December 31, 2009

a última posta do ano

Serve para vos desejar a todos sem excepção (vá, com uma ou duas excepções) um grande, grande (enorme mesmo!) 2010. Que seja um ano de concretizações e desejos cumpridos para todos nós. E repleto de (boa) música, obviamente!

Até para o ano!

videotroféus - pt. 3: "cinema de animação"

No seguimento dos troféus anteriores, deixo-vos com alguns videoclipes que recorrem à 'bonecada' para transmitir a sua mensagem. Alguns mais fofinhos, outros mais sérios.
Segue na forma de singela homenagem ao queridíssimo Vasco Granja, que nos deixou este ano, e ao seu "Cinema de Animação", que, de forma tão indelével, marcou a minha infância.

Troféu Destruam os Homens, Não as Baleias!


Troféu O Que Eu Gosto de Plasticina!


Troféu Destruam os Caçadores, Não as Espécies Cinegéticas!


Troféu Vintage-Retro


Troféu Vintage-Kitsch

December 30, 2009

title tk #17

Alguns dos primeiros disquinhos para 2010...

Vampire Weekend - "Contra" (12.01.2010, XL)
Tracklist:
1. "Horchata"
2. "White Sky"
3. "Holiday"
4. "California English"
5. "Taxi Cab"
6. "Run"
7. "Cousins"
8. "Giving Up the Gun"
9. "Diplomat's Son"
10. "I Think Ur a Contra"
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Spoon - "Transference" (18.01.2010, Merge)
Tracklist:
1. "Before Destruction"
2. "Is Love Forever?"
3. "The Mystery Zone"
4. "Who Makes Your Money"
5. "Written in Reverse"
6. "I Saw the Light"
7. "Trouble Comes Running"
8. "Goodnight Laura"
9. "Out Go the Lights"
10. "Got Nuffin"
11. "Nobody Gets Me But You"
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Eels - "End Times" (19.01.2010, Vagrant)
Tracklist:
1. "The Beginning"
2. "Gone Man"
3. "In My Younger Days"
4. "Mansions of Los Feliz"
5. "A Line in the Dirt"
6. "End Times"
7. "Apple Trees"
8. "Paradise Blues"
9. "Nowadays"
10. "Unhinged"
11. "High and Lonesome"
12. "I Need a Mother"
13. "Little Bird"
14. "On My Feet"

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Scout Niblett - "The Calcination of Scout Niblett" (19.01.2010, Drag City)
Tracklist:
1. "Just Do It!"
2. "The Calcination of Scout Niblett"
3. "I.B.D."
4. "Bargin"
5. "Cherry Cheek Bomb"
6. "Kings"
7. "Lucy Lucifer"
8. "Duke of Anxiety"
9. "Ripe With Life"
10. "Strip Me Pluto"
11. "Meet and Greet"

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Fucked Up - "Couple Tracks: Singles 2002-2009" (26.01.2010, Matador)
Tracklist:
DISC ONE - THE HARD STUFF
1. "No Pasarán"
2. "Neat Parts (7" Version)"
3. "Generation (7" Version)"
4. "Ban Violins"
5. "Dangerous Fumes"
6. "Triumph Of Life (7" Version)"
7. "Fixed Race"
8. "Toronto FC"
9. "Black Hats"
10. "David Christmas"
11. "No Epiphany (Fast Version)"
12. "Crooked Head (Video Version)"
DISC TWO - THE FUN STUFF
1. "I Hate Summer"
2. "Teenage Problems"
3. "Carried Out To Sea"
4. "Looking Back"
5. "Anorak City"
6. "I Don't Want To Be Friends With You"
7. "Mustaa Lunta"
8. "Dream Come True"
9. "Magic Kingdom"
10. "Magic Word (Daytrotter Version)"
11. "Last Man Standing (Year Of The Dog Version)"
12. "He's So Frisky"
13. "David Comes To Life (Daytrotter Version)"
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Harvey Milk - "Harvey Milk (Bob Weston Sessions)" (reedição) (26.01.2010, Hydra Head)
Tracklist:
1. "Blueberry Dookie"
2. "Plastic Eggs"
3. "Merlin Is Magic"
4. "Dating Pressures"
5. "My Father's Life's Work"
6. "Probölkoc"
7. "Smile"
8. "Jim's Polish"
9. "F.S.T.P."
10. "Anthem"
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Los Campesinos! - "Romance Is Boring" (26.01/01.02.2010, Arts & Crafts/Wichita)
Tracklist:
1. "In Medias Res"
2. "There Are Listed Buildings"
3. "Romance Is Boring"
4. "We've Got Your Back (Documented Minor Emotional Breakdown #2)"
5. "Plan A"
6. "200-102"
7. "Straight In at 101"
8. "Who Fell Asleep In"
9. "I Warned You: Do Not Make an Enemy of Me"
10. "Heart Swells / 100-1"
11. "I Just Sighed. I Just Sighed, Just So You Know"
12. "A Heat Rash in the Shape of the Show Me State; or, Letters From Me to Charlotte"
13. "The Sea Is a Good Place to Think of the Future"
14. "This Is a Flag. There Is No Wind"
15. "Coda: A Burn Scar in the Shape of the Sooner State"
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Moonface - "Dreamland EP: marimba and shit-drums" (26.01.2010, Jagjaguwar)
Tracklist:
1. "Dreamland EP: marimba and shit-drums"
Site oficial

Lightspeed Champion - "Life Is Sweet! Nice to Meet You" (01.02.2010, Domino)
Tracklist:
1. "Dead Head Blues"
2. "Marlene"
3. "There's Nothing Underwater"
4. "Intermission"
5. "Faculty of Fears"
6. "The Big Guns of Highsmith"
7. "Romart"
8. "I Don't Want to Wake Up Alone"
9. "Madame Van Damme"
10. "Smooth Day (At the Library)"
11. "Intermission 2"
12. "Sweetheart"
13. "Etude Op.3 "Goodnight Michalek""
14. "Middle of the Dark"

15. "A Bridge and a Goodbye"
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Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra - "Kollaps Tradixionales" (08.02.2010, Constellation)
Tracklist:
1. "There Is A Light"
2. "I Built Myself A Metal Bird"
3. "I Fed My Metal Bird The Wings Of Other Metal Birds"
4. "Kollapz Tradixional (Thee Olde Dirty Flag)"
5. "Collapse Traditional (For Darling)"
6. "Kollaps Tradicional (Bury 3 Dynamos)"
7. "'Piphany Rambler"
Site oficial

Title Tracks - "It Was Easy" (09.02.2010, Ernest Jenning)
Tracklist:
1. "Every Little Bit Hurts"
2. "No, Girl"
3. "Black Bubblegum"
4. "Piles of Paper"
5. "Hello There"
6. "Tougher Than the Rest"
7. "Steady Love"
8. "It Was Easy"
9. "At Fifteen"
10. "Found Out"
11. "She Don't Care About Time"

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Yeasayer - "Odd Blood" (09.02.2010, Secretly Canadian)
Tracklist:
1. "The Children"
2. "Ambling Alp"
3. "Madder Red"
4. "I Remember"
5. "ONE"
6. "Love Me Girl"
7. "Rome"
8. "Strange Reunions"
9. "Mondegreen"
10. "Grizelda"
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Shearwater - "The Golden Archipelago" (15.02.2010, Matador)
Tracklist:
1. "Meridian"
2. "Black Eyes"
3. "Landscape at Speed"
4. "Hidden Lakes"
5. "Corridors"
6. "God Made Me"
7. "Runners of the Sun"
8. "Castaways"
9. "An Insular Life"
10. "Uniforms"
11. "Missing Islands"
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Eluvium - "Similes" (23.02.2010, Temporary Residence)
Tracklist:
1. "Leaves Eclipse the Light"
2. "The Motion Makes Me Last"
3. "In Culmination"
4. "Weird Creatures"
5. "Nightmare 5"
6. "Making Up Minds"
7. "Bending Dream"
8. "Cease to Know"
Site oficial

High on Fire - "Snakes for the Divine" (23.02.2010, E1)
Tracklist:
1. "Snakes for the Divine"
2. "Frost Hammer"
3. "Bastard Samurai"
4. "Ghost Neck"
5. "Fire, Flood & Plague"
6. "How Dark We Pray"
7. "Holy Flames of the Fire Spitter"
8. "Mystery of Helm"

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Wolf People - "Tidings" (23.02.2010, Jagjaguwar)
Tracklist:
1. "Season Pt. 1"
2. "Black Water"
3. "Interlude: Plains/Banjoe"
4. "Cotton Strands"
5. "Interlude: Circle/Viking/Colours"
6. "Storm Cloud"
7. "Interlude: Grandfather"
8. "Interlude: Scraps"
9. "October Fires"
10. "Interlude: Mercy Fragment"
11. "April"
12. "Untitled"
13. "Interlude: Cotton Fragment"
14. "Empty Heart"
15. "Season Pt. 2"

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Xiu Xiu - "Dear God, I Hate Myself" (23.02.2010, Kill Rock Stars)
Tracklist:
1. "Gray Death"
2. "Chocolate Makes You Happy"
3. "Apple for a Brain"
4. "House Sparrow"
5. "Hyunhye's Theme"
6. "Dear God, I Hate Myself"
7. "Secret Motel"
8. "Falkland Rd."
9. "The Fabrizio Palumbo Retaliation"
10. "Cumberland Gap"
11. "This Too Shall Pass Away (For Freddy)"
12. "Impossible Feeling"

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The Besnard Lakes - "The Besnard Lakes Are the Roaring Night" (08.03.2010, Jagjaguwar)
Tracklist:
1. "Like the Ocean, Like the Innocent Pt. 1: The Ocean"
2. "Like the Ocean, Like the Innocent Pt. 2: The Innocent"
3. "Chicago Train"
4. "Albatross"
5. "Glass Printer"
6. "Land of Living Skies Pt.1: The Land"
7. "Land of Living Skies Pt. 2: The Living Skies"
8. "And This Is What We Call Progress"
9. "Light Up the Night"
10. "The Lonely Moan"

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Liars - "Sisterworld" (08.03.2010, Mute)
Tracklist:
1. "Scissor"
2. "No Barrier Fun"
3. "Here Comes All The People"
4. "Drip"
5. "Scarecrows On A Killer Slant"
6. "I Still Can See An Outside World"
7. "Proud Evolution"
8. "Drop Dead"
9. "The Overachievers"
10. "Goodnight Everything"
11. "Too Much, Too Much"
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videotroféus - pt. 2: a fofice

Porque isto não é só devassidão, eis uma homenagem a todas as coisas cute&cuddly da vida...

"Troféu O Mais Fofinho do Ano"

Comentário: É tanta fofice junta, que não tem explicação!

"Troféu Embora Não Tão Fofinho como o Anterior, Também É Muito Fofinho"

Comentário: O Evolucionismo também pode ser fofinho!

"Troféu Embora Não Tão Fofinho como os Dois Anteriores, Também É Fofinho"

Comentário: Não há lista de fofice que fique completa sem a inclusão dos Fleet Foxes, os reis incontestados da fofice absoluta!

December 29, 2009

e o último disco que eu adquiri em 2009 foi...

... Este...


Jesu - "Opiate Sun" EP (2009, Caldo Verde)

... Bom, tecnicamente será este...


Pyramids with Nadja - "Pyramids with Nadja" (2009, Hydra Head)

... Mas uma vez que este último já foi pago e encomendado há quase duas semanas (embora só o vá receber amanhã), vencem os Jesu. Disputas à parte, ainda vêm ambos a tempo do fecho para balanço de 2009.

videotroféus - pt. 1: a pornochachada (parental advisory: this posta of pescade conténs scenes and situations of explícit nature)

Enquanto as 'listas dos melhores' aqui para o nAnha não chegam (confesso que este ano o dilema existencial/musical está a ser muito grande), gostaria de aproveitar esta ocasião para aparvalhar um pouco o ambiente, com estes galhardetes para os videoclipes de 2009 que, por um motivo ou outro, titilaram o meu nervo óptico e canal auditivo.
Grande parte dos ditos videoclipes (se não mesmo todos) já atravessou as ondas nAnhaianas. Faltava apenas granjear-lhes este mais que merecido destaque...

And the winners are:

Troféu "A Foda do Ano"

Comentário: Esta faixa transpira sexo por todos os poros. O videoclipe, um pequeno filmezinho gore que não mostra mais do que o estritamente necessário para causar o efeito pretendido, não deixa de ser bastante sugestivo. Não aconselhável aos mais impressionáveis. Ainda assim, quem ouvir esta música e não sentir um desejo súbito de mandar uma queca bem suada só pode ser uma ameba (ou qualquer outra forma de vida assexuada).

Troféu "Pornógrafos do Ano - categoria nu integral feminino e masculino"

Comentário: Podendo ser a única de "Odd Blood", esta faixa é muito, muito boa. O vídeo é uma sofisticação das habituais freakalhices dos Yeasayer.

Troféu "Pornógrafos do Ano - categoria nu integral feminino"

Comentário: A música é um assombro e o videoclipe está à altura.

December 27, 2009

votos que 2010 seja um ano pleno de sludge


Floor

Pior que a pandemia do H1N1, só mesmo a pandemia das reuniões de bandas. Se há umas extremamente nefastas, outras há que são acolhidas com grande júbilo. É o caso da reunião dos Floor (esse portento) que, para além de ser das primeiras anunciadas para 2010, promete muita coisa boa. Não só porque partilharam elementos com esses dois portentos que são os Torche e os já extintos Cavity (tendo, inclusivamente, sido os precursores daqueles primeiros), mas também porque já anda por aí uma pré-encomenda para uma luxuosíssima e limitadíssima box set que reune toda a discografia da banda. De preço muito pouco amigável, claro está...



Para além desta caixa, "Below & Beyond" de sua graça, haverão ainda os habituais concertos comemorativos da reunião. Por enquanto só nos US of A, claro está.

sinais do apocalipse #10

P: Qual a diferença entre a MTV2 e um balde a transbordar de merda-erda-erda?
R: Como canal de televisão, o balde de merda apresentaria uma programação de maior qualidade. E sem pretensões 'alternativas'.

December 24, 2009

a ms. oaktree e os seus açores, com a colaboração da inestimável natalie dee, desejam...


nataliedee.com

... A todos os leitores e amigos do nAnha um santo e feliz natal, recheado de coisas boas. Em particular de doce de grão, que nem uma azevia.
E para comemorar o verdadeiro espírito natalício (o do consumismo, portanto), temos para ofertar um pack de CDs promocionais, que teimam em não desopilar da minha estante, ao primeiro leitor que demonstrar o seu desejo de o receber aqui na caixa de comentários. Ho ho ho!!

December 23, 2009

«they are boring rich kids who can't play for ahit [sic] anyways...»

Teengirl Fantasy ao vivo na ZdB (19.12.2009):






Wavves ao vivo na ZdB (19.12.2009):

"So Bored"

(mais aqui, aqui, aqui e aqui)

A frase do título é do Jay Reatard, desbocado de serviço, e aplicava-se (e bem, sei-o agora) a Billy Hayes e Stephen Pope, ex-serviçais de Reatard e actuais serviçais de Nathan Williams (aka Wavves). Mas, para o efeito, gostaria de estendê-la também à criancinha mimada Nathan Williams, doravante designada apenas como Criancinha Mimada, ou CM.

Confesso que reflecti bastante se deveria ou não postar aqui algo acerca desta palhaçada (concerto não é de todo o termo adequado) a que a CM e os seus serviçais se prestaram na ZdB, no passado dia 19. Mas senti que devia uma palavra de apreço tanto à mãe de Nick Weiss como aos próprios Teengirl Fantasy, que não sendo bem a minha cup of tea, deram um banho de profissionalismo e saber estar em palco à CM e às outras duas criancinhas mimadas suas serviçais, doravante designadas apenas como Criancinhas Mimadas, ou CsMs. Por comparação e em retrospectiva, os Teengirl Fantasy foram uns verdadeiros Oneida ao vivo ou, quiçá, até mesmo uns Les Savy Fav.

Quanto à CM e aos seus Wavves, gostaria apenas de comentar que em Barcelona a coisa ainda teve alguma piada, como acto único e isolado de um indivíduo que não está de todo preparado para lidar com um palco e com o público que o acompanha. Aqui já não.
Não sei se a CM pretende capitalizar o burburinho gerado com esse célebre e tão propalado meltdown, perpetuando a sua reputação de bad boy of lo-fi, mas ao invés dum grito de revolta ou manifesto inconformado, a actuação na ZdB mais não foi do que uma tentativa patética e desesperada de chamar a atenção. Pueril, inconsequente, imbecil e sem ponta de graça (nem mesmo como comic relief se aproveita). Tudo isto agravado pela inaptidão demonstrada pela CM e pelas outras duas CsMs na interpretação dos seus instrumentos musicais, bem como pelos fraquíssimos dotes vocais da CM. E a quem não sabe tocar nem cantar, resta-lhe apenas fingir e/ou empatar. E fingir e empatar foi o que eles mais fizeram. Empataram, empataram, empataram, com as suas piadolas secas e infantilóides, parvoíces avulsas e paragens entre músicas absurdamente longas, que com certeza terão excedido, em termos de duração, a totalidade dos temas interpretados.
Não, não foi divertido, nem engraçado, nem refrescante, nem interessante, nem inconformista. Foi, isso sim, extremamente confrangedor. E 'sooooo boooooring'. Da próxima, vou mas é ao Sarau de Natal do colégio "Os Gordinhos", onde não só me divertirei mais, como assistirei à interpretação infinitamente mais proficiente de trechos musicais, por parte de crianças infinitamente menos mimadas.
Dito isto, resta-me apenas recomendar à CM - e, já agora, às outras duas CsMs que a acompanhavam - que volte para casa da mamã e para as gravações no seu quartinho, que em disco ainda vai conseguindo ter alguma piada.

December 22, 2009

como eu gosto quando isto acontece!


Eis o que sucede quando os serviços aduaneiros se imbuem no espiríto natalício. É a generosidade e o amor ao próximo na sua forma mais pura! E digo-o sem ponta de malícia nem qualquer sarcasmo. Graças a estes Papais Noeis em potência, com os seus grandes corações e as suas mãos largas, poderei usufruir de um Natal pleno de felicidade e alegria agora que sei que, muito breve, terei em minha companhia uma tão desejada caixinha de madeira, daquelas que só existem 150 em todo o universo, contendo a segunda melhor coisa que se fez este ano em termos de registos fonográficos... E, claro, tudo isto sem pagar taxas de alfândega.
É por isso que eu digo: um grande, grande Natal para vós, meus queridos funcionários alfandegários, e que este 2010 seja o ano em que todos os vossos sonhos e ambições se concretizem! Tudo de bom e bem-hajam!

diário das "listas dos melhores" pt. 6

Do melhor ao pior, passando pelo assim-assim. Ficamos pelo menos a saber que há alguém no mundo para quem estes discos ou canções foram os melhores de 2009. Há gostos para tudo.
Divirtam-se...

50 discos do ano, segundo a Wire:

Top 50 álbuns de 2009, segundo a Pitchfork
25 melhores álbuns de 2009, segundo a Paste
30 melhores álbuns de metal de 2009, segundo o Stereogum/Haunting the Chapel
50 melhores álbuns de 2009, segundo a Les Inrockuptibles
25 melhores álbuns e 25 melhores canções de 2009, segundo a Rolling Stone

December 19, 2009

hoje há...



Mas sem Zach Hill. E estar a sair de casa com este frio para NÃO IR VER o Zach Hill, não apetece mesmo nada...

something to write home about #34 - cartas para 2010

Blogue de música que se preze desata nesta altura a fazer a sua lista dos most anticipated whatever de 2010. Não querendo fugir à regra de ser do contra, não vou fazer nenhuma lista de tal ordem, mas antes falar um pouco acerca de algumas coisas que descobri recentemente (algumas novas, outras novas apenas para a minha pessoa) e que prometem bons discos para 2010, muitos dos quais a sair logo no início do ano.
Não me interessa se eles vão rebentar em 2010 (talvez até nem cumpram a promessa dos tais bons discos, mas algo me diz que não vamos chegar a esse extremo), muito menos se eles são material para hypes ou next big things. Gostei do que ouvi e, como tal, passo a outro e não ao mesmo (para quem se lembra do jogo). Segue por tópicos, para facilitar a leitura e condensar aquilo que, de outra forma, seria mais um dos meus longos sermões que (quase) ninguém lê.


Quem são? Wolf People.
O que é que fez "click"? Terem assinado pela Jagjaguwar.
Fui ouvir e... Trouxeram-me instantanemente à memória os Dungen, e a forma maravilhosa como deles tomei conhecimento, após meses e meses a adormecer de rádio ligado na Voxx (já em modo fantasma) esperando ter a sorte de acordar espontaneamente a meio da noite, no exacto momento em que "Panda" ou "Festival" estivessem a passar. Tive essa sorte por várias vezes, mas só depois de todos esses meses de enamoramento/desespero alguém me disse que tinha lido um artigo na Mojo sobre uma banda com potencial para ser os tais "nórdicos da Voxx".
A história não tem nada que ver com os Wolf People, apeteceu-me apenas recordá-la. A música sim.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Quem gosta de rockismos, psicadelismos ou progressismos como se faziam nos idos de 70 não tem motivos para não gostar. E aqui bato com o punho no peito num gesto de contrição e proclamo "mea culpa", pois só recentemente despertei para esse mundo maravilhoso, muito graças a estas novas bandas.
O disco sai... A 23 de Fevereiro. Intitula-se "Tidings".
Os downloads: "Village Strollin'", "October Fires". 
Os links: MySpace.


Quem são? Moonface (aka Spencer Krug a solo)
O que é que fez "click"? Spencer Krug!
Fui ouvir e... Spencer Krug can do no wrong.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Se as razões acima enunciadas não foram suficientes, fiquem desde já sabendo que considero um indivíduo desumano e cruel aquele que não aprecia o trabalho de Spencer Krug.
O disco sai... O vinil de "Dreamland EP: marimba and shit-drums" sai a 26 de Janeiro pela Jagjaguwar, mas podem já descarregá-lo legal e gratuitamente - ou mediante uma doação - no site do projecto (para além de um grande artista, é também uma jóia de pessoa, vejam só!).
Os downloads: Ver acima.
Os links: Site oficial.


Quem são? Gospel.
O que é que fez "click"? Serem adeptos praticantes do post-hardcore.
Fui ouvir e... "Como é que eu só conheci este gajos agora?!"
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Apesar de já existirem desde 2003 como Gospel, a banda separou-se em 2006 sem grandes justificações, tendo lançado apenas um único disco ("The Moon Is a Dead World", de 2005). Voltaram agora a reunir-se, já com material novo na manga e alguns concertos em agenda.
Têm argumentos para convencer mesmo o mais exigente apreciador de post-hardcore, facção tecnicista/de vanguarda.
O disco sai... Ainda não se sabe. Mas eles dizem que compuseram material suficiente para um novo álbum.
Os downloads: "Paper Tigon", "Yr Electric Surge Is Sweet".
Os links: MySpace, Muxtape.


Quem são? Family Band.
O que é que fez "click"? Haver ali pelo meio um guitarrista de uma banda da metalada (os Children, que não conhecia, mas também não me dizem grande coisa).
Fui ouvir e... Fez-me lembrar, a espaços, Lightning Dust. Não só pela sonoridade, mas também por serem um duo masculino-feminino.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): O conceito da banda é bonito, uma banda familiar, composta por um casal, Jonny Ollsin e Kim Krans, que vão tocando por aí com alguns amigos (um deles, curiosamente, é o ex-Yeasayer Luke Fasano), onde os quiserem, onde forem bem-vindos, em qualquer lugar. A sua música é igualmente bonita. E música bonita é uma coisa que muita falta faz nos dias que correm.
O disco sai... O longa-duração "Miller Path" está para breve, mas enquanto isso podem escutar o EP de estreia, gravado pela própria banda, aqui. Se gostarem e quiserem uma cópia física do EP como prenda de Natal, enviem-lhes um e-mail (instruções aqui).
Os downloads: "Fantasy", "Hatred".
Os links: Site oficial, blogue.
O vídeo:
 


Quem são? Title Tracks (aka John Davis a solo, com uma banda que o acompanha ao vivo).
O que é que fez "click"? John Davis ser um terço dos extintos Q and Not U.
Fui ouvir e... Todos aqueles que me conhecem, ou que conhecem este blogue desde os primórdios, sabem do amor que eu nutro pelos Q and Not U. Portanto, é perfeitamente natural que receba qualquer notícia do envolvimento de algum dos seus membros noutros projectos com grande expectativa. Se Ris Paul Ric de Cristopher Richards foi uma espécie de desilusão, o caso muda de figura com John Davis e os seus Title Tracks. Não sendo uma repetição do trabalho dos QaNU, Davis consegue aqui tecer belíssimas malhas de um excelso indie pop, na mesma linha de alguns dos nomes maiores do género. A saber: Weezer (era "Blue Album"/"Pinkerton"/"Green Album"), The Promise Ring, ou mesmo Fountains of Wayne nos seus momentos mais felizes e conseguidos.
Porque é que vocês também os devem ouvir, e gostar (ou não): Tal como a música bonita faz falta, também o bom indie pop a faz. Daquele sem pompa excessiva, nem subterfúgios, nem maneirismos exagerados. Daquele bem feito e que não precisa de toda a espécie de aditivos, corantes e milagres de pós-produção para mostrar que é bem feito. Daquele que podemos apreciar despreocupadamente, porque vale por si só.
Pessoalmente, se calhar faziam-me mais falta os Q and Not U. Mas já fico mais que satisfeita com um bom projecto indie pop.
O disco sai... A 9 de Fevereiro pela Ernest Jenning. Chama-se "It Was Easy".
Os downloads: "Every Little Bit Hurts".
Os links: MySpace, blogue.

December 17, 2009

aves raras

Dodos ao vivo no Santiago Alquimista (15.12.2009):

"Longform"


"Joe's Waltz"


"God?"


"Walking" + "Red and Purple"

December 16, 2009

olh'ó videoclipe f'esquinho! #5


Times New Viking - "Born Again Revisited"


Mariachi El Bronx - "Holy"


BLK JKS - "Molalatladi"

diário das "listas dos melhores" pt. 5

A partir deste momento vou deixar de fazer comentários depreciativos e/ou jocosos relativamente aos Animal Collective...

Top 100 faixas de 2009, segundo a Pitchfork

December 14, 2009

oh pá, isto não está a correr nada bem, mas afinal o problema não são os meus tímpanos...

O Stereogum também não é "all thumbs up". Ufa...!

o homem tigre e o dragão. mas sem o dragão. então é o homem tigre e as gajas. mas as gajas também não apareceram. ficou só o lendário homem tigre. afinal ele é uma one-man band!... ou será que não?... estou confusa...

The Legendary Tigerman ao vivo na F*** do C****** (13.12.2009):

"Hey, Sister Ray"


"These Boots Are Made for Walking"


"Light Me Up Twice"


"& Then Came the Pain"

primavera sound em converseta - pt. V


Dia 31, a despedida. Mais um ano, mais uma prova Primavera Sound cumprida. Desta feita, tivémos a felicidade de poder usufruir de alguns concertos extra-fórum e, como tal, a nossa edição do festival terminou um dia mais tarde do que a da maioria.
Como já vem sendo hábito, no dia após o encerramento do fórum aos festivaleiros, há a costumeira festa de comiat na Sala Apolo, que se estende à sua subterrânea La [2]. Devo dizer que aqui, e neste dia em particular, os pontos de interesse não eram muitos. Em concreto, era apenas um, mas mais que suficiente para nos fazer atravessar o Raval a meio da noite. Falo dos Duchess Says, a banda-sensação canadiana, numa altura em que o Canadá já não exporta bandas-sensação como antigamente.
Ora chegados à Apolo lá nos posicionámos na frente do palco, de onde assistimos a uma salutar e demente demonstração de "moog rock", como os próprios lhe chamam, que nos provou, se dúvidas restassem, porque é que eles são uma banda-sensação.
Annie-Claude, a vocalista, com a sua adorável pronúncia de franco-canadiana é, usando um eufemismo, um portento. A frontwoman por excelência. Os restantes elementos da banda acompanham-na bem, mas limitam-se a tecer o tapete sonoro que ela pisa. Falamos de Duchess Says ao vivo apenas quando falamos de Annie-Claude. A mulher de olhar tresloucado, imparável em palco, que ora está a interagir com o público, ora se encontra absorta nas suas danças robóticas. E é incrível a sua simpatia, e o seu à vontade e a empatia gerada com o público, que aceita de bom grado carregá-la em braços ou às cavalitas, participar na sua dança colectiva improvisada na plateia, ou mesmo ser aspergido pela sua cerveja. Ainda hoje o botão de zoom da minha fiel Olympus X-790 se ressente de uma dessas borrifadelas, mas tudo está perdoado. Porque a uma mulher que nos consegue proporcionar 45 minutos da mais pura diversão, que nos consegue rasgar um sorriso de satisfação e deleite de orelha a orelha, e mantê-lo lá durante três quartos de hora - como Annie-Claude consegue - tudo se perdoa.

Um balanço final. Se é verdade que não há duas Primaveras iguais, e que qualquer Primavera é uma boa Primavera, mais verdade ainda será que não há Primavera como a primeira.
Seja pela antecipação e excitação inerentes a qualquer primeira vez, seja por considerar que o cartaz do ano passado talvez fosse um pouco mais forte, a verdade é que a edição de 2008 do Primavera Sound teve em mim um maior impacto. A esta de 2009 faltou-lhe o factor surpresa, o que não deixa de ser perfeitamente natural. Faltou-lhe o banho de Mediterrâneo dos Man Man, o extâse que é ver uns Shellac pela primeira vez, a invasão do palco pela horda no final dos Holy Fuck, a satisfação absoluta que é ver os Menomena ao vivo, o PA quase a rebentar com os Boris, o delírio noise dos Fucked Up, a majestade de um Bon Iver ou de uns Okkervil River, o murro nos queixos que são os Health, o rock comme il faut dos Kinski, os Om apenas por serem os Om, a candura de WHY?, a crueza dos Pissed Jeans, a festa colectiva e concerto de uma vida que são os Les Savy Fav... Mas aqui estou a ser injusta, em 2009 também houve muita coisa boa, tão boa como qualquer outra de 2008: Oneida (grande, grande!), sunn 0))), Marnie Stern, Zu, Dälek, The Jesus Lizard, Dead Meadow, Jay Reatard, Jesu, Bat for Lashes, Liars, Lightning Bolt, Gang Gang Dance, Art Brut, Shearwater, Black Lips, Ponytail, Duchess Says, Magik Markers, Fucked Up, ou mesmo a birrinha cómica e estupidamente empolada do puto Wavves.
Mais alguns pontos positivos a reter desta edição do Primavera: a mudança do palco ao "fundo da escadaria" para um local bem mais cómodo e de fácil acesso e os concertos na Sala Apolo e no Parc Joan Miró (uma experiência que tencionamos repetir em edições futuras).
Pela negativa, realço apenas os preços de bebidas e alimentação no interior do recinto, cada vez mais exorbitantes.
All in all, foi, mais uma vez, uma experiência francamente boa. Sim, o saldo é novamente bastante positivo, mas outra coisa não seria de esperar. Afinal, bons cartazes fazem bons concertos.

Epílogo: Custou mas foi! Até daqui a seis meses...


Para aqueles que, tal como eu, andam meio perdidos no contínuo espaço-tempo, e uma vez que a função de pesquisa do nAnha padece da travadinha, fica aqui um apanhado deste report:
Imagens:
II
III
IV
V
Vídeos:
I
II
III
IV
V
Converseta:
I
II
III
IV
V (esta posta que tendes em vossas mãos)

December 13, 2009

o álbum que veio do coqueiro

 
Mais uma novidade para 2010. Os Archie Bronson Outfit (ABO), que têm andado muito caladinhos nos últimos quatro anos, irão quebrar o jejum de edições discográficas no próximo dia 1 de Março, com "Coconut", que terá o selo habitual da Domino.
Ao contrário de "Odd Blood", este novo disco dos ABO parece-me muito bem. Pelo menos, o teaser deixa água na boca. Hmm, coconut...

oh pá, isto não está a correr nada bem...


Yeasayer - "Odd Blood" (09.02.2010, Secretly Canadian)

O primeiro leak de um disco a sair em 2010 que ouço, e está a ser... uma desilusão. Ainda por cima, depois de "Ambling Alp", que era uma música tão boazinha e prometia tanta coisa...
Seja como for, acho que quem compõe e dá música e voz a um disco como "All Hour Cymbals" merece segundas e terceiras oportunidades. Neste caso, audições. Assim sendo, deixarei maturar em cascos de carvalho (obviamente), e só depois darei o meu veredicto final.

December 12, 2009

primavera sound em converseta - pt. IV

Dia 30, o psych. Mais de meio ano volvido sobre o término da edição de 2009 do Primavera Sound, e eis que finalmente me presto a terminar o relato de mais uma saga épica, no que ao Parc del Fòrum diz respeito, uma vez que ainda haveria uma prazenteira festa de despedida na Sala Apolo - mas isso será assunto para um outro, e último, capítulo desta epopeia.
Antes disso houve tempo ainda para uma estreia no Parc Joan Miró, onde decorrem alguns concertos de entrada livre integrados no Primavera Sound. A nossa missão consistia em presenciar ao vivo e a cores a uma das tão afamadas actuações dos Ponytail, já que não tínhamos tido oportunidade de os ver dois dias antes no fórum. Devo admitir que, neste caso, o hype é mais que justificado. A energia, jovialidade e boa disposição da vocalista Molly Siegel em particular (um pequeno duende saltitante, que aparenta ter qualquer coisa entre os 10 e os 13 anos), e dos restantes elementos da banda em geral são verdadeiramente contagiantes. E aquela sonoridade de cariz arty-esquizofrénico, aliada ao tempo quente e solarengo que se fazia sentir à hora de almoço, convidava à diversão despreocupada e ao movimento corporal espasmódico e descompassado. Um excelente aperitivo para abrir o apetite para os concertos da tarde. Refira-se ainda que este foi o nosso momento 'curtir a música com as estrelas' do festival, já que a Marniezinha também se encontrava lá pelo meio do público.
Posto isto, após dar uma volta pela zona de Montjuïc e reconfortar o estômago, as nossas duas personagens mitológicas preparam-se então para dar entrada no recinto do Monte Olimpo... Perdão, do fórum. O sol marcava as seis da tarde, mais coisa menos coisa, e o objectivo era o palco Pitchfork. Foi para aí que prontamente nos dirigimos, para assistir à prestação dos Shearwater. Se o ano passado tínhamos tido Okkervil River, este ano era a vez dos Shearwater, projecto de Will Sheff (actual Okkervil e ex-Shearwater) e de Jonathan Meiburg (actual Shearwater e ex-Okkervil) brilharem. E de que forma magnífica eles brilharam!, com as suas belíssimas melodias, ora delicadas, ora tempestuosas, capazes de suscitar em nós sentimentos profundos que nem sabíamos possuir, ou mesmo de comover os corações mais empedernidos. Um momento simultaneamente impressionante e compungente, e, sem dúvida, um fabuloso início de dia.
Mas, como é habitual nestas andanças, não pudemos ficar até ao final uma vez que estava na hora de zarpar rumo ao palco ATP para um dos concertos mais aguardados do dia: os Jesu. A coisa começou a meio-gás, mas foi melhorando à medida que Justin Broadrick e Diarmuid Dalton iam desfiando os seus temas, numa progressão crescentemente industrializada e monolítica, que acabou por me parecer bastante lógica e coerente. Por outro lado, se hora vespertina a que decorreu o concerto não ajudou à performance que Broadrick teria preparado, em minha modesta opinião, aquele quase-pôr-do-sol acabou por resultar numa experiência bastante agradável, apenas pouco habitual numa actuação de Jesu. Em suma, talvez não tenha sido o 'concerto ideal' da banda, mas certamente que não desiludiu.
De volta ao palco Pitchfork para uma visita de médico aos canadianos Plants & Animals. Indie rock com os olhos postos no passado, algumas influências folk e uma boa transposição para o palco, interessante q.b., ainda assim não o suficiente para nos prender a atenção durante muito tempo, já que o cansaço acumulado começava a fazer-se sentir, e pretendíamos ainda guardar uma réstia de energia para o grande momento do dia e, quiçá, desta edição do festival. E foi assim que fizémos algo que nunca julgámos possível durante um Primavera Sound: descansar, abancar na relva e esticar o corpinho na horizontal. Para o efeito escolhemos o suave declive relvado do fórum, com uma vista privilegiada sobre o mar e sobre o palco Estrella Damm. Foi daí que assistimos à prestação desse dinossáurio que dá pelo nome de Neil Young. Como nunca fui das maiores apreciadoras do trabalho de Young, acabei por me deixar dominar pelo sono e não retive qualquer memória significativa do concerto. No que à minha percepção diz respeito, estava tudo a acontecer muito longe (literal e figuradamente).
Posto isto, energias recobradas e era chegada a hora do tal momento alto: os Oneida. Tanto pela escassez das actuações da banda como pelo amor & dedicação que eu lhes devoto já há tantos anos, este concerto era, logo à partida, um acontecimento singular e virtualmente único. Mais ainda, porque, além de cumprirem expectativas, os Oneida excederam-nas como quem vai de Barcelona até Lisboa, com passagem por Sydney e Berlim, e ainda dando um saltinho a Kinshasa e um outro à estratosfera. Tudo à velocidade da luz. Sim, foi assim tão bom.
Não sei se quem os viu, conhecendo o trabalho da banda, estava a espera de um concerto "Secret Wars"/"The Wedding"/"Happy New Year" (fiquei com essa sensação após reparar nalguns semblantes desiludidos por entre o público), não apreciando particularmente o juggernaut psicadélico-experimental que é "Preteen Weaponry", "Rated O", ou mesmo "Each One Teach One". Quanto a mim, que tenho tendência a não dar grande importância à opinião de terceiros, em particular quando se tratam de desconhecidos, parece-me perfeitamente natural que, sendo "Preteen Weaponry" e "Rated O" os últimos trabalhos dos Oneida (agora aumentados e melhorados, com a adição de Barry London e Showtime), o caminho escolhido seja o trilhado nesses mesmos discos. E não só foi esse o rumo seguido, como também foi executado com mestria soberba, resultando num dos melhores concertos que os Oneida poderiam dar. O melhor concerto que qualquer banda poderia, ou gostaria, dar. Sim, foi assim tão bom.
Uma ceifeira-debulhadora bem oleada, um tanque de guerra que arrasta tudo à sua frente, um TGV a 300 quilómetros à hora, um Concorde que acaba de quebrar a barreira do som, assim são os Oneida ao vivo. E o meu querido Kid Millions, que deus o abençoe, imparável na bateria. Meia hora, contei-a eu, pounding the skins nonstop. E Hanoi Jane, a abrir a goela como se não houvesse amanhã. E tudo o resto. E mais ainda... Verdadeiramente assombroso! Sem dúvida, mais uma a juntar à lista de coisas a fazer antes de morrer. Sim, foi ASSIM tão bom!
Foi assim, extasiados e satisfeitos, que nos dirigimos ao palco ATP. Próxima paragem: Liars. Perante um anfiteatro a rebentar pelas costuras, lá nos resignámos a um assento mal amanhado na 'cadeia montanhosa' adjacente. Daí assistimos à prestação dos nossos mentirosos preferidos que, quanto a mim, possuem aquela rara qualidade, que partilham com o vinho do Porto: melhoram com a idade (sim, e também são inebriantes). Das várias vezes que os vi ao vivo, e já foram algumas, cada vez me soaram melhor. E o mais extraordinário é que, logo na primeira já me tinham soado muito bem. É obra! Ainda assim, não obstante o nosso agrado perante a actuação dos Liars, acabámos por nos render ao desconforto e fraca visibilidade do nosso assento e lá fomos nós, derrotados e desolados, rumo ao palco Estrella Damm. Pelo caminho, uma espreitadela a Deerhunter, que já actuavam no Rockdelux. Ou melhor, pensávamos nós que iríamos dar uma espreitadela a Bradford Cox e Cia., mas perante a realidade de mais uma plateia e repectivo anfiteatro cheios que nem sardinha em lata, nem sequer tentámos uma aproximação. Apenas alguns acordes ao longe e de passagem, e acho que ainda consegui vislumbrar o rosto de Cox projectado no grande-ecrã. Pronto, resumiu-se a isto a nossa experiência deerhunteriana no Primavera.
Mas dizia eu: Estrella Damm. O nosso objectivo era, novamente, a 'caminha' relvada de há umas horas atrás. Pretendíamos assistir à prestação dos Sonic Youth e assim o fizemos. Mesmo tendo sido acometida, embora em menor escala, pelo mesmo mal que me afectou durante o concerto de Neil Young (chama-se doença do sono congénita), ainda me encontrava na posse da maioria das minhas faculdades. Lamento dizer - e aqui os indefectíveis vão ter que me perdoar, mas já em Paredes de Coura tinha ficado com essa ligeira sensação, acabando a mesma por se acentuar no decorrer desta actuação no Primavera - mas os Sonic Youth, pelo menos ao vivo, já que em disco a estória parece ser algo diferente, limitam-se a 'cumprir calendário' e a debitar velhos e novos hits com a mecanização e automação típica de quem faz a mesma coisa há muitos anos, sem grande chama ou vivacidade. Claro que são exímios naquilo que fazem, mas começa a faltar-lhes algo. Trocando por miúdos, não satisfez o meu desejo de requinte. Continuo a achar que eles são capazes de melhor... Ou eram, pelo menos. Quando eram mais jovens e mais frescos.
Com algum amargo de boca, regressámos ao palco ATP, a ver se ainda apanhávamos alguma coisinha dos Gang Gang Dance. Infelizmente, já só conseguimos assistir aos últimos dois ou três temas interpretados, o que foi realmente uma pena. Do pouco a que assistimos, apercebemo-nos ser GGD no seu melhor, uma verdadeira celebração tribal e ritualista, com especial enfoque em "Saint Dymphna", um dos grandes discos de 2008. Lamentável mesmo é termos trocado isto por uns Sonic Youth morninhos e insossos... Serviu-nos de lição.
Tendo mais algum tempo livre para queimar, resolvemos dar um salto ao palco Ray-Ban Vice para espreitar os The Soft Pack (ex-The Muslims). Banda que se pode enquadrar num certo rock n' roll revivalista, não nos impressionou por aí além. Muita pose e muita afectação em palco, mas muito pouco conteúdo. Como é apanágio, aliás, de muitos dos praticantes deste ressurgimento.
Restava-nos assim fechar o dia com chave de ouro, o que aconteceu pela mão dos Black Lips. Não obstante a hora tardia (3h da manhã, mais coisa menos coisa) e o muito cansaço, a festa aparvalhada e debochada que é um concerto dos Black Lips convida à diversão de todos os presentes. E quem somos nós para contrariar. É até cair para o lado, que depois há um ano inteiro para recuperar!

Top 3 do dia:
1. Oneida
2. Jesu
3. Shearwater

No próximo, e último, capítulo: Dia 31, a despedida.

December 10, 2009

dillinger também roubou a mona lisa?


Eis uma amostrinha para "Option Paralysis", o novo dos Dillinger Escape Plan - e estreia em modo auto-edição colaborativa Party Smasher Inc./Season of Mist - que deverá ver a luz do dia lá para 23 de Março de 2010. Intitula-se "Farewell, Mona Lisa".

concerto do ano (e, já agora, da década dos '01s)


sunn 0))) + Eagle Twin @ LX Factory*
Lisboa
2 de Fevereiro

A ZdB promove, os caríssimos Amplificasons anunciaram a boa-nova, a confirmação foi dada pelo Ideologic e eu, que também tenho o meu quê de espetacularidade, gostaria de dar aqui o meu veredicto oficial: concerto do ano! Ainda nem 2010 começou e eu já sei, por antecipação ou dom divinatório, qual o concerto que o irá marcar de forma indelével. Ora se isto não é ser espetacular, então não sei o que será... Up yours, Pitchfork!!

*Aguarda-se confirmação

diário das "listas dos melhores" pt. 4

A febre continua. Algumas listas coerentes, outras nem por isso, uma delas chega a ser... idiota? E entretanto já se vão tirando algumas conclusões: os Animal Collective continuam a somar vitórias (ohh, que surpresa...) e os sunn 0))) são a nova banda sensação para... qualquer pessoa. Até parece mal não cantar loas a "Monoliths & Dimensions" nos dias que correm. Talvez devesse ficar contente pelo facto, mas na verdade apenas consigo ficar ligeiramente nauseada. Pelo mesmo exacto motivo que me deixa ligeiramente nauseada a unanimidade quanto aos Animal Collective.
Let's all jump on the bandwagon while it lasts! Mas com cuidadinho... Afinal, há um mundo muito vasto na 'música extrema' (chamemos-lhe assim) para além dos sunn 0))), que é bem capaz de surpreender aqueles que ainda não lhe dedicaram uns minutos da sua atenção.

150 maiores álbuns da década (150-101; 100-51; 50-1), segundo a Uncut
50 melhores álbuns da década, segundo a Paste
100 maiores álbuns de metal da década, segundo a Decibel
50 melhores álbuns internacionais, 20 melhores álbuns nacionais e 20 melhores concertos da década, segundo o Cotonete
10 melhores álbuns da década, segundo a Entertainment Weekly
100 melhores álbuns da década e 100 melhores canções da década, segundo a Rolling Stone
Canções de 2009, segundo o Gorilla vs. Bear
40 melhores álbuns de 2009 e 20 melhores canções de 2009, segundo a Spin
Top 75 álbuns de 2009 (75-51; 50-26; 25-1), segundo a Rock Sound (UK)
30 melhores álbuns internacionais e 10 melhores álbuns nacionais do ano, segundo o Cotonete
Top 30 discos 2009 e top 10 discos portugueses 2009, segundo o Bodyspace
50 melhores álbuns e 50 melhores faixas de 2009, segundo o NME
Top 10 álbuns de 2009, segundo a Time

December 7, 2009

clássicos modernos #14


Sepultura - "Chaos A.D." (1993, Roadrunner)

Ahh, o Sepultura!... Essa banda mítica da minha adolescência, que me mostrou um admirável novo mundo musical! O tempo que eu não passei a juntar moedinhas para comprar, religiosamente, uma long-sleeve da banda na 67, que em conjunto com uma outra de Dead Kennedys e um hoodie dos White Zombie compunham, à data, a minha pequena colecção de merchandise, o meu tesouro mais precioso.
Antes do gebo do Ross Robinson e do som polidinho do "Roots", antes de almas voadoras, conspirações entre irmãos e outras coisas, quanto a mim, sem grande interesse, houve este "Chaos A.D.", o álbum do boom, com os Sepultura no seu melhor, mais politizados do que muita gente gostaria de admitir. Um dos melhores discos trash de sempre, precisamente porque não se restringe ao trash e, no decorrer do processo, abre uma série de portas e janelas para muito do que se lhe seguiria. Umas coisas bastante más, outras tantas muito boas.

Adenda: Antes tinha ainda havido um "Arise", mas esse, infelizmente, sempre que o tentava comprar encontrava-o esgotado...

diário das "listas dos melhores" pt. 3

Se houvesse uma lista das melhores listas dos melhores, sem dúvida que os 30 melhores discos de 2009 para a Rock-a-Rolla figurariam no primeiro lugar. Ora vejam:

1. Zu - "Carboniferous"
2. sunn 0))) - "Monoliths & Dimensions"
3. Richard Youngs - "Under Stellar Stream"
4. Khanate - "Clean Hands Go Foul"
5. Celan - "Halo"
6. Converge - "Axe to Fall"
7. Cobalt - "Gin"
8. Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine - "Audacity of Hype"
9. El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez - "Cryptomnesia"
10. Part Chimp - "Thriller"

11. Sonic Youth - "The Eternal"
12. Secret Chiefs 3 - "Le Mani Destre Recise Degli Ultimi Uomini"
13. Pissed Jeans - "King of Jeans"
14. Kong - "Shake Magnet"
15. Slayer - "World Painted Blood"
16. Eagle Twin - "The Unkindness of Crows"
17. Gnaw - "This Face"
18. Baroness - "Blue Record"
19. The Flaming Lips - "Embryonic"
20. Dälek - "Gutter Tactics"

21. The Mars Volta - "Octahedron"
22. Pelican - "What We All Come to Need"
23. MadLove - "White with Foam"
24. Shrinebuilder - "Shrinebuilder"
25. Portal - "Swarth"
26. Them Crooked Vultures - "Them Crooked Vultures"
27. Bushman's Revenge - "You Lost Me at Hello"
28. Mountains - "Choral"
29. Minsk - "With Echoes in the Movement of Stone"
30. Keelhaul - "Triumphant Return to Obscurity"


E é assim, meus amigos, que se faz uma belíssima lista!

December 6, 2009

olh'ó videoclipe f'esquinho! #4


Gallows - "Misery"


Apse - "3.1"


Vampire Weekend - "Cousins"


Atlas Sound - "Quick Canal"


Polvo - "Right the Relation"


Sleepy Sun - "Red/Black"


Yeasayer - "Ambling Alp" (e um pequeno docinho interactivo aqui)


Lightspeed Champion - "Marlene"


The Dodos - "Longform"


WHY? - "These Hands / January Twenty Something"

diário das "listas dos melhores" pt. 2

Uma pequena anedota para quebrar o gelo:

Esposo (aka Mr. Ferreira): Já saíram as listas dos discos do ano da Mojo e da Uncut.
Esposa (aka Ms. Oaktree): Ah sim?
Esposo: Sim. Estive há pouco a vê-las e são ambas unânimes quanto ao primeiro classificado. Adivinha lá qual é?
Esposa: (resposta imediata) Animal Collective.
Esposo: Pois, não era preciso muito...

Isto só para concluir que a previsibilidade, a bajulação e o seguidismo são coisas terríveis. Pela mesma razão, por esta altura já toda a gente adivinhou qual o disco do ano para a Pitchfork... Não que eles fizessem qualquer segredo disso... Logo desde o início do ano...
Realmente é muito triste quando parece que anda toda a gente a afinar pelo mesmo diapasão.

50 melhores álbuns de 2009, segundo a Uncut
50 melhores álbuns de 2009, segundo a Mojo
Falando em Pitchfork... 40 melhores vídeos de música de 2009, segundo a Pitchfork
E agora para algo bem mais divertido... 20 piores capas de álbuns de 2009, segundo a Pitchfork

para o natal...

"Querido Pai Natal,

O meu pedido é singelo. Apenas tenho um desejo para este Natal. Cheira-me que este meu desejo vai dar para o carote, mas como também sei que a crise é coisa que não afecta a Painatalolândia e que se há multimilionário filantropo digno desse nome, esse multimilionário filantropo serás tu, a prenda que eu gostaria de ter no sapatinho este ano é a seguinte...













Tem a bondade de te dirigires aqui para proceder à aquisição, quando for altura disso.


                                                                                 Obrigadinhos, sim?

                                                                                 Desta sempre tua, Ms. Oaktree"

e por falar nisso...

É extraordinária a capacidade quase-divina da quase-omnipresença de alguns indivíduos. Um desses casos será certamente o do sempre prolífero e sempre talentoso Zach Hill, que não satisfeito com os 49 723 projectos em que se encontra, ou encontrou, envolvido encetou mais uma aventura musical, desta feita com a colaboração do homónimo Zachary Nelson dos Hexlove. O duo dá pelo nome de Chll Pll e a sonoridade corresponde ao que seria de esperar de algo saído da mente perturbarda e baquetes frenéticas de Hill. Para mais referências fonográficas, queiram consultar o MySpace do projecto, descarregar os temas "Dick Moves" e "Pass Out", ou ainda visualizar o vídeo para "Tales from the Crypt":



E por falar em Zach Hill, parece que o nosso estimado baterista partiu a mão e não poderá acompanhar, tal como programado, o rapaz Wavves na sua digressão europeia, na qual se inclui o concerto do próximo dia 19 na ZdB. Eis a declaração oficial:

«so last week in los angeles at wavves practice i somehow mangled/broke/exploded my left hand while playing drums. it was immediately apparent that my injury was a little serious. after stopping practice i was unable to make a fist and my lacerations wouldnt stop bleeding. i visited a clinic and found i had two small fractures. one to the knuckles and one on my pointer finger plus some tweaked ligaments (unable to grip). this isnt a first for me but unfortunately the timing of its forced me to NOT be joining nate on the upcoming european wavves tour. bummer! the entire wavves tour will still go down as scheduled with some friends filling in and backing nate. they're gonna handle it! hit up the shows! on the upside i should be straight in the hands within a few weeks and will be spending this period working on the new marnie stern album and finishing up my next solo release etc,etc,etc! PEACY P»

Refira-se ainda que os amigos de quem Hill fala são os dois ex de Jay Reatard, Billy Hayes e Stephen Pope, e que a primeira parte do concerto estará a cargo dos Teengirl Fantasy. Fica o posterzinho:



E por falar em concertos, também os The Fiery Furnaces se deslocarão aqui ao rectângulo para a sua estreia em terras lusas. Acontece a 26 de Fevereiro de 2010 no Santiago Alquimista, e os bilhetes custam uns exagerados 20€ (como já vem sendo hábito no Alquimista, aliás).

E por falar nos Fiery Furnaces e em vídeos, deixo-vos com "Even in the Rain", o segundo avanço para o mais recente álbum da banda, "I'm Going Away":