no ninho dos açores

molhos de flores

Não sei se terão reparado, mas ontem houve um dilúvio de interessantíssimos leaks ali para os lados do Bolachas Grátis. Eu por aqui já estou a estudar a matéria nova, enquanto escrevo o penúltimo capítulo da epopeia 'primaveril'.

Grandes bolacheiros!

(Por falar nisso, o Bolachas mudou de casa, apesar da antiga se manter de pé. Para aqui. Queiram fazer o favor de visitá-las, a ambas.)

olá... isto agrada-me!

Segundo uma notícia veiculada pelo pasquim Blitz, que passo a transcrever:

«O afamado festival de música South By Southwest , que todos os anos se realiza no estado norte-americano do Texas, pode passar a ter uma versão europeia, na cidade do Porto.

A hipótese foi avançada por David Gibson, director do programa UTEN (University Technology Enterprise Network) para Portugal, em declarações citadas pelo site INESC PORTO.

"Queremos trazer o festival SXSW Interactive para Portugal já no próximo ano", afirmou este responsável, adiantando ainda: "Fizemos os primeiros contactos e há grande entusiasmo para avançar".

David Gibson, que esteve no Porto a participar na 12.ª conferência internacional de políticas de tecnologia e inovação, garantiu que a Invicta tem "excelentes condições para a realização do festival", graças a infra-estruturas como a Casa da Música, ao ambiente estudantil e à vida nocturna.

O festival South By Southwest, no Texas, é uma das maiores montras anuais de música, a nível internacional, realizando-se numa série de salas diferentes, na mesma cidade, Austin. (...)»


Bem sei que tenho olhado para o conceito do SXSW com alguma desconfiança, mas tendo a coisa aqui ao pé de casa, mesmo que a 300 km de distância, o caso muda logo de figura.
Esperemos que, a acontecer, não seja apenas um SXSW de refugo...

kyp malone faz das suas

Rain Machine - "Rain Machine" (22.09.2009, Anti-)

Finalmente a curiosidade foi saciada.
Já aqui tinha falado do projecto a solo de Kyp Malone, Rain Machine, que, à data, se encontrava (quase) no segredo dos deuses. Mas, para gáudio de todos (ou meu, pelo menos), uma ponta do véu foi finalmente levantada, na forma do primeiro single a ser extraído do álbum homónimo de estreia.
Se bem que se trata apenas de uma única faixa, não sendo aconselhável, por isso, fazer já extrapolações, o facto é que a amostra é bastante auspiciosa. "Give Blood", de sua graça, é uns belos três minutos e 26 segundos de TV on the Radio, versão esquizóide/tribal... Mas para que é que eu estou para aqui a falar, quando a podem ouvir aqui?

a leitura do dia

Porque a Pitchfork ainda tem coisas boas, fiquem com esta belíssima entrevista aos Sunn 0))).

primavera sound em converseta - pt. III

Dia 29, o drone. Mais um diazinho, mais uma voltinha pelo Parc del Fòrum. E mais uma banda que, há muito, ambicionava ver ao vivo: os Sunn 0))).
Ao contrário do anterior, o início de dia foi esplêndido, com Bat For Lashes a abrir as amenidades (porque Bat for Lashes e hostilidades são duas coisas que não encaixam) no palco do mijo de burro (para os que já não estão recordados, refiro-me à Estrella Damm). Uma actuação belíssima, que percorreu os melhores temas tanto de "Two Suns", como de "Fur and Gold" e que seguiu à risca a exímia execução e magnífica prestação vocal de Natasha Khan, patentes nestes dois álbuns (para os amigos que perguntaram: sim, a voz dela é igualzinha. Não há aqui microfones mágicos nem milagres de (pós-)produção), que não só teve um efeito relaxante, como também foi um recarregar de baterias para as longas horas de concertos que ainda iríamos enfrentar. Para ser perfeito, perfeito só faltou mesmo ter tido lugar no auditório do fórum.
Posto isto, uma corridinha até ao palco Pitchfork para uma espreitadela às Vivian Girls. Raparigas desenvoltas, perfeitamente enquadradas no ambiente de Barcelona ao final da tarde, que nos proporcionaram alguns momentos de boa disposição com o seu punk-rock/power-pop solarengo e despreocupado. Agradaram, mas, ainda assim, não supreenderam.
Terminada a actuação das Vivianes, tínhamos algum tempo livre, já que o próximo ponto de interesse era só às 21h20. Tentámos aproveitá-lo da melhor forma, oferecendo alguma da nossa atenção a outros projectos que, nesse interim, também davam um ar de sua graça (ou falta dela) pelos vários palcos ao ar livre do fórum (este ano não chegámos a assistir a nenhum dos concertos no auditório). A saber: Spiritualized no palco Rockdelux (ainda que não seja a minha praia, pareceu-me um bom concerto. Com certeza terá feito as delícias dos fãs) e The Pains of Being Pure at Heart no Pitchfork (não é que o Jay Reatard tem razão? Estes fulanos são mesmo uma seca! Como é que algo tão genérico, tão mais-do-mesmo, tão sensaborão é adulado por tanta gente é, para mim, um mistério. Ao vivo são apenas uma extensão da sonolência provocada em disco).
Finalmente, eis que chegava a hora de regressar ao palco mijo de burro, para marcar lugar junto à grade para a prestação dos Art Brut. O que, cedo perceberíamos, seria uma opção acertadíssima. Se alguma dúvida restasse, este concerto foi mais uma confirmação de que, da vaga de revivalismo rock n' roll, os Brutes são das poucas bandas que continuam relevantes. Já para não dizer que foi um dos, se não mesmo o melhor concerto deste festival em termos de empatia gerada com o público. Muito graças a Eddie Argos, um frontman em toda a linha, que, com as suas estórias e estorietas, e sem se armar ao pingarelho, conseguiu ter piada (muita piada!), bem como cativar e divertir todos os presentes. Nada menos que grande!
Infelizmente, não pudemos ficar até o final, porque o apelo do drone já se fazia sentir em nossos corações e as expectativas eram elevadíssimas. Dez minutos antes da hora marcada e já nos encontrávamos na grade do palco ATP.
A reverência pelos Sunn 0))) assim o exigia. Pelas 22h30, mais minuto menos minuto, Stephen O'Malley e Greg Anderson iniciaram a apresentação de "The GrimmRobe Demos", numa performance majestática, teatral e poderosíssima, como é, aliás, apanágio da banda, que foi tudo aquilo que esperava e mais ainda. Um momento perfeito, em que tudo se conjugou de forma harmoniosa: a hora do concerto (nem demasiado tarde, nem demasiado cedo), o coberto da noite, o palco (mesmo sendo a céu aberto, as condições eram as ideais. Já para não dizer que um palco ao ar livre impediu a intoxicação generalizada pelas quantidades monstruosas de fumo libertadas), a própria actuação em si. E o transe induzido pelo drone foi plenamente atingido. Se há motivos de queixa, prender-se-ão apenas com a curta duração do concerto: cerca de 40 minutos, quando "GrimmRobe..." tem, na realidade, mais de uma hora. Ouvi e li também algumas queixas relativamente ao baixo volume de som (o que acho bastante plausível, já que, mesmo na linha da frente, este era bastante suportável), coisa facilmente resolvível, bastando para isso colocar o nosso corpo, tímpanos em particular (embora a reverberação nas restantes partes do nosso organismo também ajudasse muito à festa, possibilitando o chamado "ouvir sentindo"), bem pertinho do PA. Seja como for, antes assim do que como em Boris e Om no ano passado.
Terminado o momento alto do dia, era altura de dar uma espreitadela aos Throwing Muses. Espreitadela apenas, e lá do alto da escadaria-anfiteatro, porque a multidão que transbordava da envolvente ao palco Rockdelux mais não permitiu. Mas bastaram alguns instantes da voz cristalina de Kristin Hersh para abrir um sorriso de orelha-a-orelha na minha face. Como as coisas por ali estavam muito 'sardinha em lata' para o nosso gosto, resolvemos seguir em frente, rumo ao palco Pitchfork e aos The Mae Shi. Actuação espevitada e animada, de um mui curioso dance-punk, que ainda sacou uns belos pézinhos de dança da minha parte. Pecou apenas pelo som demasiado estridente.
Mais um que não vimos até ao final, optando antes por uma deslocação até ao palco ATP, onde os australianos The Drones tinham já dado início à sua prestação. Ao contrário do que o nome faz supor, os The Drones não são discípulos do drone (era demasiado óbvio...). São, isso sim, indie rock. E do bom, com alguns apontamentos noise, psicadélicos, ou mesmo folk. Bom, mas soube a pouco, uma vez que já tínhamos encontro marcado com o palco Ray-Ban, e com os Fucked Up. Sobre estes não me vou alongar muito, porque já aqui tinha escrito sobre a sua actuação na última edição Supersonic e, relativamente a esta, há muito pouco a acrescentar. Foi, mais uma vez, a puta da loucura. Uma verdadeira festa, que qualquer pessoa deveria presenciar, pelo menos uma vez na sua vida (os que leram o meu relato do Supersonic, sabem do que falo; os outros, poderão lê-lo aqui).
Regressados ao palco Pitchfork pela n-ésima vez, era altura de Dan Deacon e do seu Ensemble nos mostrarem o que valem. O último disco de Deacon, "Bromst", agradou-me sobremaneira, mas confesso que a sua actuação ao vivo poderia ter corrido melhor. Tudo porque a sua performance implica uma grande interactividade por parte do público, público esse que, nesta situação em particular, não estaria muito para aí virado. Ou porque não estava para entrar em joguinhos ou danças comunitárias, estando ali apenas para assitir a um concerto, ou porque, pura e simplesmente, era de compreensão mais lenta. Independentemente dos motivos, o facto é que a coisa saiu meio furada ao Deacon. Os longos e intermináveis minutos que ele passou a explicar, quase lutando contra moinhos de vento, aquilo que pretendia do público, fizeram com que desistissemos de esperar que eles tocassem mais alguma coisa, e zarpássemos para a próxima paragem.
Na rifa couberam-nos os Shellac, senhores que nos tinham deixado muitas e boas recordações. Esperávamos que eles replicassem a bela experiência de há um ano atrás e, de certa forma, foi o que tivemos. Apresentando um set muito idêntico ao do ano anterior, a banda pareceu estar ali apenas a cumprir calendário. Não sei se por sugestão ou se por já ser a segunda vez que os via ao vivo (faltando-lhe, por isso, a surpresa da primeira), a verdade é que me pareceu uma actuação sem chama, com Albini e companhia a debitarem as suas músicas pachorrenta e maquinalmente, como quem desfia um rosário. Aguardo uma terceira oportunidade para tirar as teimas.
Encontrava-se, assim, a noite quase finda. Tempo ainda para uma breve passagem pelo palco Ray-Ban, para um cheirinho de A Certain Ratio, numa prestação que, muito sinceramente, não aqueceu nem arrefeceu. E terminava aqui, de forma algo circunspecta, o nosso segundo dia de Parc del Fòrum.

Top 3 do dia:
1. Sunn 0))) (e não me arrependo nada de ter perdido Crystal Antlers!)
2. Art Brut
3. Bat for Lashes
(Os Fucked Up só não entram no top porque já os tinha visto ao vivo, e sou grande partidária do "dar lugar aos novos")

No próximo capítulo: Dia 30, o psych.

dig your own cave

Seja pelas constantes mutações, inversões e retroversões de estilo, seja pelos altos, baixos e tudo o que está no meio, seja ainda pela extraordinária capacidade de tão rápido lançarem um disco excepcional, como um perfeitamente banal, ou um apenas razoavelzinho, não haverá outra banda como os Cave In.
De banda preferida passam a gajos a quem me apetece dar um pontapé na cabeça, a ver se tomam juízo. Mas há que lhes admirar a garra e persistência. Talvez por isso eu lhes continue a dar a minha atenção, não só na esperança que eles regressem à boa forma (seja como space-rockers, como metalheads emperdenidos, ou como bem lhes aprouver. É-me indiferente como o fazem), mas, principalmente, porque qualquer novo disco dos Cave In é sempre uma surpresa. Uma incógnita. Pelos melhores ou piores motivos.

Se bem se recordam, os Cave In anunciaram recentemente o término de um hiato de três anos e meio, tendo voltado às lides discográficos à uns dias atrás, com o lançamento do EP "Planets of Old", EP esse que me fez recuperar a esperança num futuro radioso para a banda.
Por isso e por causa disso, aproveito para passar aqui revista à discografia (quase) completa da banda, numa viagem pontuada por subidas aos píncaros e descidas vertiginosas:

"Beyond Hypothermia" (1998, Hydra Head). O longa-duração de estreia, que não é mais do que uma compilação das primeiras gravações da banda. É o disco mais cru e primário da sua carreira. Metalcore bastante directo, sem grandes artifícios, floreados ou tecnicismos. Deveras interessante como documento da progressão da banda, mas, como obra isolada, está longe de ser extraordinário/revolucionário.
A ouvir: "Pivotal", "Flypaper", "Crossbearer", "Capsize" .

"Until Your Heart Stops" (1999, Hydra Head). Primeiro disco já com a formação emblemática (Stephen Brodsky, Adam McGrath, Caleb Scofield e JR Conners). A evolução desde os trabalhos patentes em "Beyond Hypothermia" é extraordinária (particularmente, a nível técnico), e a produção mais cuidada dá-lhe um brilho completamente diferente. Começa aqui a notar-se o gosto pela experimentação e a vontade de enveredar por caminhos mais arrojados, para além dos cânones tradicionais da música extrema, bem como o vincar de uma identidade muito própria. Continua a ser, quanto a mim, um dos melhores discos de metal de todos os tempos.
A ouvir: "Juggernaut" (sublime!), "Bottom Feeder", "The End of Our Rope Is a Noose", "Ebola".

"Creative Eclipses" (1999, Hydra Head). A minha versão do "Until Your Heart Stops" condensa este e o "Creative Eclipses" num disco único, mas não contém a "Sonata Brodsky", a última faixa do EP, muito provavelmente, por constrangimentos de duração - tinha-o gravado (completo) numa cassete, que actualmente não sei onde pára. "Creative Eclipses" é um marco histórico de transição estilística entre o barulho e a melodia, que fez a tacanhez engolir uns belos sapos (e.g. "Burning Down the Billboards" - que poderia ser Simon & Garfunkel no seu melhor - é uma autêntica pedrada no charco). Pela sua qualidade e pela forma extremamente elegante e conseguida com que essa transição é feita, ganha automaticamente o estatuto de obra-prima, mesmo tratando-se de um EP.
A ouvir: "Luminance" (a segunda mais bela canção de love & loss de sempre), "Burning Down the Billboards".

"Jupiter" (2000, Hydra Head). Este é 'O' disco da carreira dos Cave In. Se "Until Your Heart Stops" era a obra-prima por excelência da sua fase metalcore, este será a obra-prima por excelência da fase space-rock. Dá continuidade ao caminho trilhado em "Creative Eclipses" e é virtualmente irrepreensível, do início ao fim.
A ouvir: "Big Riff", "Innuendo and Out the Other", "Jupiter", "New Moon".

"Moons of Jupiter" (2001, The Magic Bullet). EP de reinterpretações de algumas das faixas de "Jupiter". Curiosamente, os quatro temas eleitos são os meus preferidos do supracitado "Jupiter". Ainda assim, estas reinterpretações - três das quais são versões ao piano (podiam perfeitamente integrar um dos discos a solo de Stephen Brodsky), sendo a outra uma remistura de "Jupiter", muito idêntica ao original - não acrescentam nada de novo. Não passa de uma curiosidade na discografia dos Cave In.
A ouvir: tudo, mas apenas por curiosidade ou completismo.

"Lost in the Air/Lift Off" (2002, Hydra Head). Por esta altura já se sabia que os Cave In tinham assinado pela RCA. Este "Lost in the Air" seria o primeiro single a ser retirado do disco de estreia na major, não augurando nada de bom. Tema medíocre, algo azeiteiro, que, a ser uma amostra fiel do resto do álbum, deixava muito a desejar - a versão patente neste single é algo diferente da final, mais polida (leia-se, mais 'árvore de natal'). "Lift Off" eleva a fasquia, mas não viria a fazer parte do alinhamento de "Antenna".
A ouvir: tudo. São só duas faixas, não custa muito.

"Tides of Tomorrow" (2002, Hydra Head). EP de despedida da Hydra Head, que recupera algum do brilho de glórias passadas, mas que, por outro lado, tem alguns momentos mais frouxos. Não é "Jupiter" nem "Antenna". Não é carne nem peixe. Não é bom nem mau. Apenas razoável.
A ouvir: "Dark Driving", "The Calypso", "The Callus".

"Antenna" (2003, RCA). É o disco do descalabro. O primeiro e último que a banda gravou pela RCA - por muito que digam que foi o que melhor vendeu da discografia dos Cave In, a breve incursão pelo mundo das majors não deve ter corrido nada bem. Não sendo necessariamente mau, é tão banal, azeiteiro e rockzinho de estádio, que chega a ser uma dor de alma ter que o ouvir. A espaços, faz lembrar um misto de Oasis e Incubus. O que nunca foi uma coisa boa. Apenas a guitarra-trademark de McGrath e a bateria de Conners conseguem, pontualmente, resgatar "Antenna" da mais profunda miséria.
A ouvir: com muito boa vontade, "Rubber and Glue", "Stained Silver", "Anchor", "Inspire".

"Perfect Pitch Black" (2005, Hydra Head). Se "Tides of Tomorrow" era o disco de despedida, "Perfect Pitch Black" marca o regresso à Hydra. Não sendo um regresso em grande forma, melhora um pouco relativamente ao álbum anterior. Ainda se notam aqui muitos tiques do "Antenna", mas nota-se também o desejo de cortar as amarras de um passado menos feliz. Os pouco mais de quatro minutos de "Trepanning" fazem-nos respirar de alívio e recuperar a esperança. Para além disso, há mais uns dois ou três pontos de interesse, mas nada de extraordinário. É um disco engraçadote, e pouco mais.
A ouvir: "Trepanning", "Off to Ruin", "Droned", "Screaming in Your Sleep".

"Planets of Old" (2009, Hydra Head). Após o lançamento de "Perfect Pitch Black", Conners vê-se forçado a abandonar os Cave In (recordo-me vagamente de ter lido na altura que ele teria partido um braço, ou uma perna, ou algo por aí), tendo Ben Koller, dos Converge, tomado o seu lugar. Depois disso, McGrath é noticiado como ex-guitarrista da banda. No culminar desta rota descendente, a banda anuncia oficialmente a cessação temporária de funções, em Novembro de 2006. Não sei se o interregno lhes terá feito bem, mas o facto é que regressam cheios de força com este "Planets of Old". Talvez ainda não seja Cave In no pleno domínio das suas capacidades, mas está quase lá. E sim, podemos dizê-lo, é um grande EP! Mais agressivo, mais back to the roots. Segundo Brodsky, em entrevista ao NoiseCreep, quase todos os temas são a cara de um dos elementos da banda: "Cayman Tongue" é Scofield chapado, "The Red Trail" é McGrath e "Air Escapes" é ele próprio, com uma pitada de Conners. Ainda assim, o resultado final é nada menos que coeso.
O mais extraordinário, para além de tudo isto, é que os Cave In fizeram-no, mais uma vez, sem repetir a fórmula. E isso, meus amigos, é insubstituível... É-me indiferente como eles o fazem, desde que o façam bem feito!
A ouvir: tudo.

mais um prego no caixão dessa arte da banha da cobra que é a remixagem

Admito. Não gosto de remixes. Regra geral, fujo delas como o diabo foge da cruz. Tenho várias razões para tal, que, para o efeito, não interessa aqui detalhar.
Dado este meu estado de espírito, foi com muitas reservas que acolhi a notícia que um tal de DJ Troublemaker (Josh Kouzomis, de seu nome verdadeiro) tinha remisturado o "Oblivion" dos Mastodon. Por outro lado, pensei eu, a faixa é tão boa, tão boa, que será virtualmente impossível estragá-la. Resolvi arriscar, dando-lhe o benefício da dúvida. O que acabou por se revelar um erro crasso.

Conhecem a expressão "assassinar uma música"? Pois bem, quem a congeminou com certeza teria esta remix em mente (embora a expressão tenha surgido muito antes do aparecimento da dita remix, mas vocês percebem a ideia...). Mais do que mau, o trabalho de Troublemaker sobre esta faixa é a merda mais mal amanhada que eu tive a infelicidade de ouvir nos últimos anos. Até mesmo para uma remix!

Se se estiverem a sentir algo masoquistas, ouçam-na aqui, riam-se a bandeiras despregadas e indignem-se. E para perceberem a verdadeira dimensão deste crime atroz, recordem o original aqui.

Se isto não era um tomate podre bem esfregado no trombil desse Troublemaker, então são sei que mais vos diga!

só para dizer que na f*** do c****** podem/podiam encontrar estes títulos a 3,99€

este planeta não é para velhos

Já rola aqui. E parece-me bastante bem.

f'esquinhos para o fim de semana

Assim bem ligeirinhos, como convém num fim de semana que se adivinha quente.


Tyondai Braxton - "Uffe's Woodshop" (bom, tecnicamente não é um vídeo, já que o 'boneco' não mexe...)


Julie Doiron - "Consolation Prize"


Malajube - "Luna"


Black Moth Super Rainbow - "Born on a Day the Sun Didn't Rise"

title tk #15

The Fiery Furnaces - "I'm Going Away" (21.07.2009, Thrill Jockey)
Tracklist:
1. "I'm Going Away"
2. "Drive to Dallas"
3. "The End Is Near"
4. "Charmaine Champagne"
5. "Cut the Cake"
6. "Even in the Rain"
7. "Staring at the Steeple"
8. "Ray Bouvier"
9. "Keep Me in the Dark"
10. "Lost at Sea"
11. "Cups and Punches"
12. "Take Me Round Again"
Download "The End Is Near"
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The Skygreen Leopards - "Gorgeous Johnny" (21.07.2009, Jagjaguwar)
Tracklist:
1. "Johnny's Theme"
2. "Margery"
3. "Dixie Cups in the Dead Grass"
4. "SGL's, et al"
5. "Can Go Back"
6. "Goodnight Anna"
7. "Jehova Will Never Come"
8. "Gorgeous Johnny"
9. "Inland Towns"
10. "Nine Car Train for Fremont"
11. "Robber's Lace"
12. "If Our Love Fails"
13. "Paid by the Hour"
Download "Dixie Cups in the Dead Grass"
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Cave In - "Planets of Old” EP (28.07.2009, Hydra Head)
Tracklist:
1. "Cayman Tongue"
2. "Retina Sees Rewind"
3. "The Redtrail"
4. "Air Escapes"
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The Dodos - "Time to Die" (28.07.2009/15.09.2009, Frenchkiss)
Tracklist:
1. "Small Deaths"
2. "Longform"
3. "Fables"
4. "The Strums"
5. "This Is a Business"
6. "Two Medicines"
7. "Troll Nacht"
8. "Acorn Factory"
9. "Time to Die"
Download "Fables"
Streaming
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YACHT - "See Mystery Lights” (28.07.2009, DFA)
Tracklist:
1. "Ring the Bell"
2. "The Afterlife"
3. "I'm in Love With a Ripper"
4. "It's Boring / You Can Live Anywhere You Want"
5. "Psychic City (Voodoo City)"
6. "Summer Song"
7. "We Have All We've Ever Wanted"
8. "Don't Fight the Darkness"
9. "I'm in Love With a Ripper (Party Mix)"
10. "Psychic City (Version)"
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GREYMACHINE - "Disconnected" (04.08.2009, Hydra Head)
Tracklist:
1. "Wolf At the Door"
2. "Vultures Descend"
3. "When Attention Just Ain't Enough"
4. "Wasted"
5. "We Are All Fucking Liars"
6. "Just Breathing"
7. "Sweatshop"
8. "Easy Pickings"
Download "Vultures Descend"
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Japandroids - "Post-Nothing" (04.08.2009, Polyvinyl)
Tracklist:
1. "The Boys Are Leaving Town"
2. "Young Hearts Spark Fire"
3. "Wet Hair"
4. "Rockers East Vancouver"
5. "Heart Sweats"
6. "Crazy/Forever"
7. "Sovereignty"
8. "I Quit Girls"
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Modest Mouse - "No One's First, And You're Next" (04.08.2009, Epic)
Tracklist:
1. "Satellite Skin"
2. "Guilty Cocker Spaniels"
3. "Autumn Beds"
4. "The Whale Song"
5. "Perpetual Motion Machine"
6. "History Sticks to Your Feet"
7. "King Rat"
8. "I've Got It All (Most)"
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Nurses - "Apple's Acre" (04.08.2009, Dead Oceans)
Tracklist:
1. "Technicolor"
2. "Mile After Mile"
3. "Caterpillar Playground"
4. "Manatarms"
5. "Apple's Acre"
6. "Bright Ideas"
7. "What Then"
8. "Winter"
9. "Lita"
10. "Orange Cymbals"
Download "Caterpillar Playground"
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Throw Me the Statue - "Creaturesque" (04.08.2009, Secretly Canadian)
Tracklist:
1. "Waving at the Shore"
2. "Pistols"
3. "Tag"
4. "Ancestors"
5. "Noises"
6. "Snowshoes"
7. "Dizzy From the Fall"
8. "Cannibal Rays"
9. "Hi-Fi Goon"
10. "Baby, You're Bored"
11. "Shade For a Shadow"
12. "The Outer Folds"
Download
"Ancestors"
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Bloody Panda - "Summon" (11.08.2009, Profound Lore)
Tracklist:
1. "Gold"
2. "Pusher"
3. "Saccades I"
4. "Saccades II"
5. "Miserere"
6. "Grey"
7. "Hashira"
Download "Miserere" (excerto)
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Burnt by the Sun - "Heart of Darkness" (18.08.2009, Relapse)
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Keelhaul - "Keelhaul's Triumphant Return to Obscurity" (18.08.2009, Hydra Head)
Tracklist:
1. "Pass the Lampshade"
2. "Glorious Car Activities"
3. "Everything's a Napkin"
4. "High Seas Viking Eulogy"
5. "THC for One"
6. "The Subtle Sound of an Empty Milkshake"
7. "El Matador"
8. "Kirby Wurm"
9. "Bandolero de Perros de Maiz"
10. "Waiting for the Moon to Speak"
11. "Brady's Lament"
12. "KFB"
Download "Pass the Lampshade"
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Mount Eerie - "Wind's Poem" (18.08.2009, P. W. Elverum & Sun)
Tracklist:
1. "Wind’s Dark Poem"
2. "Through The Trees"
3. "My Heart Is Not at Peace"
4. "The Hidden Stone"
5. "Wind Speaks"
6. "Summons"
7. "Mouth of Sky"
8. "Between Two Mysteries"
9. "Ancient Questions"
10. "(something)"
11. "Lost Wisdom pt. 2"
12. "Stone’s Ode"
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Arctic Monkeys - "Humbug" (25.08.2009, Domino)
Tracklist:
1. "My Propeller"
2. "Crying Lightning"
3. "Dangerous Animals"
4. "Secret Door"
5. "Potion Approaching"
6. "Fire and the Thud"
7. "Cornerstone"
8. "Dance Little Liar"
9. "Pretty Visitors"
10. "The Jeweller's Hands"
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BLK JKS - "After Robots" (08.09.2009, Secretly Canadian)
Tracklist:
1. "Molalatladi"
2. "Banna Ba Modimo"
3. "Standby"
4. "Lakeside"
5. "Taxidermy"
6. "Kwa Nqingetje"
7. "Skeleton"
8. "Cursor"
9. "Tselane"
Download "Molalatladi"
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Vivian Girls - "Everything Goes Wrong” (08.09.2009, In The Red)
Tracklist:
1. "Walking Alone at Night"
2. "I Have No Fun"
3. "Can't Get Over You"
4. "Desert"
5. "Tension"
6. "Survival"
7. "The End"
8. "When I'm Gone"
9. "Out for the Sun"
10. "I'm Not Asleep"
11. "Double Vision"
12. "You're My Guy"
13. "Before I Start to Cry"
Download "When I'm Gone"
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Times New Viking - "Born Again Revisited" (22.09.2009, Matador)
Download "No Time, No Hope"
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The Black Heart Procession - "Six" (06.10.2009, Temporary Residence)
Tracklist:
1. "When You Finish Me"
2. "Wasteland"
3. "Witching Stone"
4. "Rats"
5. "Heaven and Hell"
6. "Drugs"
7. "All My Steps"
8. "Forget My Heart"
9. "Liars Ink"
10. "Suicide"
11. "Back To The Underground"
12. "Last Chance"
13. "Iri Sulu"
Download "Rats"
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mais um disco do ano para 2009

Risil - "Non Meters Vol. 1" (23.07.2009, Important)

Chamam-se Risil. Que vem de resiliente, aquilo que se caracteriza ou é marcado pela resiliência (dizem eles). São uma banda de 1ooo elementos alternantes, com um núcleo de 13 (dizem eles). O lineup actual mete medo, de tão bom que é: Guillermo Scott Herren de Prefuse 73 (o mentor do projecto), Zach Hill dos Hella, Tyondai Braxton dos Battles, John McEntire dos Tortoise, Alejandra Deheza e Benjamin Curtis dos School of Seven Bells, e Eva Puyuelo Muns dos Savath & Savalas. Fala-se ainda em elementos de Sunn 0))) (Stephen O'Malley) e Pivot.
O resultado é tudo aquilo que podiam esperar e nada daquilo que estavam à espera. Perceberam alguma coisa?... Não? Ok. Ouçam-no aqui (com os cumprimentos do gunrunner).

não sei porquê, mas algo me diz que este fim de semana vai ser muito psych-proggy...

... Só reparei nisto depois de já ter o saquinho de pão da Flur na mão.
Vivam os discos baratos da Flur!... Viva o cartão de cliente da Flur, que ainda deu direito a um disco grátis!... Viva a Flur!!

Psychic Ills - "Mirror Eye" (2009, The Social Registry)

Omar Rodriguez Lopez - "Old Money" (2009, Rodriguez Lopez Productions/Stones Throw)

Pontiak - "Maker" (2009, Thrill Jockey)

Sir Richard Bishop - "The Freak of Araby" (2009, Drag City)

Oneida - "Rated O" (2009, Jagjaguwar/Brah)

enxurrada de concertos!

Kayo Dot + TBC @ Passos Manuel, Porto
24 Setembro, 22h (10€ compra antecipada ou 12€ no próprio dia)

Minsk + A Storm of Light @ TBC, Braga
14 Novembro

Minsk + A Storm of Light @ TBC, Lisboa
15 Novembro

Buried Inside + Tombs @ TBC, Lisboa
17 Novembro

Buried Inside + Tombs + Concealment @ Porto-Rio, Porto
18 Novembro

Obrigada Amplificasom!! Obrigada Lovers!! Obrigada Ritual Som!!... WOO-HOO!!!

(E algo para aguçar o apetite...)
Isis @ Portugal, algures no Outono...
... Será, finalmente, possível?!

vox populi, vox dei

O povo falou, e urna aqui ao lado não mente:

- 10% do povo escolheu o "Fixe! Gostei tanto do vídeo como da música." (obrigada, Daniel, pelo apoio incondicional. Embora tenha ficado sensibilizada, não era preciso!);
- Outros 10% optaram antes pelo "Porreiro, pá!" (agradecimento aqui ao Sr. Engenheiro-Técnico Sapo Socras, pelo seu voto);
- A maioria dos votantes, 40%, decidiu-se pelo "Mehhh... Nada de especial...";
- Mais 10% escolheram o "É mau. Tudo. Basicamente.";
- Finalmente, os 30% da massa popular restante votaram no "Que vómito!! Vou já a correr lavar olhos e ouvidos com lixívia por ter sido obrigado/a a ver e ouvir uma merda tão repugnante... E os traumas psicológicos que isto me irá causar quando crescer?!... Shame on you, Ms. Oaktree!" (desde já apresento aqui as minhas desculpas aos leitores que se enquadrem nesta categoria, pelos danos morais infligidos. Mas, por outro lado e como já deviam saber, isto não é um blogue para tenrinhos. Aqui falam-se línguas mortas e abordam-se temas tão controversos como o divino. E a metalada. Tudo coisas de durões, portanto.).

Assim, em termos absolutos, há um empate técnico entre a indiferença e o não aos These Are Powers e à sua canção/vídeo "Easy Answers". O que acaba por culminar num não aos These Are Powers, seguindo a velha lógica da batata que o que é indiferente, é porque não agrada.

O povo decidiu, está decidido.

já sabiam disto?

"Pygmy", de Chuck Palahniuk (2009, Jonathan Cape/Random House, 241 pp.)

Às vezes (raras), as visitas a um certo centro comercial da cultura ainda me conseguem proporcionar agradáveis surpresas. Foi o caso deste "Pygmy", o sucessor - pouco menos de um ano depois - de "Snuff", que fez as minhas delícias no passado Verão.
Nem eu fazia a mínima ideia que o deus Palahniuk tinha mais um na calha e, no entanto, aqui está ele. Em minhas mãos!

Desta feita, a história reza assim:

'Begins here first account of operative me, agent number 67 on arrival mid-western American airport greater _______ area. Flight ____. Date ______. Priority mission top success to complete. Code name. Operation Havoc.

Fellow operatives already pass immigrant control, through secure doors and to embrace own other host family people. Operative Tibor, agent 23; operative Magda, agent 36; operative Ling, agent 19. All violate United States secure port of entry having success. Each now embedded among middle-income corrupt American family, all other homes, other schools, and neighbours of same city. By not after next today, strategy of web of operatives to be established.'

Agent Number 67, nicknamed Pygmy for his diminutive size, arrives in the United States from his totalitarian homeland (a mash-up of North Korea, Cuba, Communist-era China, and Nazi-era Germany), as an 'exchange student' into the welcoming arms of his Simpsons-spinoff Midwestern host family. Host cow father (he works in the biological weapons complex outside of
town), chicken neck mother, pig dog brother, and the disconcertingly self-possessed cat sister introduce Pygmy into the rituals of postmodern American life, which he views with utter contempt. Along with his fellow operatives, all indoctrinated into the mindset of the totalitarian state, he is planning something big, something truly, truly awful, that will bring this big dumb country and its fat, dumb inhabitants to their knees.

Pygmy is a comedy. It is also Chuck Palahniuk's finest, most ambitious novel since Fight Club.




Mais um para devorar de um só trago.

como mandar 50€ para o galheiro em vídeo

Mastodon ao vivo no festival Optimus Alive! (09.07.2009):

"The Wolf Is Loose"


"The Czar" (excerto)

TV on the Radio ao vivo no festival Optimus Alive! (09.07.2009):

"The Wrong Way"


"Blues from Down Here"


"Red Dress"


"Staring at the Sun"

Klaxons ao vivo no festival Optimus Alive! (09.07.2009):

como mandar 50€ para o galheiro em 4 passos fáceis de seguir

1. Sair do trabalho mais cedo, aí por volta das 16h;
2. Apanhar o 58 no Príncipe Real, com destino ao Cais do Sodré;
3. Chegados ao destino, apanhar o comboio da linha de Cascais e sair em Algés;
4. Já em Algés, seguir em direcção às bilheteiras do Optimus Alive! e comprar um bilhete diário. E já está!

Agora, os motivos da desilusão/desagrado, também eles em quatro pontos:

1. Pode ser que eu ande mal habituada com esta coisa dos festivais estrangeiros (nos últimos 12 meses, aproximadamente, fui a três lá fora e a nenhum dos nossos), mas a verdade é que a chegada ao recinto do Alive! é verdadeiramente desoladora. Afinal, o que é aquilo?... Passeio Marítimo de Algés?... Ok, agora a sério. Digam antes baldio arraçado de misto de Feira Popular/Feira do Relógio, com três palquitos mal enjorcados à beira de uma aguinha salobra e já ninguém vos pode acusar de publicidade enganosa.

2. Mais uma vez, talvez devido a maus hábitos criados, mas se há coisa que me irrita profundamente são técnicos de som incompetentes e inteligências raras que se lembram de pôr um palco a céu aberto à beira rio. Vamos lá ver, alto não é, necessariamente, sinónimo de bom. Alto, estridente, distorcido, enrolado e, ainda por cima, com feedback a rodos, nunca (notem bem: NUNCA, em qualquer situação) será sinónimo de bom. Também eu consigo pôr todos os botõezinhos de um equalizador ou de uma mesa de mistura no máximo e não ando por aí a dizer que sou técnica de som nem, muito menos, a ser paga por isso.
Da mesma forma, por muito interessante que o efeito gone with the wind possa parecer em teoria, na prática a coisa não funciona assim tão bem. Diz que as tainhas apreciaram a metalada, o público é que já nem tanto - não que isso fizesse grande diferença para o grosso da fauna que por ali circulava, para a qual, deu-me ideia, que estar num estaleiro de obras ou a assistir a um concerto seria basicamente a mesma coisa.
Ora e quem sofre com isto, para além do público minimamente discernente? As bandas, pois está claro! Foi uma verdadeira dor de alma assistir a Mastodon e TV on the Radio nestas miseráveis condições.
Os primeiros, o som ia e vinha, ao sabor do vento. As vozes perdiam-se completamente, e a instrumentação por pouco que não ia pelo mesmo caminho. Já para não dizer que, mesmo após quatro ou cinco actuações cá, ainda não houve ninguém com a decência de lhes dar um concerto em condições mais condignas, a uma hora decente ou mesmo como headliners num concerto em nome próprio. Os Mastodon já mereciam isso!
Quanto aos segundos - mesmo apresentando um set fabuloso, em formato best-off, e num palco diferente, menos exposto aos elementos - também não conseguiram escapar à péssima qualidade de som. O que poderia ter sido 'O' concerto deste festival, perdeu-se completamente no meio de tanta estridência e falta de definição, resultando numa massa sonora informe que, se agradou, foi apenas pelo empenho e dedicação da banda que, não obstante tão adversas condições, se esforçou por dar um grande concerto. O vozeirão de Adebimpe e o falsetto de Kyp Malone (duas das coisas mais lindas deste mundo) eram perfeitamente indistintos e embotados. O mesmo se passou com a maioria dos restantes instrumentos (saxofone e cordas em particular) e com a componente electrónica. Uma pena!
Dos restantes pontos de interesse, durante o pouco que vimos dos Tiguana Bibles (muito pouco mesmo, meio tema para aí) fomos logo brindados com o belo do feedback. Safaram-se só mesmo os Klaxons, com uma boa prestação e condições sonoras à altura. Percorreram grande parte do excelente "Myths of the Near Future", apresentando ainda alguns novos e bem interessantes temas do tal disco, supostamente, 'demasiado experimental'. Posto isto, fechámos a loja, não fossem as coisas voltar a piorar. Nem nos demos ao trabalho de dar uma espreitadela àqueles senhores que já se deviam ter reformado à 15 anos, muito menos de aguardar pelos palermas dos Crystal Castles.

3. Umas quantas palavrinhas de desapontamento/indiferença: Lamb of God (fui à espera de algo completamente diferente, talvez porque nem me dei ao trabalho de fazer uma visita ao MySpace da banda. Saiu-me o vulgar de Lineu da música extrema. Boçalzito e preguiçoso), Machine Head (o que eu gostava de MH até altura do "The More Things Change...". Depois as coisas seguiram o seu rumo natural, as pessoas acabam por se afastar, umas evoluem, outras não... Eu sim, eles não), Slipknot (o quê?!... Ainda existem?!... Bolas, há modinhas do cu que teimam mesmo em não desaparecer!). Um lamento apenas: não ter visto Silversun Pickups.

4. Da próxima, apontem-me com uma seringa à cara e digam-me que me picam com a SIDA a menos que vos dê 50€, que sempre é mais honesto. Roubo é roubo, quer seja perpetrado por um pobre coitado dum carocho, que nem tem onde cair morto, ou pelo Sr. Covões e sua pandilha de porcos capitalistas. Mais rápido dou os 50€ ao carocho, do que à merda a que os gajos e gajas de EiN chamam festival de Verão. Nunca mais!... Aliás, se me virem tentada a ir a mais algum festival de Verão em Portugal, excepção feita ao Sudoeste no dia de Faith No More (algo me diz que ainda me vou arrepender amargamente de lá ir, mas enfim, FNM é FNM...), façam como os senhores do anúncio a uma certa e determinada marca de gelados, e batam-me!
Até à altura em que o PdC voltar a ter um cartaz de jeito, seguirei abstencionista!!

Evidências em vídeo já de seguida...

a pedido de várias famílias: o segredo, agora em filme!

(Foto de Lais Pereira, gentilmente roubada do Ponto Alternativo)

Ora aqui está ele, o concerto dos Secret Chiefs 3 no Santiago Alquimista em vídeo, for your viewing and listening pleasure.
Como já tinha mencionado algures, faltam os primeiro e quarto temas interpretados, de resto, está aqui o suminho todo, repartido por quatro .zips com três faixas cada. Enjoy!

https://rcpt.yousendit.com/712475318/938e10b78b18e4cfb5e2445a19ba2318

amanhã há...


E ainda...

Mas também...

Ou ainda estes...

E podíamos continuar nisto a noite inteira...

e, já agora, a videoactualidade


Eels - "In My Dreams"

videosaudade #3

Foi graças a estes senhores, e a este tema em particular, que eu comecei a apreciar as coisas boas do indie. Mesmo que o género, actualmente, me dê mais desilusões que alegrias, o regresso aos dois primeiros álbuns dos Eels faz-me sempre recuperar a esperança.


Eels - "Cancer for the Cure"

mnhn: 2 - aquário: 0

Que festão!! Verdadeira comunhão multi-cultural, multi-étnica e multi-etária. Foi lindo de se ver! (Quem não viu, não imagina o que perdeu, e agora também não vale a pena chorar sobre o leite derramado).
Os responsáveis por tão tremenda celebração: Konono Nº1, Guiné All-Stars e a ZdB, para além de tudo o resto, pelo belíssimo local escolhido (declaração de interesses: eu trabalho no MNHN). Estão todos de parabéns!

Já a segunda parte do evento que marcava o 15º aniversário da ZdB teria lugar, soubemos nós no final do concerto de Konono, no Aquário da galeria. Curioso é que esta mudança de ares tenha delimitado a separação entre o extraordinário e a mediania.
Não sei se devido ao cansaço, que entretanto se começava a instalar de mansinho, se a expectativas de algo completamente diferente (já repararam que, hoje em dia, se chama noise e/ou drone a qualquer coisa que salte de baixo dum calhau?), se à fasquia já estar demasiadamente alta, o facto é que as actuações de Pocahaunted e Sun Araw deixaram muito a desejar. Freakalhice folk da facção mais genérica, com aspirações pouco inspiradas a rock psicadélico, que não aqueceu nem arrefeceu.

Mas convido-vos a tirarem as vossas próprias conclusões (infelizmente, não terão ponto de comparação, uma vez que durante as actuações de Guiné All Stars e Konono Nº1 estava eu bem entretida a abanar a anca)...

Sun Araw ao vivo na ZdB (04.07.2009):




Pocahaunted ao vivo na ZdB (04.07.2009):


parabéns, zdb!

Ex-Models, Wolf Eyes, Noxagt, Yellow Swans, Comets on Fire, Lightning Bolt, Stellar Om Source, Sunset Rubdown, Nadja, These Arms Are Snakes, Russian Circles, No Age, Lucky Dragons, Trans Am, The Hospitals, The Usaisamonster, Sunburned Hand of the Man, Mouthus, Lobster, High Places, Zu, Za, A Silver Mt. Zion, Health, Enon, Jackie-O Motherfucker, Dragging an Ox Through Water, Six Organs of Admittance, Black Dice, Panda Bear, Animal Collective, Gate, Tigrala, Magik Markers, Grey Daturas, Bunnyranch, The Legendary Tiger Man, D3ö, If Lucy Fell, The Vicious Five, Linda Martini, Loosers, Gala Drop, Dead Combo, Last Days of April, Gang Gang Dance, Scout Niblett, Acid Mothers Temple, Boris, Growing, The Dirty Projectors, James Blackshaw, Tom Brosseau, Lydia Lunch, Caveira, The Black Halos, Numbers, Dinasty Handbag, Psychic Ills, Damo Suzuki, Fabulous Diamonds, Yacht, Frango, Calhau!, Aquaparque, U.S. Girls, Max Tundra, Coclea, Extra Golden, Michael Gira, Evangelista, Castanets, Jana Hunter, Mi & L'au, Stag Hare, White Hills, ALTO!, Black Bombaim, Matt Elliott, David Thomas Broughton, Negativland, Silver Apples, Bypass, Ölga, Osso, Tara Jane O'Neil, Tom Greenwood, Jonquil, The Sea and Cake, Bonnie 'Prince' Billy, Dorit Chrysler, Mono, Xiu Xiu, Destroyer, The Skaters, Colleen, Veados com Fome, Dopo, Pop Dell'Arte, Parkinsons, Fish & Sheep, Sir Richard Bishop, Vetiver, Hot Ship, Red Krayola, Carla Bozulich, Larkin Grimm, Charalambides, Jack Rose, Raccoo-oo-oon, Traumático Desmame, Norberto Lobo, Riding Pânico, Ideas for Muscles, dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Decapante, Poltergroom, MoHa!, Chris Corsano, Nalle, Damon & Naomi, Kevin Blechdom, The Ruby Suns, Kid Congo Powers...

Uns dias mais que outros, umas temporadas mais que outras, mas agora que olho para trás, retrospectivando toda a sua programação musical (ou, pelo menos, os últimos 8 anos, em que a acompanhei mais de perto), não há como não admitir que o balanço final é muito positivo. Como tal, resta-me apenas dizer: Obrigada, ZdB!

Vamos todos dar os parabéns à ZdB, hoje a partir das 19 horas, no Museu Nacional de História Natural?

notas musicais avulsas #23

Aqui vai mais uma edição daquela rubrica em que eu despacho uma série de notícias, à laia de enchimento de chouriço (preparem-se, porque hoje são mais que muitas).



E os (bons) concertos de Verão continuam. A mais recente confirmação estival são as meninas Telepathe, que actuam dia 18 de Julho na ZdB, pelas 23h (bilhetes a 8€, como é hábito), e no dia seguinte no Plano B, às 22h (o preço é o mesmo). As primeiras partes estarão a cargo, respectivamente, dos Aquaparque e dos Andamento.



Por falar nisso, parece que este é o Verão de todas as reuniões de bandas da minha 'infância'. Comecemos pelos Rorschach, que são, tão somente, os papás (ou será titios?) do hardcore new school, noisecore, metalcore, ou lá como lhe quiserem chamar. Aguardam-se as datas da inevitável reunion tour.



Passemos aos Sunny Day Real Estate - ahh, SDRE... O que eu chorei a ouvir o pink album... E o "How It Feels To Be Something On"... Adiante. Para além da reunion tour, cujas datas já estão confirmadas (só nos States, temos pena), está também programada a reedição dos dois primeiros álbuns da banda ("Diary" e "LP2" - sim, o pink album) pela Sub Pop. A muito boa notícia é que esta reunião (re-reunião, para ser exacta) irá contar com a formação original da banda, coisa que não aconteceu aquando da segunda encarnação dos SDRE.



Diz que disse, mas afinal não disse nada e fica tudo em águas de bacalhau. Conclusão: os At the Drive-In não se vão reunir. Mas pode ser que, no futuro, isso venha a acontecer. Mas não se vão reunir. Mas pode acontecer. E por aí adiante...

«Putting the record straight, front man Cedric said: ‘(The reunion rumours surfaced when) we took time to bury the hatchet with the other members. There had been a lot of shit talk, at least on my behalf, and I had stuff that I wanted to say. I wanted to be friends with the guys again.’ He continued: “(A reunion) couldn’t happen any time soon because we have so much Mars Volta material.” Elucidating further, guitarist Omar added: “We’re smart enough to never say never as you don’t know how life is going to happen. It’s like your first girlfriend, you learned amazing things together, but do you really want to open that can of worms?” Despite quashing ideas of a reunion (for now), Omar has nothing but fond memories for his At The Drive-In days: “The thing with At the Drive In was the excitement of the first time. Like the first girlfriend or sexual experience, you can never recreate that moment. (...)”» (in Gigwise)



E agora para algo completamente diferente. John Stanier, o semi-deus dos Battles, anunciou em entrevista à Forquilha que a banda irá iniciar as gravações para o sucessor de "Mirrored" no final do Verão, início de Outuno. Por sua vez, Tyondai Braxton, o simpático dos Battles, irá lançar um disco a solo, "Central Market", a 14 de Setembro pela Warp. Já o mete-nojo dos Battles, o Konopka, e o outro senhor que agora não se me recorda o nome não têm nada a dizer porque são parvos.



É mais um projecto a solo de um gajo de uma banda espetacular? Sim, é mais um projecto a solo de um gajo de uma banda espetacular! Deixo à vossa consideração: Kyp Malone, dos TV on the Radio, tem agora os Rain Machine. O disco de estreia sai no Outono pela Anti-, mas ainda não há MySpace para saciar a curiosidade.



Disco novo outonal também para os A Storm of Light. Intitula-se "Forgive Us Our Trespasses" e terá a chancela da Neurot. "Midnight", o primeiro docinho-amostra, já circula aqui.



Quem não se cansa do estúdio são os Narrows. Ainda nem há dois meses lançaram "New Distances" e já se preparam para lá voltar, para gravar três novos temas, com Matt Bayles a comandar as operações... O Sr. Verellen é que já começava a pensar numa reuniãozinha dos Botch, não?



Terminamos, como de costume, com os videozinhos. Desta vez temos os adoráveis Wildbirds & Peacedrums ("There Is No Light"), o 283º videoclipe retirado de "Offend Maggie" dos Deerhoof ("My Purple Past") e o puto que toda a gente adora odiar e os seus Wavves ("No Hope Kids").









O quê?! Queriam mais?!... Não há mais. Desculpem. Mas já que estou aqui e que parece que não me vou deitar, aproveito para dizer que o restante relato da última edição do Primavera Sound tarda, mas não falha. Não está esquecido. O tempo é que, infelizmente, não dá para tudo.

o segredo*

Budhi ao vivo no Santiago Alquimista (29.06.2009):


Secret Chiefs 3 ao vivo no Santiago Alquimista (29.06.2009):






Mais aqui, aqui e aqui.

*O título da posta é só um ardil para atrair os aficcionados dessa literatura da banha da cobra que dá pelo nome de "O Segredo". A ver se ocupam o seu tempo de forma mais útil. I.e., a ouvir música de jeito em vez de andarem para aí a ler palermices.
 

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