November 11, 2008

estes braços são cobras e desenham círculos russos

Russian Circles ao vivo na ZdB

"Station"


"Carpe"


"Death Rides a Horse"

These Arms Are Snakes ao vivo na ZdB

"Woolen Heirs"


"Red Line Season"


"Ethric Double" (excerto)

Dia 4 de Novembro de 2008. Dia que há-de ficar para a história por dois nobres motivos: o 30º aniversário desta que vos escreve e o monumental concerto de These Arms Are Snakes e Russian Circles na ZdB. E é este último que me traz hoje aqui.
Mais uma vez, e para não destoar do que se tem vindo a tornar um hábito, a casa estava cheia. Algo que se suspeitava que pudesse acontecer, dado os fortes motivos que nessa noite levaram umas boas dezenas em romaria expectante ao número 59 da Rua da Barroca.

As honras de abertura couberam aos Russian Circles, estreantes aqui no rectângulo. Com uma postura sóbria e reservada e um Brian Cook (o meu herói de tempos recentes) a ceder os seus préstimos no baixo, a banda deixou a música falar por si. E que diálogo fenomenal! Um pouco de "Enter" aqui, um pouco de "Station" ali, uma amálgama post-tudo e mais alguma coisa, com arroubos de trash (que levaram os presentes ao delírio headbanger), uma proficiência técnica excepcional (do baterista em particular), que, mais do que cumprir expectativas, largamente as superaram. Transcendental!

Seguiam-se os repetentes These Arms Are Snakes. Precisamente por isso, uma vez que já sabíamos a brutalidade que é um concerto dos TAAS, e com um álbum fabuloso como "Tail Swallower and Dove" em carteira, não se lhes admitia nada menos que uma actuação fora de série. E, mais uma vez nessa noite, não nos iríamos desiludir.
Convenha-se que os TAAS ao vivo são o circo de Steve Snere, o animal franzino e imparável, que acabou de ser libertado da sua jaula. Faminto, raivoso, insaciável. Feroz, até. A sua recém-encontrada liberdade, este novo espaço que lhe deram, não é suficiente para compensar todo o tempo de clausura. O palco não lhe é suficiente. Experimenta o topo das colunas, a plateia, o ar sobre as mãos do público, o chão sobre os pés deste, o tecto de ondem pendem os suportes das luzes e, ainda assim, nada o satisfaz.
Pouco importa se a voz saída das colunas é praticamente imperceptível, se os instrumentos mal se distinguem uns dos outros, se o som, a espaços, não é mais do que ruído contínuo. Isto é mais sangue, suor e vísceras do que música. Do que outra coisa qualquer. Isto é o ritual celebratório e primitivo de Snere. E é verdadeiramente arrebatador e inolvidável.