December 19, 2009

something to write home about #34 - cartas para 2010

Blogue de música que se preze desata nesta altura a fazer a sua lista dos most anticipated whatever de 2010. Não querendo fugir à regra de ser do contra, não vou fazer nenhuma lista de tal ordem, mas antes falar um pouco acerca de algumas coisas que descobri recentemente (algumas novas, outras novas apenas para a minha pessoa) e que prometem bons discos para 2010, muitos dos quais a sair logo no início do ano.
Não me interessa se eles vão rebentar em 2010 (talvez até nem cumpram a promessa dos tais bons discos, mas algo me diz que não vamos chegar a esse extremo), muito menos se eles são material para hypes ou next big things. Gostei do que ouvi e, como tal, passo a outro e não ao mesmo (para quem se lembra do jogo). Segue por tópicos, para facilitar a leitura e condensar aquilo que, de outra forma, seria mais um dos meus longos sermões que (quase) ninguém lê.


Quem são? Wolf People.
O que é que fez "click"? Terem assinado pela Jagjaguwar.
Fui ouvir e... Trouxeram-me instantanemente à memória os Dungen, e a forma maravilhosa como deles tomei conhecimento, após meses e meses a adormecer de rádio ligado na Voxx (já em modo fantasma) esperando ter a sorte de acordar espontaneamente a meio da noite, no exacto momento em que "Panda" ou "Festival" estivessem a passar. Tive essa sorte por várias vezes, mas só depois de todos esses meses de enamoramento/desespero alguém me disse que tinha lido um artigo na Mojo sobre uma banda com potencial para ser os tais "nórdicos da Voxx".
A história não tem nada que ver com os Wolf People, apeteceu-me apenas recordá-la. A música sim.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Quem gosta de rockismos, psicadelismos ou progressismos como se faziam nos idos de 70 não tem motivos para não gostar. E aqui bato com o punho no peito num gesto de contrição e proclamo "mea culpa", pois só recentemente despertei para esse mundo maravilhoso, muito graças a estas novas bandas.
O disco sai... A 23 de Fevereiro. Intitula-se "Tidings".
Os downloads: "Village Strollin'", "October Fires". 
Os links: MySpace.


Quem são? Moonface (aka Spencer Krug a solo)
O que é que fez "click"? Spencer Krug!
Fui ouvir e... Spencer Krug can do no wrong.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Se as razões acima enunciadas não foram suficientes, fiquem desde já sabendo que considero um indivíduo desumano e cruel aquele que não aprecia o trabalho de Spencer Krug.
O disco sai... O vinil de "Dreamland EP: marimba and shit-drums" sai a 26 de Janeiro pela Jagjaguwar, mas podem já descarregá-lo legal e gratuitamente - ou mediante uma doação - no site do projecto (para além de um grande artista, é também uma jóia de pessoa, vejam só!).
Os downloads: Ver acima.
Os links: Site oficial.


Quem são? Gospel.
O que é que fez "click"? Serem adeptos praticantes do post-hardcore.
Fui ouvir e... "Como é que eu só conheci este gajos agora?!"
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Apesar de já existirem desde 2003 como Gospel, a banda separou-se em 2006 sem grandes justificações, tendo lançado apenas um único disco ("The Moon Is a Dead World", de 2005). Voltaram agora a reunir-se, já com material novo na manga e alguns concertos em agenda.
Têm argumentos para convencer mesmo o mais exigente apreciador de post-hardcore, facção tecnicista/de vanguarda.
O disco sai... Ainda não se sabe. Mas eles dizem que compuseram material suficiente para um novo álbum.
Os downloads: "Paper Tigon", "Yr Electric Surge Is Sweet".
Os links: MySpace, Muxtape.


Quem são? Family Band.
O que é que fez "click"? Haver ali pelo meio um guitarrista de uma banda da metalada (os Children, que não conhecia, mas também não me dizem grande coisa).
Fui ouvir e... Fez-me lembrar, a espaços, Lightning Dust. Não só pela sonoridade, mas também por serem um duo masculino-feminino.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): O conceito da banda é bonito, uma banda familiar, composta por um casal, Jonny Ollsin e Kim Krans, que vão tocando por aí com alguns amigos (um deles, curiosamente, é o ex-Yeasayer Luke Fasano), onde os quiserem, onde forem bem-vindos, em qualquer lugar. A sua música é igualmente bonita. E música bonita é uma coisa que muita falta faz nos dias que correm.
O disco sai... O longa-duração "Miller Path" está para breve, mas enquanto isso podem escutar o EP de estreia, gravado pela própria banda, aqui. Se gostarem e quiserem uma cópia física do EP como prenda de Natal, enviem-lhes um e-mail (instruções aqui).
Os downloads: "Fantasy", "Hatred".
Os links: Site oficial, blogue.
O vídeo:
 


Quem são? Title Tracks (aka John Davis a solo, com uma banda que o acompanha ao vivo).
O que é que fez "click"? John Davis ser um terço dos extintos Q and Not U.
Fui ouvir e... Todos aqueles que me conhecem, ou que conhecem este blogue desde os primórdios, sabem do amor que eu nutro pelos Q and Not U. Portanto, é perfeitamente natural que receba qualquer notícia do envolvimento de algum dos seus membros noutros projectos com grande expectativa. Se Ris Paul Ric de Cristopher Richards foi uma espécie de desilusão, o caso muda de figura com John Davis e os seus Title Tracks. Não sendo uma repetição do trabalho dos QaNU, Davis consegue aqui tecer belíssimas malhas de um excelso indie pop, na mesma linha de alguns dos nomes maiores do género. A saber: Weezer (era "Blue Album"/"Pinkerton"/"Green Album"), The Promise Ring, ou mesmo Fountains of Wayne nos seus momentos mais felizes e conseguidos.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Tal como a música bonita faz falta, também o bom indie pop a faz. Daquele sem pompa excessiva, nem subterfúgios, nem maneirismos exagerados. Daquele bem feito e que não precisa de toda a espécie de aditivos, corantes e milagres de pós-produção para mostrar que é bem feito. Daquele que podemos apreciar despreocupadamente, porque vale por si só.
Pessoalmente, se calhar faziam-me mais falta os Q and Not U. Mas já fico mais que satisfeita com um bom projecto indie pop.
O disco sai... A 9 de Fevereiro pela Ernest Jenning. Chama-se "It Was Easy".
Os downloads: "Every Little Bit Hurts".
Os links: MySpace, blogue.