no ninho dos açores

olá, somos os japanther!
temos um nome porreiro e somos a bandola mais fixe que tu já ouviste!
(20 janeiro, zdb)

Saímos p'la fresca para a first fruit of the season.
Virámos há dias um amuse bouche numa salita mal amanhada numa loja de um maniento qualquer, cortesia dos Les Profs de Skids, surf-rock via estância de esqui em Grenoble.
Mas esta noite há sopa-da-pedra!
O ar que hoje respiramos sabe a diferente, não sabe ao de sempre.
É um ar mais vinte-e-poucos-quero-é-bailar-à-parva e menos vinte-e-muitos-trinta-e-tais-e-morder-a-tua-sapatilha-trendy-e-o-teu-cabelito-cuidadosamente-descuidado-é-o-que-quero-mais!
Eu descobri há pouco os prazeres de um pente e do sapatinho brogue engraxadote do velhote, mas que bem me sabe uma fungada forte deste ar. Assim à bruta, sem filtro!



Subimos ao aquário e em menos que um ai já um big rider de ondas grandes, dos que cagam em campeonatos e reza a Fu Manchu, pisa o estrado.
Traz uma guitarra de dois ou três acordes amigada com a percussão sem pratos nem bombo da miúda de ar desleixado not fake e guizinhos cabrita-dos-montes nos pés, qual tree hugger de Yosemite.
Meia-bola e força nas cordas, vozes a mielas e pauladas certeiras direitinhas às ancas da putaria*.
É quanto basta aos Shellshag para arrancar um balanço mesmo nervoso aos quadris da vilanagem e ainda um mundo de boquitas escancaradas com deliciosos dentinhos Sensodyne erva-fresca a descoberto.









No buffet dos Japanther, o guisado não é assim tão diferente. É estrugido que também ferve em águas das torneiras de Brooklyn, e isto não é dizer pouco!
É guisado rico de noise-rock, pop-punk ou punk-pop, pipocas e hardcore, algodão-doce e hip-hop.
Isto p'la mão de um bateras que será o maior fã do Bart Simpson que conheces, a julgar p'lo rabisco de um Bart skater no antebraço emparelhado com uns quantos rabiscos mais, obra maior de um qualquer artista em ascenção lá na casa dos cinco anos. E pelo número incontável de vezes que grita o nome do herói amarelo num sotaque catalão de Beirute.
Tem um kit de bateria com as peças todas e o seu quê de Homer na barriga flácida tapando orgulhosamente as presilhas da calça.
O baixo é escancarado pelo primo afanado do Jay Reatard e de um Carles Puyol a alinhar a avançado, que os Japanther jogam ao ataque!
Há uma miúda nas tábuas num bailarico digno de um Van Damme no Kickboxer de '89, quando se finge pifo antes de desatar à bordoada nos bandidos. Ou de uma Amy Winehouse arriscando uns moves de hard ass. Eu cá ergo a muleta no ar, só numa de não me foderem o joelho vivo!
Mas que ganas de baile tenho!
Há uma flanela atirada ao Homer e um pronto: "You're fucked, motherfucker! This shirt is now mine!"
E trata de aconchegá-la lá para os lados do farmville, para que nem passe pelo miolo do puto pedi-la de volta. Há sorrisos daqui a Tóquio, cheira a macho e Anaïs Anaïs!
Aqui e agora, os putos são livres e a alegria contagia!
Esta merda não devia ter fim nunca, só para os miúdos não terem que pensar em mais uma borbulha no queixo, no que vestir amanhã ou em como dizer que gramam à brava este gajo ou aquela chavala.
Naaah! Estes putos não perdem tempo com trampa!
Estes putos são felizes!
Porque há dias em que isso até é fácil!


*putaria-miúdagem numa de bailarico selvagem

ano novo, chaparia nova, o blogue é que é o mesmo e por aqui continua a arrastar o seu cadáver


2010 foi uma merda. Não há forma delicada de o dizer. A coisa nem começou mal de todo, tinha acabado de sair de um projecto que me levava aos limiares da loucura dia-sim-dia-sim (e, consequentemente, tinha-me finalmente conseguido afastar de pessoas com as quais não desejo voltar a ter qualquer tipo de ligação académica e/ou profissional) e tinha iniciado um outro, com o qual estava sobremaneira entusiasmada. Mas quando me roubaram a carteira, com toda a minha vida lá dentro, no El Prat, regressava eu do Primavera Sound, devia ter logo desconfiado que este não iria ser um bom ano - pelo menos, o que dele faltava. E assim foi.
O novo projecto provou que afinal não era a oitava maravilha, os resultados não eram os esperados. Ou não eram os que desejávamos. Talvez tivéssemos sido demasido ambiciosos, mas agora que penso nisso a meses de distância, julgo que fomos apenas extremamente optimistas e confiantes numa espécie de milagre, que poderia ou não acontecer. O entusiasmo esmoreceu, mas o trabalho ia-se fazendo sempre com ânimo, uns dias com melhores resultados, outros com piores. As coisas iam-se aguentando.
E é então que chega o final de Novembro, e aquilo que eu chamo 'a minha série de acontecimentos desagradáveis', todos em estreia absoluta: o meu primeiro acidente de mota, a minha primeira viagem de ambulância, o meu primeiro osso partido, o meu primeiro internamento hospitalar, a minha primeira cirurgia, a minha primeira epidural e subsequente má trip (parto sem dor: não me apanham nessa!), a minha primeira "redução cruenta e osteossíntese com placa de neutralização e parafusos" e, para fechar o círculo, dias antes do Natal, recebo a notícia da morte de uma pessoa que me era querida, e que era muito nova, demasiadamente nova para nos deixar.
Portanto, para quem não tinha ouvido bem à primeira, 2010 foi uma real merda.

Posto isto, 2011 tem tudo para ser um bom ano. Quanto mais não seja, por comparação com o anterior. Será o ano em que, finalmente, irei terminar a tese de mestrado e este blogue irá voltar à glória de antigamente, em que irei (eventualmente) voltar a andar normalmente, em que o meu pé irá (eventualmente) deixar de inchar e desinchar como um balão insuflável, em que substituirei a minha linda carteira roubada por outra, ainda mais linda. Tem tudo para dar certo. Certo? Errado, ainda o ano mal tinha começado e já dois acontecimentos me tiravam o bom humor, acerca dos quais não me irei aqui alongar, pois já chega de recordar tristezas por hoje. E, seja como for, muita coisa acontece em 339 dias - muita e, espera-se, boa.

Fale-se então de coisas mais alegres. Da música que nos aquece a alma, por exemplo. Das poucas coisas boas de 2010. O tempo escasseou, mas dois meses em casa de pata no ar deram, ao menos, para recuperar muita da matéria perdida. Para os concertos sempre se arranjavam umas horinhas. Em breve publicarei por aqui algumas impressões relativas ao Supersonic e seguem-se links para os vídeos de alguns dos últimos concertos do ano:

Part Chimp @ O Meu Mercedes, 13.09: (1) (2) (3) (4)
Eels @ Coliseu dos Recreios, 19.09: (1) (2) (3) (4) (5)
Master Musicians of Bukkake @ ZdB, 17.10: (1) (2) (3) (4)
The Walkmen @ Coliseu dos Recreios, 14.11: (1) (2) (3) (4)
Torche + Men Eater @ Santiago Alquimista, 17.11: (1) (2) (3) (4) (5)
Fucked Up + Mr. Miyagi @ ZdB, 18.11: (1) (2) (3) (4) (5) (6)

O habitual round up do que de melhor se fez e aconteceu em termos de música durante 2010 surgirá nos primeiros dias de Fevereiro.

Quanto a 2011, já há discos e concertos sobre os quais conversar. Portanto, prometem-se postas bem mais animadas para breve, assim como - espera-se - uma maior regularidade no débito das mesmas.
 

© nos Açores não há açores. | template Modern Clix criado por Rodrigo Galindez | adaptado para o blogger por Introblogger | modificado por ms. oaktree