será concerteza uma pessoa culta e bem-informada, suponho que já estaria ao corrente deste facto.

Um disco, duas edições. Para baralhar um pouco mais as coisas, são ambas versões diferentes. Arranjos diferentes, duração e títulos das faixas diferentes ("Message" é agora "Statement", "Shoot!" passa a "Laser Beam", "Next Saturn" a "My Neighbor Satan", "Dead Destination" a "KA RE HA TE TA SA KI - No Ones Grieve" e "You Put Up Your Umbrella" a "You Were Holding an Umbrella"). Discos diferentes, perguntarão vocês? Não, nada disso.
Aparte algumas diferenças mais óbvias, nomeadamente nos casos de "Statement" (que aqui é um verdadeiro hino aos riffs de guitarra, enquanto na sua versão "Message", mais longa, assume contornos bastante mais minimalistas, onde é dada primazia à secção rítmica) e de "... No Ones Grieve" (que na edição da Southern Lord se nos apresenta com uma introdução monolítica de cerca de 1 minuto e meio), bem como uma edição japonesa com muito mais fuzz (por oposição a uma ocidental significativamente mais clean), a essência do álbum permanece inalterada.
Ainda assim, recomendo a audição de ambas as versões.

Independentemente da versão, independentemente de tudo e de todos, os Boris prosseguem a sua missão de desbravamento de terreno, continuando a explorar novas paisagens musicais. Para além dos já habituais psicadelismos, noises e drones, ouvimos também aqui algo de post-rock, de trash, ou mesmo do heavy metal da velha guarda.
Talvez seja mesmo o disco mais acessível da carreira da banda, se bem que 'acessível' é sempre um conceito bastante vago quando de Boris se fala. Se concordarmos com isso, teremos também que concordar que é o mais atípico (novamente, e pelas mesmas razões, o 'atípico' aqui é muito vago).
Goste-se ou não, não deixa de ser um álbum de continuação. Porque falando num contexto 'borisiano', continuação não é mais do que experimentação, mutação, um salto evolutivo.
Goste-se ou não, este é um grande disco.