October 31, 2008

para ouvir em modo repeat durante o fim-de-semana


Abe Vigoda - "Skeleton"

será isto um prenúncio da morte dos blogues de música?

Aqui há uns tempos atrás, e até cheguei a comentar isso aqui no blogue, ouve uma posta que me desapareceu misteriosamente. Um dia estava publicada, no seguinte, pura e simplesmente, tinha desaparecido e não havia forma de a encontrar. Puf, magia. A posta em questão era o Title TK #7.
Ora, a situação pareceu-me muito estranha, uma vez que me recordava perfeitamente de não a ter apagado, quer fosse acidentalmente ou não. Mas na altura não fiz muito caso disso, e limitei-me a repor a posta desaparecida em combate (o que ainda me deu uma trabalheira considerável).

Isto tudo até ontem, quando leio a seguinte notícia no Drowned in Sound, da qual passo a reproduzir um excerto (recomendo vivamente a leitura da notícia na sua íntegra, comentários incluídos, aqui):

«Sad times are afoot. It always felt like it couldn't last forever: blogs posting up MP3s and sharing/giving away the music they love. The legal 'grey area' seems to have been bought into focus with this post from Berkeley Place Indie detailing how their posts have been made private by Wordpress and deleted by the Google owned Blogger/Blogspot. The crazy thing is, the guy in question was posting tracks that labels and PR companies were sending him to share with their blessing - and these posts have been taken down too. Rumblings suggest that this blogger is not alone, and that a whole host of posts are being taken down.

The blogger in question explains:

"A few weeks ago, I posted a collection of covers of songs from the 1980s. To my knowledge, only one of the artists featured in that post had a connection to the RIAA. That was Chris Cornell. But the song that I posted was a live recording, not commercially released. Nevertheless, the post mysteriously disappeared from my site. Over the next few weeks, this happened twice more. Blogger, my host, has been utterly silent on the issue."»

Convém aqui referir que o Title TK #7 continha para download o malfadado "Golden Age" dos TV on the Radio, que era praticamente impossível de manter nos sites de partilha de ficheiros, apesar de já estar a circular na internet há uma ou duas semanas e de se tratar de um único tema. Se bem me recordo, tive que fazer o upload três vezes no Mediafire (sim, sou teimosa), alterando ou apagando as informações da faixa, até eles finalmente desistirem de o mandar abaixo.

Eu nem gosto de estar sempre a bater na mesma tecla e a constatar verdades de La Palisse, mas, mais uma, vou ter que o fazer.
Nunca, como hoje, a internet em geral e os blogues em particular tiveram um papel tão importante no desenvolvimento da indústria musical. Quando aqui falo em desenvolvimento, refiro-me à 'publicidade' (frequentemente gratuita), ao passa-palavra, à mobilização dos indivíduos. Os hypes e outros fenómenos afins já não são gerados pelos meios de comunicação, especializados ou não, mas sim pelos blogues, MySpaces e outros. É claro que tudo isto pressupõe, à partida, a partilha de qualquer coisa, legal ou ilegalmente, que seja acessível a qualquer um à distância de um clique no computador. É isso que torna estes meios tão atractivos e tão bem-sucedidos, porque universalizaram e democratizaram a música, seja underground ou mainstream, levando-a a pessoas que, de outra forma, nunca a ela teriam acesso.
É assim que as pessoas no século XXI conhecem a sua música. É assim que elas irão, eventualmente, comprar os discos, ver os concertos, comprar o merchandise das bandas. É assim que se faz dinheiro, por muito pouco que ele possa ser. E quanto à ilegalidade dos downloads, para os que a condenam veementemente (e só para não usar o argumento de que a música é cultura e, como tal, deveria ser acessível a todos), apenas tenho a dizer, que ela existiu, existe e continuará a existir. Por muito que lutem contra ela, por muitos sistemas anti-pirataria que inventem, por muitos sites que mandem abaixo e por muitas pessoas que levem a tribunal, há-de haver sempre alguém com soluções criativas e generosas para contornar todas essas barreiras. O máximo que podem fazer é esperar, como eu e muitos outros 'criminosos' fazemos, que essas pessoas venham, mais tarde, a investir o seu dinheiro na música.

E se não estão satisfeitos, eis algumas soluções mais que batidas (e que também seriam muito úteis para minimizar o impacto nefasto que certas e determinadas editoras/lobbies têm sobre a música):

1. A contrário do que o Drowned In Sound sugere, e como muitos leitores apontam acertadamente, taxar a transferência de dados seria apenas estar a cobrir o sol com a peneira. Comecem por baixar o preço dos discos e, já agora, o IVA sobre os mesmos. Não é justo que os tubarões das editoras (majors em particular) se tornem multimilionários à custa do trabalho que nem sequer é deles. Para se tornarem multimilionários, juntem-se antes a um cartel de droga/ao tráfico de armas/ao tráfico de qualquer coisa e assumam-se de uma vez como os criminosos que sempre foram. Sempre é mais honesto.

2. De seguida, e continuando no mesmo espírito do ponto anterior, reduzam as percentagens de lucro das editoras (majors em particular, não me canso de frisar) sobre as vendas de discos e aumentem as dos artistas.

3. Para terminar em beleza, porque não implementar um sistema que beneficie apenas aqueles que realmente criaram a música, impedindo que todos esses CEOs, A&Rs, representativos, publicistas e toda essa canalha das majors não meta as patas imundas em cima desse dinheiro? Por exemplo, em vez de levar os piratas a tribunal, sugerir-lhes (leia-se, forçá-los a) ceder um contributo monetário aos artistas 'lesados'.
Vamos lá mas é começar a enviar os nossos donativos directamente aos músicos, em vez de andarmos para aí a levar pessoas para a cadeia!

Se mesmo assim continuam a não estar satisfeitos, convido-vos a minha casa, para uma visita à minha colecção de CDs e vinis originais. Até vos ofereço um cházinho de menta com tarteletes de limão e tudo. E já agora, tragam convosco a RIAA, a AFP, a SPA, a PJ, o SIS, a Interpol, o FBI, a CIA, a NSA, o MI6 e o diabo a sete, que serão todos muito bem vindos.

Nós é que fazemos a indústria musical, meus caros.

a não perder

“Be On Stage”, de Rui Luís @ Cineteatro Joaquim de Almeida, Montijo, 6 a 30 de Novembro de 2008

No dia 6 de Novembro vai inaugurar, pelas 18h30, mais uma edição do projecto fotográfico “Be On Stage” de Rui Luís, que irá estar patente até dia 30 desse mês no Cineteatro Joaquim de Almeida, no Montijo. Eis, de novo, a sinopse deste projecto:

“Be On Stage” - Projecto de exposição fotográfica

A base deste projecto de exposição fotográfica é explorar a conexão - íntima e indivisível - existente entre a imagem e o som, no seu estado bruto. Procuro focar este “estado”, quer pela fotografia de música, quer pela fotografia de concertos, cerne do meu portfólio fotográfico.

As fotografias seleccionadas para este trabalho são acompanhadas de reflexões pessoais, elaboradas pelos artistas fotografados, sobre o que é “estar em palco”. Aqui nasce o “Be On Stage”.

Futuramente, esperando que o “Be On Stage” cresça, a difícil selecção fotográfica será vencida e os “primeiros passos” deste recém-projecto serão dados para a merecida compilação fotográfica e escrita.

October 29, 2008

e ainda antes de terça-feira, no sábado será assim

olá... será que ouço de novo o grito do mastodonte?

E não é que ouço mesmo?! Chama-se "Crack the Skye" e sairá lá para o início do próximo ano pela Reprise. Eis a lista de faixas:

1. "Oblivion"
2. "Divinations"
3. "Quintessence"
4. "The Czar"
I. "Usurper"
II. "Escape"
III. "Martyr"
IV. "Spiral"

5. "Ghost of Karelia"
6. "Crack the Skye"
7. "The Last Baron"

October 27, 2008

uma situação puramente hipotética

Vamos supor que há uma pessoa, e que essa pessoa, como qualquer cidadão português, tem de tratar de uma série de burocracias necessárias ao normal decurso da sua vida profissional e não só. Digamos que essa pessoa tem que renovar o Bilhete de Identidade e resolver alguns assuntos na Segurança Social. Ora, como esta pessoa é uma criatura prática, a bem da celeridade com que serão resolvidas as suas pendências, resolve tratar de tudo num só local, e dirige-se, para esse efeito, a uma dessas maravilhosas invenções do estado português que dão pelo nome de Lojas do Cidadão. Digamos que essa pessoa se dirigiu à Loja do Cidadão das Laranjeiras.
Suponhamos que essa pessoa, no fundo, no fundo, é uma criatura ingénua e de boa índole, que acredita que conseguirá resolver todos os seus assuntos durante a manhã, o que lhe dará tempo para, no remanescente do dia, se dirigir ao seu local de trabalho, onde ainda poderá fazer algo realmente produtivo.

O cenário está montado, a pessoa dirige-se à tal Loja do Cidadão, apenas para verificar que, tanto para renovar o BI (agora chama-se Cartão do Cidadão e contém uma série de trapalhadas que o magnífico governo português resolveu reunir num único e prático cartãozinho), como para a Segurança Social, estão mais de 1oo outras pessoas à sua frente. A pessoa pensa que talvez seja prematuro começar já a desanimar.
Assim, munida de toda a paciência que conseguiu arrancar do mais fundo do seu ser, a pessoa prepara-se, estóicamente, para a espera. Esta pessoa, que nem sequer é funcionária pública, embora receba o seu salário de uma instituição pública, encontra-se neste momento inteiramente dependente de funcionários públicos, e da sua boa-vontade e competência (ou falta dela).
Para aliviar a espera, a pessoa resolve ir dar umas voltas para matar o tempo. Não sem antes enviar dois SMS (um por cada serviço para o qual tirou senha, a 0,60€ + IVA por SMS) para ser avisada quando for necessário dirigir-se à área de atendimento. Digamos que a pessoa, para se entreter, resolve ir comprar umas sabrinas e umas meias de mousse à outra ponta de Lisboa. Nisto se passa cerca de uma hora e 15 minutos. A pessoa resolve voltar à Loja do Cidadão. E ainda não há SMS de volta.
A espera continua. A pessoa come um lanchinho que trouxe de casa e contava comer no trabalho. Finalmente, o SMS chega, avisando que faltam 15 senhas para a sua, e cerca de duas horas após ter tirado a sua senha, a pessoa é atendida na Segurança Social.
Suponhamos que essa pessoa é bolseira de investigação e que, como boa cidadã, resolve fazer os seus descontinhos para a Segurança Social. Suponhamos ainda que na instituição que lhe paga o salário, lhe disseram que para usufruir do Seguro Social Voluntário bastava dirigir-se à Segurança Social e apresentar uma simples declaração que essa mesma instituição lhe tinha passado. Agora vamos supor que nessa Fundação as pessoas não sabem informar os seus bolseiros. Vamos supor que há um funcionário da Segurança Social que esclarece que para ter direito a esse seguro (que, afinal de contas, não é mais que um seguro que qualquer pessoa que não trabalhe mas queira usufruir dos benefícios da Segurança Social pode solicitar), a pessoa terá que, para além de preencher um requerimento, apresentar um atestado médico que comprove a sua robustez física a aptidão para exercer uma profissão. Apesar de não estar a trabalhar. Isto porque, perante o estado português e para todos os efeitos, um bolseiro não é um trabalhador. Nada de muito novo para esta nossa pessoa, que está perfeitamente consciente do desprezo e da falta de respeito a que os bolseiros são votados neste país. Ainda assim, a pessoa não consegue impedir um nózinho na garganta ao constatar o facto que esta sociedade desvaloriza e ridiculariza o seu trabalho, e o de tantos outros como ela.
No meio de todas estas constatações e desilusões, suponhamos que o funcionário, que até era deveras simpático, compadecendo-se da injustiça da situação profissional (que, para todos efeitos, não o é) desta pessoa, ainda tenta encetar uma conversa, trazendo à baila as eras glaciais, os dinossauros, os crocodilos e a fauna portuguesa. Ora a pessoa, que por esta altura já está ligeiramente irritada, não está com grande cabeça para paleios, muito menos que tenham minimamente que ver com o seu trabalho (que não o é).

E assim termina o primeiro acto desta epopeia hipotética, restando apenas a esta eventual pessoa a certeza que terá que voltar, e voltar a perder mais umas duas horas nos balcões da Segurança Social, para, enfim, poder resolver a sua situação.

Para o segundo acto, a pessoa volta a dirigir-se ao departamento do Cartão do Cidadão (essa fantástica invenção), para uma espera que se afigura ainda mais assustadora. Suponhamos que a taxa de atendimento é de cerca de 20 pessoas por hora. A pessoa começa a pensar que desanimar talvez não seja, de todo, uma má ideia. Mas espera. E espera... E espera.
A pessoa tenta ler um livro (digamos que está a ler o "Diary" do Chuck Palahniuk), mas não se consegue concentrar. A pessoa tenta encontrar posição na cadeira (suponhamos que as cadeiras são muito desconfortáveis), mas não consegue. A pessoa bebe água, a pessoa vai à casa-de-banho, a pessoa fuma cigarros (isto supondo que a pessoa cumpre as suas necessidades fisiológicas básicas e que fuma). A pessoa vai dar uma volta para matar mais algum tempo, a pessoa fuma mais uns cigarros, a pessoa vai apanhar ar à rua. A pessoa volta a sentar-se numa cadeira. E espera. E espera... E derrete a esperar.
A pessoa dá consigo a bendizer o velhinho e sempre fiável Bilhete de Identidade, que foi irreverssivelmente substituído por esta merdice pró-choque tecnológico do Cartão de Cidadão, que ninguém sabe muito bem como se usa nem como se faz. Tudo a bem do atraso de vida, claro está. A pessoa imagina como seria entrar por ali adentro com uma AK-47 debaixo do braço. Ou com uma granada de mão. Ou com um colete de explosivos. A pessoa pondera aderir a um qualquer movimento ou facção terrorista. E a pessoa desespera.
É então que um raio de luz irrompe este dia negro, na forma da cara-metade desta pessoa, que lhe traz o almoço (digamos que lhe trouxe uma salada com frango, massa, alface, tomate e milho) e muito amor e carinho. A pessoa, agora nutrida, amada e acarinhada, sente-se consolada e significativamente mais feliz. A pessoa volta a acreditar que tudo irá correr bem, principalmente porque já só faltam três números para a sua senha.
E eis senão quando, sete horas após ter entrado na Loja do Cidadão, a pessoa finalmente é atendida. Apenas para mais uma desilusão. Suponhamos que a pessoa tinha ido fazer fotografias tipo-passe no dia anterior (já a prever esta situação), tinha gasto dinheiro, mas que as fotografias até tinham ficado jeitosinhas. Suponhamos agora que essas fotografias não serviram para absolutamente nada, porque agora é tudo digitalizado, e a fotografia a constar do cartão é tirada por uma engenhoca que os senhores criativos do funcionalismo público baptizaram, muito adequadamente, de "Quiosque". Suponhamos que essa engenhoca possui uma pequena câmara digital que tira as fotografias mais horrendas de que há memória. E que a desta pessoa se assemelha não ao seu rosto, mas sim ao de um Neandertal. Só para terminar, vamos também supor que esta máquina tira impressões digitais, mede alturas e digitaliza assinaturas. Agora vamos imaginar que a digitalização da assinatura desta pessoa é de tal forma fiel, que ela própria não se sabe se a irá conseguir 'falsificar' quando for altura de assinar algum documento importante. "Mas pronto", pensa esta nossa pessoa, cuja carteira acabou de ser aliviada de 12€ , "já está, e que se foda o resto!".

Conclusão: E para terminar o dia beleza, vamos supor que a instituição responsável pelo pagamento do salário desta pessoa não anda a cumprir prazos. Digamos que o ordenado desta pessoa era suposto pingar a dia 26 que, va lá, tudo bem, nesse mês 26 calhou num Domingo. Mas agora, mais de um dia depois, segunda-feira já quase a virar para terça, a pessoa continua com a sua conta bancária praticamente a zeros e com uma série de despesas para pagar.

Epílogo: E agora vamos supor que já se faz tarde e que essa pessoa tem que se ir deitar, porque amanhã é um novo dia - de trabalho (que não o é) - e o de hoje é para esquecer!

October 26, 2008

os vídeos da hydra head pt. 1

Botch - "061502" (2006, Hydra Head) (DVD + CD)

«Botch is dead.». Assim começa a carta de despedida aos Botch de Brian Cook, que serve de introdução a este DVD, gravado no último concerto da banda no Showbox de Seattle, em 15 de Junho de 2002.
E afinal, quem são estes Botch? Digamos apenas que quem gosta de metal, hardcore, barulho, o que quer que seja e nunca deles tenha ouvido falar, é como se toda a sua vida tivesse vivido neste planeta e nunca tivesse visto o mar. Nunca se tivesse apaixonado. Nunca tivesse visto o nascer do sol.
Poucas bandas se poderão gabar de terem marcado de forma indelével o panorama musical, a própria história da música, influenciando e inspirando tanto os fãs como outros músicos. Os Botch são um desses raros casos.

Mais do que uma simples gravação de um concerto, este "061502" é um documento histórico a celebração de um mito futuro, de uma entidade quase-divina, cuja simples existência foi absolutamente necessária para o bem-estar dessa criatura viva em constante evolução e mutação que é a música. Mais do que mero som imagem, isto é a matéria de que as lendas são feitas.
14 faixas demolidoras que atravessam toda a breve discografia da banda, mais de uma hora que mostra o juguernauta avassalador que eram os Botch em toda a sua força (aqueles que elevaram a dissonância ao estatuto de arte), o gato Chauncey que usava um colar de pérolas, a versão do "Rock Lobster" dos B-52s, uma Epiphone Les Paul que teimava em não partir, o caos e a catarse final. Mais uma série de extras, que incluem comentários da banda a toda a actuação no Showbox (hilariante!), o vídeo para "St. Matthew Returns to the Womb" e mais cinco faixas gravadas ao vivo num concerto em Bellingham, em 2000. E ainda a versão áudio de todos os 14 temas em CD.

Talvez a qualidade da imagem, por vezes, não seja a melhor. Talvez a seccção de extras pudesse ser mais completa ou exaustiva. Talvez os Botch nunca devessem sequer ter acabado e este vídeo nunca devesse ter existido. Mas o facto é que ele existe, e que os Botch acabaram mesmo. E uma vez que as coisas são como são e não vale a pena acreditar piamente numa reunião, porque, provavelmente, ela nunca irá acontecer, resta-nos este DVD, que, mesmo com todas as suas falhas e lacunas, permanecerá na história como objecto de culto e devoção. Um mito e nada menos que um mito.

October 23, 2008

daqui a pouco...

Lá estarei, e de volta trarei as oferendas habituais.

esta é, oficialmente, a canção do ano



«And radio, radio
Why did you leave Virginia's side?
It's an alibi, we all know how the music died
Fire in the hole, fire in the hole, fire in the hole, fire in the hole»

October 22, 2008

música estupidamente cara, música grátis, uma maratona que deve ser boa para maluquinhos sem amor ao repouso e mais música grátis

Se há banda que eu possa considerar como verdadeira responsável pelo meu apreço pelo indie, bem como por todas as outras coisas mariquinhas da vida, essa banda será, certamente, os Eels (ou deverei dizer Mr. E.?, nunca sei...).
Como tal, foi com bastante júbilo que acolhi a notícia que os Eels/E. se preparam para reeditar - em versão aumentada, autografada, numerada, limitadíssima a 2500 cópias e com um packaging de luxo - "Blinking Lights and Other Revelations", o álbum duplo de 2005, já no próximo dia 28. O formato de eleição será o vinil heavy-weight (quádruplo, neste caso) que, para além das 33 faixas do já refereido "Blinking Lights...", irá ainda incluir um LP exclusivo gravado ao vivo com 17 temas, intitulado "Manchester 2005".
E agora vem aquela parte engraçada, em que o júbilo vai completamente ao ar, que é quando o indivíduo vê o preço da coisa: uns 'modestíssimos' US $205... Tudo bem que o pacote é muito agradável à vista e tal, mas $205?!? Haja pachorra para esta gente chupista que não sabe fazer outra coisa se não reeditar discos, juntar-lhes um mísero álbum ao vivo, chamar-lhes edições de luxo e pedir balúrdios por este refugo glorificado!
Mas como nem tudo são cardos, para comemorar o lançamento desta monstruosidade - e talvez como forma de atenuar o choque -, a banda lançou um EP digital com quatro faixas de "Manchester 2005", que poderá ser descarregado gratuitamente (yay!) aqui. Mas apressem-se, pois só têm até dia 28 para o fazer. Depois disso, só mesmo os $205 ou o Sordo.

Não sei se já terão ouvido falar numa tal de CMJ Music Marathon & Film Festival '08. Creiam-me, eu tenho tentado passar-lhe ao lado sem sucesso absolutamente nenhum. De há uma ou duas semanas para cá não há blogue de música norte-americano que não publique um mínimo de 53 postas diárias acerca do evento. Ele são antevisões, previsões, cancelamentos, confirmações e tudo o mais que os autores se lembrarem. O facto é que não há como escapar da loucura da maratona da CMJ.
Mas, to cut a long story short e, em particular, para todos aqueles que, admiravelmente, se têm conseguido manter incólumes a esta praga, apenas interessa saber que isto se trata de uma espécie de SXSW, a decorrer em Nova Iorque (já aqui tive oportunidade de dizer o que penso do conceito do SXSW e não fui nada abonatória). Mais importante ainda é saber que os simpáticos indivíduos da CMJ como que deram uma esmolinha aos pobrezinhos do outro lado do Atlântico (e não só), na forma de uma compilação digital com 10 faixas, também ela gratuita. Descarreguem-na aqui e informem-se melhor acerca desta brutalidade aqui (recomendo vivamente uma espreitadela à lista de artistas confirmados).

o que é, o que é??... adivinharam! mais um videoclipe dos deerhoof


Deerhoof - "Family of Others"

man, que cena vem a ser esta na webstore da hydra head?!

Ahahah... Impagável!

October 19, 2008

something to write home about #24

Nurses

Estes três enfermeiros de Portland, que já andam a dar banho aos doentes desde 2003, amigaram-se com os Maps & Atlases numa tournée. E como quem é amigo dos Maps & Atlases, meu amigo é (excepção feita aos Foals), tinha de lhes dar aqui uma palavrinha de apreço.
Adeptos da indie pop com um certo toque glam, onde o falsetto é palavra de ordem, cheira-me que ainda vamos ouvir falar muito destes Nurses. Portanto, ide. Ide e escutai, antes que o Pitchfork se aproprie deles.

MySpace

não sei se já tinha disto isto aqui...

... Mas o último disco dos The Faint, "Fasciinatiion", foi, para mim, uma grande desilusão.
Quer-me bem parecer que já não há grande esperança para o electro-qualquer-coisinha.

Ainda assim, a banda deslocar-se-á aqui ao rectângulo nos dias 4 e 5 de Dezembro para dois concertos. Um no Lux, em Lisboa, e outro no Cinema Batalha, no Porto, respectivamente.

Acho que 1 "Blank-Wave Arcade" + 1 "Danse Macabre" + 1 "Wet from Birth" mais que justificam uma idazinha ao Lux.

singles em revista

O single. Esse formato maneirinho que leva muito boa/má gente a conhecer muitos bons/maus músicos e bandas. Por vezes amado, outras odiado (a escolha dos temas single poderá sempre ser motivo de controvérsia ou disputa), não deixa de ser uma forma rápida e eficaz de novas e velhas bandas se darem a conhecer e assim se mostrarem ao mundo.
Ainda assim, e falando do suporte físico apenas, foi um formato que nunca me seduziu por aí além. Primeiro, porque a aquisição de singles neste país nunca foi economicamente vantajosa para o consumidor de música e, segundo, porque sempre preferi ter o produto por inteiro, e não uma ou duas faixas apenas. Mas devo admitir que desde que tenho o prato (sobretudo) e que comecei a ir ao estrangeiro com mais frequência (especialmente em Inglaterra, onde há uma verdadeira cultura do single e estes são realmente baratos), a minha paixão por este formato aumentou exponencialmente.
Estes que passo a escrutinar, alguns dos quais talvez não sejam singles per se, foram adquiridos entre Espanha, Inglaterra e Portugal, e o formato varia entre o vinil e o CD. Começando pelo vinil...

Black Kids - "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance with You" (2008, Almost Gold)
Black Kids - "Hurricane Jane" (2008, Almost Gold) (white vinyl/orange vinyl)


Quanto a mim, um dos temas mais fortes de "Partie Traumatic", o disco de estreia dos Black Kids, este "I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend..." teve a sua edição em vinil branco de 12", complementado com duas remisturas deste tema single, que, como qualquer remix manhosa que se preze, não são mais do que uma mixórdia electro-disco-execravelzinha feita a partir do original. Perfeitamente dispensáveis, portanto. Mas pelo preço que foi, também não me posso queixar muito.
Já com "Hurricane Jane" se compreendem algumas das comparações feitas entre Reggie Youngblood e Robert Smith (versão cheerful). Acabei por adquirir as duas versões do vinil, uma vez os lados-B são diferentes: "Power in the Blood" na a versão branca e "You Only Call Me When You're Crying" na laranja. Não sendo Black Kids no seu melhor, qualquer uma delas é infinitamente superior às remixes manhosas.

M. Ward - "To Go Home" (2007, 4AD)

M. Ward, cantautor de profissão e amante de todas as coisas alt.country, também conhecido por ser uma das metades do projecto She & Him, sendo que a outra metade é a actriz Zooey Deschanel, que muito me agradou no "The Hitchhiker's Guide to the Galaxy" e que, por sua vez, é irmã de uma outra acriz também da minha estima, Emily Deschanel (as coisas que eu sei. Tudo informação completamente inútil, mas enfim...). Dizia eu que M. Ward apresenta neste "To Go Home" (que, talvez mais apropriadamente, se trate de um EP e não de um single, uma vez que é um 7" duplo) quatro temas bastante interessantes, que não sendo extraordinários, ouvem-se bastante bem.

The Accidental - "I Can Hear Your Voice" (2008, Full Time Hobby)

E depois da country de facção alternativa, passamos à folk solarenga dos The Accidental. "I Can Hear Your Voice" é ideal para ouvir em fins-de-semana despreocupados (como é o caso) e o seu lado-B é uma remistura bastante agradável (não-manhosa portanto) feita por James Yuill, numa toada muito The Postal Service.

Late of the Pier - "Space and the Woods/Focker" (2008, Parlophone)

Cada vez tenho menos pachorra para essas ondas dancefloor friendly do nu-rave-rock-electro-coiso-e-tal... Aliás, é coisa que raramente - e cada vez menos - oiço. Mas abro uma excepção para os Late of the Pier. Sem mais qualquer tipo de justificação adicional, pura e simplesmente, agradam-me.

Black Mountain - "Stormy High" (2006, Suicide Squeeze).

"Stormy High"
é uma versão prévia do tema de abertura, e um dos meus favoritos, do último registo dos Black Mountain, "In the Future". Já "Voices", o lado-B, é uma canção bastante mais folky que o habitual para os Black Mountain, e que não é tanto do meu agrado.
Edição limitada a 2000 cópias, e uma delas está nas minhas mãos. Weeeee!!

Black Moth Super Rainbow - "Zodiac Girls" (2008, Suicide Squeeze)

Mais uma aposta ganha no campo das electrónicas alucinadas para a Suicide Squeeze. Este "Zodiac Girls" é apenas uma das várias razões para tal.

Rites of Spring - "All Through a Life" (1987, Dischord)

Banda seminal do emocore/post-hardcore, os Rites of Spring contavam nas suas fileiras com essas entidades místicas que dão pelos nomes de Guy Picciotto e Brendan Canty. "All Through a Life" - também ele, na realidade, um EP - é o último registo da curta discografia da banda, posteriormente reunida numa única colectânea, "End on End".
Um clássico e nada menos que um clássico.

Fucked Up - "Year of the Pig" (2008, Matador) (Japanese edition)

Este "Year of the Pig" é uma de três partes da reedição/reinterpretação do 12" original. Há ainda uma edição para os Estados Unidos e outra para o Reino Unido, sendo que todas contêm faixas diferentes. Nesta, o lado A é um edit de "YOTP" feito por Corona, e o B é uma cover de "For My Friends".
Os três vinis, bem como os dois temas do 12" original, foram ainda coligidos num único CD. Tudo com o selo da Matador.

Parts & Labor - Tour 7" (2008, Altin Village & Mine)

Como o próprio nome indica, este 7" foi criado propositadamente para ser vendido durante a última tournée da banda, embora ainda possa ser adquirido no site da editora. São duas faixas inéditas bem porreirinhas, gravadas ainda com o antigo baterista da banda, Chris Weingarten, num registo mais 'limpo' do que o habitual nos P&L. A primeira delas, "We Were Here (Wir Waren Hier)", conta ainda com a colaboração de Kurt Beals dos Pterodactyl na voz.

Passando aos CDs...

Scout Niblett - "Just Do It/Dinosaur Egg" (2007, Too Pure)

Mais um EP, desta feita pela mão da Ms. Scout Niblett. Três temas marcados pelo seu belíssimo registo despojado, com os típicos outbursts roqueiros.

Tegan and Sara - "The Con" (2007, Sire/Vapor)

Tema título para o último álbum das manas Quin, "The Con" cosumava rodar insistentemente no meu estéreo aqui há uns tempos atrás. Embora o impacto já não seja tão forte e actualmente o ouça com muito menos frequência, continua a ser uma grande canção.

XX Teens - "How to Reduce the Chances of Being a Terror Victim" (2008, Mute)

Devo confessar que a primeira impressão que tive dos XX Teens foi bastante superior a qualquer uma das posteriores. Este "How to Reduce..." é um exemplo disso. Um tema sem grande interesse, complementado com um lado B perfeitamente desnecessário, que mais não é do que uma versão a capella desse mesmo tema.

The Mae-Shi - "Run to Your Grave" (2008, Moshi Moshi)
The Mae-Shi - "Lamb & Lion" (2008, Moshi Moshi)


Dois singles para "HLLLYH", mais três lados-B. Não sendo formalmente muito semelhantes, comparo os The Mae-Shi a uns Man Man, mais pelo factor diversão/palhaçada.

Archie Bronson Outfit - "Dart for My Sweetheart" (2006, Domino)
The Pyramids - "Hunch Your Body, Love Somebody" (2007, Domino)

A "Dart for My Sweetheart" já aqui tinha dado o merecido destaque há uns tempos atrás (o single traz ainda dois lados B, "In the Shadow of Love" e "Fire Horse"). Grande tema para os não menos grandes Archie Bronson Outfit (ABO).
Já os The Pyramids (que não deverão ser confundidos com os Pyramids da Hydra Head) são dois terços dos ABO, e as semelhanças estão lá para quem as quiser descobrir. Este "Hunch Your Body..." podia perfeitamente ser uma faixa mais noise dos ABO.


Nota: Cliquem nos títulos para ver os vídeos.

October 15, 2008

parelha improvável

Ou talvez não...?

Fucked Up & Moby - "Blitzkrieg Bop" (Ramones cover, live in NYC)

October 14, 2008

sinais do apocalipse #6

Sabiam que Björk, Thom Yorke, Matthew Herbert, Brian Chippendale (baterista dos Lightning Bolt) e mais dois fulanos que eu não conheço de parte alguma (diz que são antigos colaboradores da Björk) colaboraram na concepção de um novo single, que dá pelo título de "Nattura", e cujos lucros revertem integralmente a favor da Náttúra, uma campanha ambientalista islandesa de onde o tema retira o seu nome?... O próximo passo será a criação de um single que tire a Islândia da bancarrota, não?

(O sinal do apocalipse aqui consiste no facto de um país nórdico se encontrar à beira da bancarrota... ?!?!?!?!?)

mar morto

Há quem lhes chame os pais do drone. Não posso dizer que concorde, mas, ainda assim, é sempre bom saber que os neozelandeses The Dead C, apesar de um percurso algo discreto que já leva 22 anos, continuam vivos e de boa saúde.
Após terem lançado um novo longa-duração, "Secret Earth", no dia 6 deste mês, os Dead C preparam-se agora para reeditar um EP e três dos seus álbuns mais emblemáticos: "DR503"/"The Sun Stabbed EP" e "Eusa Kills"/"Helen Said This", numa colaboração entre a Ba Da Bing! Records e a Jagjaguwar. A data de lançamento é o meu dia de aniversário. 4 de Novembro, portanto.

Nota: Atenção à subtil alusão, como que a sugerir uma possível prenda de anos. Como uma mensagem subliminar, que, insidiosamente, penetra nos recantos mais recônditos da vossa mente e vos induz a oferecerem-me um disco desta banda...

October 13, 2008

um desafio para desenjoar #3

Vamos lá ver se desta vez alguém arrisca a resposta. É uma capa de um disco.

sr. steve jobs, exijo um powerbook g4 com ecrã de 15" novo... e nada dessas merdas da intel!

E agora em inglês, para o caso do senhor não ter percebido:
Mr. Steve Jobs, I demand a new PowerBook G4 with a 15" screen... And none of that Intel crap!

Não é normal que, num computador que é suposto ter um período de vida de sei lá quanto anos, uma das slots de memória pura e simplesmente me tenha ardido... Embora explique muita coisa, cinco anos não são "sei lá quantos anos"!!
Não foi para isto que 'eu' paguei um balúrdio por ele!!

October 10, 2008

title tk #9

Japanther - "Tut Tut, Now Shake Ya Butt" (14.10.2008, Wäntage USA)
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Download "Bumpin' Rap Tapes", "The Dirge"


Religious Knives - "The Door" (14.10.2008, Ecstatic Peace!)
Tracklist:
1. "Downstairs"
2. "Basement Watch"
3. "On a Drive"
4. "The Storm"
5. "Major Score"
6. "Decisions Are Made"
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The Sea and Cake - "Car Alarm" (20.10.2008, Thrill Jockey)
Tracklist:
1. "Aerial"
2. "A Fuller Moon"
3. "On a Letter"
4. "CMS Sequence"
5. "Car Alarm"
6. "Weekend"
7. "New Schools"
8. "Window Sills"
9. "Down in the City"
10. "Pages"
11. "The Staircase"
12. "Mirrors"
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Sebastien Grainger & The Mountains - "Sebastien Grainger & The Mountains" (21.10.2008, Saddle Creek)
Tracklist:
1. "Love Can Be So Mean"
2. "Who Do We Care For?"
3. "By Cover of Night (Fire Fight)"
4. "I'm All Rage (Live '05)"
5. "I Hate My Friends"
6. "(Are There) Ways to Come Home?"
7. "Niagara"
8. "(I Am Like a) River"
9. "Love Is Not a Contest"
10. "American Names"
11. "Meet New Friends"
12. "Renegade Silence (featuring Rhythm Method)"
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Los Campesinos! - "We Are Beautiful, We Are Doomed" (27.10.2008, Wichita/Arts & Crafts)
Tracklist:
1. "Ways to Make It Through the Wall"
2. "Miserabilia"
3. "We Are Beautiful, We Are Doomed"
4. "Between an Erupting Earth and an Exploding Sky"
5. "You'll Need Those Fingers Crossing"
6. "It's Never That Easy Though, Is It? (Song for the Other Kurt)"
7. "The End of the Asterisk"
8. "Documented Minor Emotional Breakdown 1"
9. "Heart Swells/Pacific Daylight Time"
10. "All Your Kayfabe Friends"
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Iran - "Dissolver" (28.10.2008, Narnack)
Tracklist:
1. "I Can See the Future"
2. "Buddy"
3. "I Already Know You're Wrong"
4. "Airport '79"
5. "Baby, Let's Get High One More Time"
6. "Digital Clock and Phone"
7. "Where I'm Going"
8. "Cape Canaveral/Buddy Reprise"
9. "Can I Feel What"
10. "Evil Summer"
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Download "Buddy"


Wilderness - "(k)no(w)here" (03.11.2008, Jagjaguwar)
Tracklist:
1. "High Nero"
2. "Strand the Test of Time"
3. "(p)ablum"
4. "Silver Gene"
5. "Own Anything"
6. "Chinese Whisperers"
7. "Soft Cage"
8. "<....^....>"
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Download "Strand the Test of Time"

October 9, 2008

something to write home about #23

Wintersleep

Os canadianos Wintersleep formaram-se em 2002 e, actualmente, são constituídos por Paul Murphy (voz e guitarra), Tim D'eon (guitarra), Mike Bigelow (baixo), Jon Samuel (teclas e guitarra) e Loel Campbell (bateria). Praticam uma agradável indie pop que apresenta algumas afinidades com os seus compatriotas Broken Social Scene, e é ideal para mitigar os efeitos nefastos de um jejum integral que já vai em mais de quatro horas (uma ecografia abdominal assim o exige) e elevar os ânimos.

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Site oficial

October 8, 2008

notas musicais avulsas #13


Começando pelas novidades discográficas. A grandiosa Ms. Jarboe prepara-se para lançar um novo registo no dia 14 deste mês com o selo da The End Records. O bicho chamar-se-á "Mahakali" e poderão obter mais informações e amostrinhas aqui. E, se residirem nos States, poderão ainda ouvir o stream integral do álbum na puta fascizóide do Rhapsody.



Quem também se prepara para lançar um novo disco - um EP, para ser mais precisa - são os ...And You Will Know Us by the Trail of Dead. "Festival Thyme" é uma espécie de aperitivo ao novo longo-duração da banda (do qual já falei aqui) e será lançado em três formatos diferentes (vinil 10", digital e CD) com a chancela da Richter Scale/Justice (nos EUA, versões em vinil e digital) ou da Superball Music (para a Europa, versões digital e CD). O parto ocorrerá primeiro nos Estados Unidos, a dia 21 de Outubro.

Ainda sobre Trail of Dead, o fansite oficial da banda dá conta que a data de edição do já referido novo/futuro/provável/possível LP, que estava inicialmente prevista para Janeiro do ano que vem, foi adiada por tempo indeterminado devido à "forte concorrência". Eis a explicação de Conrad Keely:
«We're done recording, it's mixed, mastered, and ready to go, everything [with the record] is finalized except the title and the packaging. January is plenty of time for me to doodle out a few ball point pen sketches for the album artwork, but when we sat down and took a look at the release schedule for January, we realized we would be competing with several bands and artists who are more or less on par with us in terms of stature and popularity. In our present situation, what with the market as it is, everyone got together and agreed it would be better to step back, compose ourselves and do what's best for the record. We need to give it the best possible chance to succeed. We can't afford not to. Literally.»



Mais um EP. Os Minus the Bear editaram ontem "Acoustics", um curta-duração em formato digital (a edição física estará disponível na próxima tournée da banda) que contém sete temas. Nada de muito novo, uma vez que destes sete, seis são versões acústicas de faixas de álbuns anteriores e apenas "Guns & Ammo" é um inédito. Mas esse poderá ser descarregado aqui.



Por falar em Minus the Bear... Descobri recentemente o canalzinho de vídeo do site da Suicide Squeeze. Não tem muita coisa, mas tem uns dois ou três clipes de grande gabarito e que nem eu sequer fazia mínima ideia que existiam! Estes dois eram, respectivamente, "Knights" dos supracitados, e "Try 'Dis" dos Hella. Os restantes poderão ser visionados no site da Suicide Squeeze, na secção 'Media'.



Pois é! Definitivamente, a nova tendência para este Outono/Inverno na indústria musical é as bandas desunharem-se a lançar videoclipes. Eis "Chandelier Searchlight", mais um para "Offend Maggie" dos Deerhoof.



Para terminar, uma entrevista aos Parts & Labor do meu coração, com os cumprimentos do The Tripwire.
Boa noite e até amanhã.

October 7, 2008

fofice


Fleet Foxes - "He Doesn't Know Why"

Vêm-me à memória doces recordações das temporadas no Gerês... A malta a fugir dos Serra da Estrela e dos Castro Laboreiro... Os Serra da Estrela e os Castro Laboreiro com as suas coleiras de bicos a correrem atrás da malta... Ahh, o Gerês!...

October 6, 2008

nem de propósito!...

Falava eu dos Iran, quando hoje descubro, via Pitchfork, que Tunde Adebimpe (TVotR), Mike Patton (dispensa apresentações) e Adam 'Doseone' Drucker (Subtle, etc.) recentemente se juntaram para formar um novo projecto musical. Segundo Adebimpe, teremos mais novidades dos três magníficos lá para o final do ano.
Vamos lá ver o que sai daqui... Mas que tem tudo para dar certo, ai isso tem!

October 5, 2008

posters bem catitas para concertos ainda mais catitas

(courtesy of Amplificasom)

irão sem iraque

Iran

Agora que os TV on the Radio estão em rota descendente, talvez seja altura de olhar em volta e buscar novos projectos que, não sendo substitutos (nunca procurar substitutos do que quer que seja), permaneçam vitais e inovadores, permitindo manter o interesse nos TVotR (leia-se fé) bem como, e mais importante, na criatividade e talento dos seus membros.
É o caso destes Iran, que sendo 20% dos TVotR (na pessoa de Kyp Malone) - ou 40%, se considerarmos que o próximo álbum da banda, "Dissolver", está a ser produzido por David Sitek -, não são propriamente um sucedâneo destes últimos. O único ponto em comum aqui é mesmo a vontade de desbravar e explorar novos territórios.
Com uma predilecção particular pelo noise e uma sensibilidade pop bem demarcada, os Iran presenteiam-nos com um compêndio de referências dentro destes dois géneros embrulhado num belo laçarote de distorção, fuzz e psicadelismo que, longe de ser apenas mais um pastiche noise-pop ou noise-rock, acaba por resultar em algo bastante invulgar e interessante. Queiram ter a bondade de checar aqui e aqui (este último para o primeiro avanço de "Dissolver", "Buddy").

October 3, 2008

música para o fim-de-semana

Já me decidi. Recomendei a mim própria um fim-de-semana de repouso absoluto e vou cumpri-lo. Deitar cedo, levantar tarde, sentar-me na varanda ao sol a ler um livro ou a ouvir as minhas últimas aquisições musicais...

Secret Chiefs 3 - "Xaphan: Book of Angels Volume 9" (2008, Tzadik)

Jesse Sykes & The Sweet Hereafter - "Like, Love, Lust & The Open Halls of the Soul" (2007, Southern Lord)

KTL - "KTL" (2007, Aurora Borealis/Editions Mego)

Why? - "Alopecia" (2008, Tomlab)

Thee Oh Sees - "The Master's Bedroom Is Wort Spending a Night In" (2008, Tomlab)

... Vai ser um fim-de-semana e pêras!

October 2, 2008

prémio: o esquizóide do ano

sBACH - sBACH (2008, Suicide Squeeze)

Os inclassificáveis, musicalmente falando, fascinam-se. Há qualquer coisa de encantador, irresistível até, na imprevisibilidade, na demência, no atípico. Algo de extremamente viciante na loucura (des)controloda pregada por estes músicos. Algo que me deixa sem palavras e apenas com um sorriso rasgado no rosto.
Mesmo sendo redutoras em casos como este, as palavras da Insound são bastante precisas, e concerteza bem mais inteligíveis do que as minhas após a audição deste assombro:

«sBACH is Spencer Seim, (Hella, The Advantage). This record is a frenetic melange akin to the sights, sounds, and sugar rushes of an entire elementary school locked in a Chuck E. Cheese and having to subside on an all-you-can-eat buffet of Fun Dip and Pixie Stix. The animatronic, caffeinated band dishes out phosphorescent doom riffs while running amok with blips and bleeps. Kitschy, stoner rock with jazz rhythms and chicken scratch electronica.»

Download "Track 08"

October 1, 2008

o gajo recomenda, a gaja subscreve

Agora que o Dan se me emigrou para o outro lado do Atlântico, em busca do sonho canadiano durante 10 dias, aproveito a ocasião para dar aqui o devido destaque a duas das suas últimas recomendações musicais. A sua ausência será muito sentida deste lado do oceano...

Akimbo

Se não fosse o gajo, rapidamente teria descartado estes Akimbo como mais uma "banda pseudo-metal-emo-merda com nome de personagem de filme da Disney para puto americano ouvir".
Mas o meu preconceito, meramente gerado pelo nome meio apalermado, não poderia estar mais longe da verdade. Estes tipos são praticantes de uma sonoridade bem aguerrida sem qualquer tipo de conotação pseudo-o-que-quer-que-seja, que me traz à memória algumas cenas antigas da Hydra Head (notem que, na era da internet, 'antigo' é um termo muito relativo). Keelhaul, Harkonen, por aí.
Se estas referências não forem suficientes, fiquem também sabendo que o próximo disco da banda, intitulado "Jersey Shores", será editado a 28 deste mês pela Neurot.
Confiram aqui.

Deadbird

O nome é bastante mais adequado. Embora eu sempre tenha preferido um pássaro vivo a um morto, o facto é que estes Deadbird rapidamente me conquistaram. Para além de demonstrarem um gosto extremamente refinado ao recorrerem aos préstimos de John Baizley, que foi responsável pelo artwork do seu último álbum, "Twilight Ritual" (2008, At a Loss), são rapaziada do doom. E como, no que a mim me diz respeito, contra doom não há argumentos, doomem aqui.