no ninho dos açores

primavídeos #18, #19 e #20


Les Savy Fav - "Brace Yourself"


Young Marble Giants - "N.I.T.A."


Why? - "Song of the Sad Assassin"

Assim termino esta breve antevisão em vídeo do Primavera Sound com três nomes incontornáveis e imperdíveis. E termino porque, infelizmente, não há tempo para mais.
Deixem-se ficar por aí que eu vou só ali a Barcelona e já volto... Cheia de novidades 'primaveris' para partilhar!

primavídeos #15, #16 e #17


No Age - "Boy Void"


Deerhunter - "Strange Lights"


Atlas Sound - "My Car"

é já hoje, catano!!

primavídeos #14


Fuck Buttons - "Okay, Let's Talk About Magic"

desafio #2

Passemos então ao segundo e último desafio, que me foi proposto pela queridíssima Batukada, do grande Mood Swing (agora metalizado), e que consiste em enunciar as 12 palavras de que mais se gosta. Aqui vão as minhas, sem qualquer ordenação específica.

Foda-se: É o palavrão por excelência. Melhor que ele não há. Tanto pode ser usado de uma forma depreciativa ou reprobatória, como numa situação em que se pretenda manifestar agrado, contentamento ou felicidade. Pode perfeitamente usar-se na escola, no emprego ou em ocasiões de lazer, que cai sempre bem. Tanto dá para usar com a fatiota de gala como com jeans e t-shirt. Dá para o dia e para a noite. É do mais multifacetado e polivalentezinho que para aí anda. Mais, é auto-suficiente! Basta usar um "foda-se!" isolado em qualquer ocasião, que logo uma plateia de ouvintes maravilhados nos cai aos pés!

Cavalgadura: Herdei-a da minha mãe, é uma espécie de tradição familiar. Geralmente não ofende, porque a maioria das pessoas a quem ela é dirigida desconhece o seu significado.

Miríade: Uma das minhas preferidas de sempre, embora já não a use tanto como dantes. Felizmente, transmiti-a ao Dan, que a usa frequentemente nas suas rotinas diárias, impedindo assim que esta magnífica palavra caia no esquecimento

Manigância(s): Mais uma herança familiar. É uma palavra muito, muito engrançada. Mais uma, também, cujo uso corrente consegui transmitir ao Dan, perpetuando assim a riqueza desta língua que é a nossa. A minha missão na Terra está cumprida.

Probóscide ou Probóscis: Foi o primeiro termo técnico que ouvi durante o meu percurso académico. Só meses depois vim a saber do que se tratava. Amo esta palavrinha do fundo do meu coração!

Mescambilhas: Palavra linda! Não tem explicação. É tão estúpida, tão estúpida, que só podia ser linda!

Fomite(s): Foi o último termo técnico que aprendi. A fonética é ridícula e, por isso mesmo, extremamente cómica.

Cocó/Cagalhão/Caca/Cagar: Quarteto inseparável, do melhor que a nossa língua tem. Estas três palavrinhas (que no fundo são uma e uma só) têm tudo: simplicidade, graça, inocência, elegância, sofisticação, finesse, panache... Enfim, tudinho! (O que é que Freud não diria disto...)

Bom: Adoro! Especialmente quando é dita pelo Prof. Marcelo.

Epifania: Gosto muito de dizer que tive uma epifania, tal como gosto de dizer...

Catarse: ... Que tal ou tal experiência foi "verdadeiramente catártica".

Misantropo: Mais uma a armar ao pingarelho. Hoje, por exemplo, é daqueles dias em que me sinto um bocadinho misantrópica...

... E, como tal, não vou transmitir nenhum destes desafios-cadeia a ninguém. Mas se tiverem muita (mesmo muita!) vontade de perpetuar alguma destas cadeias, digam que vão da minha parte, que vão bem.

desafio #1

Já há algum tempo que estou em dívida para com dois companheiros de lides bloguistas, e como não gosto de deixar pendências antes de partir em viagem, aproveito este momento de choco proporcionado pelo Rhinovírus, inimigo de longa data que insiste em atacar nas vésperas das partidas para destinos mais ou menos longínquos, para pôr os meus assuntos em dia.

Assim, o primeiro desafio da noite, e também o mais recente, foi-me feito pelo estimado Magoonífico, do Magoonífico Blog, e consiste em "escolher um disco, um livro e um filme, cada escolha com uma versão nacional e estrangeira".
Devo admitir que foi difícil, mas estas foram as opções que imediatamente me vieram à memória. Refira-se ainda que, como criatura extremamente volúvel que sou, estas escolhas são fruto do momento, mas, ainda assim, bastante intemporais.

Discos
José Afonso - "Cantigas do Maio"

"Eu fui ver a minha amada
Lá prós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui ver o meu benzinho
Lá prós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal

Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir

Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se escantar

Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender

Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão?
As andorinhas não param
Umas voltam outras não

Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou"
("Cantigas do Maio")

Fugazi - "In On the Kill Taker"

"Smallpox champion U S of A
Give natives some blankets warm like the grave
This is the pattern cut from the cloth
This is the pattern designed to take you right out

This is the frontier with winter's so cold
Greed informs action where action makes bold
To take all the cotton that's cut from the stalk
Weave in the disease that's gonna wipe you right out

What is good for the future
What was good for the past - won't last

Bury your heart U S of A
History rears up to spit in your face
You saw what you wanted you took what you saw
We know how you got it - your method equals wipe out

The end of the frontier and all that you own
Under the blankets of all that you've done
Memory serves us to serve you yet
Memory serves us to never let you wipe out

Cha-cha-cha-champion you'll get yours
Wipe out"
("Smallpox Champion")

Livros
"Aparição", de Vergílio Ferreira

"Mas no outro dia, assim que me levantei, coloquei-me no sítio donde me vira ao espelho e olhei. Diante de mim estava uma pessoa que me fitava com uma inteira individualidade que vivesse em mim e eu ignorava. Aproximei-me, fascinado, olhei de perto. E vi, vi os olhos, a face desse alguém que me habitava, que me era e eu jamais imaginara. Pela primeira vez eu tinha o alarme dessa viva realidade que era eu, desse ser vivo que até então vivera comigo na absoluta indiferença de apenas ser e em que agora descobria qualquer coisa mais, que me excedia e me metia medo. Quantas vezes mais tarde eu repetiria a experiência no desejo de fixar essa aparição fulminante de mim a mim próprio, essa entidade misteriosa que eu era e agora absolutamente se me anunciava."

"Girlfriend in a Coma", de Douglas Coupland

"You’ll soon be seeing us walking down your street, our backs held proud, our eyes dilated with truth and power. We might look like you, but you should know better. We’ll draw our line in the sand and force the world to cross our line. Every cell in our body explodes with the truth. We will be kneeling in front of the Safeway, atop out-of-date textbooks whose pages we have chewed out. We’ll be begging passersby to see the need to question and question and question and never stop questioning until the world stops spinning. We’ll be adults who smash the tired, exhausted system. We’ll crawl and chew and dig our way into a radical new world. We will change minds and souls from stone and plastic into linen and gold—that’s what I believe. That’s what I know."

Filmes
"Alice", de Marco Martins



"25th Hour", de Spike Lee

"We'll drive. Keep driving. Head out to the middle of nowhere, take that road as far as it takes us. You've never been west of Philly, have ya? This is a beautiful country Monty, it's beautiful out there, like a different world. Mountains, hills, cows, farms, and white churches. I drove out west with your mother one time, before you was born. Brooklyn to the Pacific in three days. Just enough money for gas, sandwiches, and coffee, but we made it. Every man, woman, and child alive should see the desert one time before they die. Nothin' at all for miles around. Nothin' but sand and rocks and cactus and blue sky. Not a soul in sight. No sirens. No car alarms. Nobody honkin' at'cha. No madmen cursin' or pissin' in the streets. You find the silence out there, you find the peace. You can find God. So we drive west, keep driving till we find a nice little town. These towns out in the desert, you know why they got there? People wanted to get way from somewhere else. The desert's for startin' over. Find a bar and I'll buy us drinks. I haven't had a drink in two years, but I'll have one with you, one last whiskey with my boy. Take our time with it, taste the barley, let it linger. And then I'll go. I'll tell you don't ever write me, don't ever visit, I'll tell you I believe in God's kingdom and I'll see you and your mother again, but not in this lifetime. You'll get a job somewhere, a job that pays cash, a boss who doesn't ask questions, and you make a new life and you never come back. Monty, people like you, it's a gift, you'll make friends wherever you go. You're going to work hard, you're going to keep your head down and your mouth shut. You're going to make yourself a new home out there. You're a New Yorker, that won't ever change. You got New York in your bones. Spend the rest of your life out west but you're still a New Yorker. You'll miss your friends, you'll miss your dog, but you're strong. You got your mother backbone in you, you're strong like she was. You find the right people, and you get yourself papers, a drivers license. You forget your old life, you can't come back, you can't call, you can't write. You never look back. You make a new life for yourself and you live it, you hear me? You live your live the way it should have been. But maybe, this is dangerous, but maybe after a few years you send word to Naturelle. You get yourself a new family and you raise them right, you hear me? Give them a good life Monty. Give them what they need. You have a son, maybe you name him James, it's a good strong name, and maybe one day years from now years after I'm dead and gone reunited with your dear ma, you gather your whole family around and tell them the truth, who you are, where you come from, you tell them the whole story. Then you ask them if they know how lucky there are to be there. It all came so close to never happening. This life came so close to never happening."

planear uma ida ao primavera sound em 6 passos (ou como estas coisas podem desgraçar uma pessoa)

Passo 1. Comprar os bilhetes de avião. Nunca esquecendo a velha máxima das companhias áreas: "Quanto mais próximo da data do voo, mais caros os bilhetes", quanto mais cedo o fizermos, melhor. Dois bilhetes ida-e-volta para Barcelona, com uma mala no porão, ficaram-nos por 122,04€. Não está mal de todo.

Passo 2. Tratar do alojamento. Alugar um apartamento ou reservar quartos. Também se pode incumbir os companheiros de viagem desta tarefa (dá sempre jeito viajar com alguém experiente em andanças 'Primaveris'). Mais 52€, quarto duplo com casa-de-banho, por noite. Podia ser pior.

Passo 3. Comprar os bilhetes para os festival. Tarefa que se afigura extremamente dolorosa, especialmente porque se estes tivessem sido adquiridos há uns três meses atrás, poupavam-se umas boas dezenas de euros. Assim são 145,50€ por cabeça. Sem comentários.

Passo 4. Imprimir o PDF com os horários dos concertos e dar uso ao marcador fluorescente. Tentar manter uma atitude zen perante concertos que queríamos mesmo, mesmo ver e que se encontram sobrepostos (assiste-se a meia hora de cada), os Om às 3h da manhã e os Holy Fuck às 4h30. São três dias sem dormir, que depois há uma semana inteira para o recobro. Mentalizarmo-nos também que há uma hipótese bastante real de morrermos de exaustão ao fim destes três dias, mas que, ao menos, morreremos felizes.

Passo 5. Ter muito cuidado com essa obra do demónio que são as fabulosas lojas de discos de Barcelona. Em particular com a secção de vinilos. Porque, por esta altura, as despesas individuais saldam-se nuns nada módicos 284,52€, sem considerar ainda os gastos de alimentação. E três dias sem dormir e sem comer não são uma opção.

Passo 6. Aperfeiçoar o espanhol. Memorizar o dicionário, mais aqueles cursos de línguas que saíam com o jornal para, logo a seguir, os esquecer. Porque em Barcelona não se fala castelhano (aquilo que normalmente chamamos de 'espanhol'), mas sim catalão, que, ao que parece, é pura e simplesmente incompreensível para os leigos (sendo os leigos nós, portugueses, que apenas dominamos o 'portunhol' e, quanto muito, o galego). Diz que eles por lá não percebem patavina de 'portunhol' nem de inglês, mas que (maravilha das maravilhas!) entendem perfeitamente o nosso bom e velho português. Menos mal.

primavídeos #13


Explosions In The Sky - "Welcome, Ghosts"

primavídeos #12


Health - "Heaven"

sinais do apocalipse #4

Preço de um bilhete de avião Lisboa-Barcelona, ida-e-volta e sem malas no porão, na Vueling: 56,52€
Preço de um bilhete de comboio, Alfa Pendular, Lisboa-Braga, ida-e-volta em classe Turística (já com desconto de 10% de ida-e-volta): 54€

Perante isto, pouco mais há a dizer...

primavídeos #11


Lightspeed Champion - "Tell Me What It's Worth"

é claro que fico chateada!


Pelican - "Dead Between the Walls"

É o novo vídeo dos Pelican e, ao que parece, estreou no passado sábado no Headbangers Ball... Digo ao que parece, porque eu não o vi. E como não o vi, não sei se existe. Isto tudo porque esses montes de merda da MTV tem uma política muito engraçada no que toca aos vídeos publicados no Headbangers Blog, que apenas podem ser visionados pelos residentes dos EUA (a culpa é dos copyrights, dizem eles)... E agora eu pergunto:

Ponto 1. Será que é o 'público MTV' que compra a discografia completa dos Pelican, mais os vinis coloridos, os DVDs, os bilhetes para os concertos, as t-shirts, os pins e o camandro e o diabo a sete??

Ponto 2. Têm algum problema com os Europeus, é, seus palhaços??... E já agora, com os Africanos, os Asiáticos e todos os Americanos que não os dos EUA (e mais aqueles senhores que habitam na Oceania, mas que não me pareceu muito bem estar a chamar-lhes Oceânicos)??

Ponto 3. Será que os Pelican e a Hydra Head compactuam com este tipo de merdas? Ou será que estão na ignorância?... Será que eles gostam de gozar com a cara das pessoas e deixá-las frustradas??

Tudo boas questões, mas que na realidade não interessam nada, uma vez que há sempre um simpático utilizador do Seu Tubo (primo do Seu Jorge... Perdoem-me a piada fácil e ressequida, mas não consegui resistir) que, num acto de verdadeiro altruísmo, faz o upload do vídeo.
Porque, afinal, não precisamos da bosta da MTV para nada... Portanto, tomem lá com esta seus baldes de cocó!!

mais logo...

something to write home about #18

Maps & Atlases

Os Maps & Atlases formaram-se em 2004, na cidade de Chicago, e são Dave Davison (voz e guitarra), Shiraz Dada (baixo), Erin Elders (guitarra) e Chris Hainey (bateria) - todos rapazes altamente tecnicistas.
Embora com as suas idiossincrasias, muito me lembram os Minus the Bear, particularmente na forma como aliam o math rock a melodias simplesmente deliciosas. E depois há aquela voz nasalada, que assenta aqui que nem uma luva.
Se tudo correr como esperado, esta brigada anti-GPS ainda vai dar muito que falar!

MySpace
Site oficial

judas on a pole

Estive a vê-lo anteontem. É o 11º episódio da segunda temporada da série "Bones", apropriadamente intitulado "Judas on a Pole". Começava assim...



E terminava assim...


(Na verdade, tratava-se da cover dos Placebo. Mas esta merece o original.)

Há dias em que é mesmo muito difícil dar a pala de intelectual e dizer que não se gosta de TV...

apelo ao estimado leitor

Se houver por aí alguma alma gentil que tenha um bilhete para venda para o concerto da Scout Niblett no Mercado Negro, em Aveiro, no próximo dia 29, queira ter a bondade de se acusar. A gerência agradece.

primavídeos #10


Holy Fuck - "Lovely Allen"

clássicos modernos #6

Coalesce - "There Is Nothing New Under the Sun" (1999/2007, Hydra Head) (Reedição)

Reedição de um dos clássicos há muito descatalogado deste nome maior do metalcore. Para os que não estão familiarizados com o trabalho da banda, este EP era inteiramente constituído por reinterpretações de temas dos Led Zeppelin (neste caso são realmente reinterpretações, e não versões, dado o cunho tão próprio que a banda deu às faixas). Esta reedição inclui ainda oito faixas bónus, entre as quais se encontram mais reinterpretações de Led Zeppelin, bem como de The Get Up Kids, Black Sabbath, Undertow, e ainda um original da banda.
Verdadeiramente imprescindível, especialmente para aqueles que acham que o metalcore é só barroada... Não que não tenham razão, mas há algumas honrosas excepções. Os Coalesce são só uma delas.

fascinante!

Os The Faint afinal não morreram... Vivam os The Faint! Pois é, a banda continua viva e de boa saúde e, segundo notícias recentes avançadas pelo Pitchfork, prepara-se inclusivamente para lançar um novo disco ainda este Verão.
O registo terá o título de "Fasciinatiion" (assim mesmo, com estes 'is' todos) e tem data prevista de edição a 5 de Agosto. Para esse efeito, e uma vez que abandonaram a Saddle Creek, a banda criou uma editora própria, a blank.wav.
Também já há tracklist para o dito:

1. "Get Seduced"
2. "The Geeks Were Right"
3. "Machine in the Ghost"
4. "Fulcrum and Lever"
5. "Psycho"
6. "Mirror Error"
7. "I Treat You Wrong"
8. "Forever Growing Centipedes"
9. "Fish in a Womb"
10. "A Battle Hymn for Children"

Eu, que sou grande apreciadora do trabalho da banda, prognostico que se estes indivíduos continuarem a seguir o percurso trilhado até agora, finalmente vamos ter um álbum condigno de electro-qualquer-coisinha para aquecer (ainda mais) o Verão. Grandes notícias, portanto.

lost in translation?

Boris - "Smile" (2008, Southern Lord) (CD)
Boris - "Statement/Floor Shaker" (2008, Southern Lord) (Vinil 7")


Foi na passada semana que tive a imensa felicidade de receber no conforto do meu lar o novo registo dos grandiosos Boris, juntamente com o esgotadíssimo single para o tema "Statement", que foi gentilmente reimpresso pelos senhores da Southern Lord para que os senhores da Insound pudessem fazer um pack especial de pré-encomenda deste disco.
Se bem se recordam, já por aqui tinha falado deste álbum. O que nessa ocasião não esclareci foi que este disco teria duas edições: uma japonesa (aquela que já tinha mencionado) e outra ocidental, via Southern Lord (esta de que agora vos falo). Mas como o estimado leitor será concerteza uma pessoa culta e bem-informada, suponho que já estaria ao corrente deste facto.

Um disco, duas edições. Para baralhar um pouco mais as coisas, são ambas versões diferentes. Arranjos diferentes, duração e títulos das faixas diferentes ("Message" é agora "Statement", "Shoot!" passa a "Laser Beam", "Next Saturn" a "My Neighbor Satan", "Dead Destination" a "KA RE HA TE TA SA KI - No Ones Grieve" e "You Put Up Your Umbrella" a "You Were Holding an Umbrella"). Discos diferentes, perguntarão vocês? Não, nada disso.
Aparte algumas diferenças mais óbvias, nomeadamente nos casos de "Statement" (que aqui é um verdadeiro hino aos riffs de guitarra, enquanto na sua versão "Message", mais longa, assume contornos bastante mais minimalistas, onde é dada primazia à secção rítmica) e de "... No Ones Grieve" (que na edição da Southern Lord se nos apresenta com uma introdução monolítica de cerca de 1 minuto e meio), bem como uma edição japonesa com muito mais fuzz (por oposição a uma ocidental significativamente mais clean), a essência do álbum permanece inalterada.
Ainda assim, recomendo a audição de ambas as versões.

Independentemente da versão, independentemente de tudo e de todos, os Boris prosseguem a sua missão de desbravamento de terreno, continuando a explorar novas paisagens musicais. Para além dos já habituais psicadelismos, noises e drones, ouvimos também aqui algo de post-rock, de trash, ou mesmo do heavy metal da velha guarda.
Talvez seja mesmo o disco mais acessível da carreira da banda, se bem que 'acessível' é sempre um conceito bastante vago quando de Boris se fala. Se concordarmos com isso, teremos também que concordar que é o mais atípico (novamente, e pelas mesmas razões, o 'atípico' aqui é muito vago).
Goste-se ou não, não deixa de ser um álbum de continuação. Porque falando num contexto 'borisiano', continuação não é mais do que experimentação, mutação, um salto evolutivo.
Goste-se ou não, este é um grande disco.

primavídeos #9


Okkervil River - "Our Life Is Not a Movie or Maybe"

the f word

Desprezada pelos púdicos adeptos do politicamente correcto. Amada pelos desbragados, pelos impudentes... Afinal, o que é que esta palavra tem? O que é que a sucessão das letras f-u-c-k poderá conter, que faz dela objecto de tanto desdém ou de tanta adoração? Como é que uma palavra tão pequena pode gerar tanta controvéria?

Sim, o óbvio: é uma obscenidade. Mas a resposta definitiva é bem mais complexa. A verdade é que é graças a ela que todos pusemos os pés neste mundo. Mas, não obstante tão nobre significado, a partir do momento em que estas quatro singelas letrinhas se encontram associadas a qualquer uma de outras duas ou três palavrinhas mágicas, podem simplesmente ser uma ofensa do piorzinho que para aí anda, de grande utilidade nas mais diversas situações.
Por tudo isto e mais ainda, a palavra fuck talvez seja a mais importante de toda a história da Humanidade. De tal forma que desde tempos imemoriais, artistas dos mais diversos quadrantes dela se têm servido como fonte de inspiração para a criação de obras grandiosas. Alguns há, em particular no domínio da música, que, levando a coisa mais à letra, prestam uma justa homenagem a este vocábulo secular incorporando-a no âmago dos seus projectos: o fuck e seus derivados passam então a ser nome de baptismo.

E a escolha não poderia ser mais acertada.

Talvez por um mero acaso do destino ou talvez pelas propriedades místicas inerentes a esta combinação de quatro letras, o facto é que a produção artística da larga maioria destes músicos 'fuck-friendly' tende a ser nada menos que brilhante.
Assim, esta posta pretende documentar alguma dessa produção. Mais exemplos haverá, concerteza. Até aqueles em que a magia do vocábulo não terá surtido o efeito desejado. Mas a excepção confirma a regra.
Ora queiram escutar.

Fuck - "Laundry Shop"
Fuck - "No Longer Whistler's Dream Date"
Fuck Buttons - "Bright Tomorrow"
Fuck Buttons - "Colours Move"
Fucked Up - "Baiting the Public"
Fucked Up - "Year of the Pig"
The Fucking Champs - "Guns In Our Schools"
The Fucking Champs - "Spring Break"
Holy Fuck - "Super Inuit"
Holy Fuck - "Lovely Allen"
Jackie-O Motherfucker - "Sing Your Own Song"
Jackie-O Motherfucker - "Valley of Fire"


Download .zip

videocassetes

Este é o primeiro vídeo a ser extraído do novo dos Tapes 'n Tapes, "Walk It Off", e ainda está fresquinho.
A música chama-se "Hang Them All" e o clipe é um prato! Desfrutem então.

primavídeos #8


Boris - "Statement"

era mesmo isto que nos estava a fazer falta: mais um festival de verão!...

Ou talvez seja mesmo de mais um festival de Verão que estamos a precisar.

O facto é que o 1º Festival de Música Urbana de Braga, alcunhado de muB, nos apresenta um conceito deveras interessante: levar à cidade de Braga um conjunto de bandas nacionais e internacionais que perfilhem uma estética post-rock e/ou ambiental.
No total, o evento contará com actuações de 15 bandas, das quais a maioria já está confirmada. Assim, teremos como cabeças de cartaz os La Muñeca de Sal, iLiKETRAiNS e Your Ten Mofo. A par destas, poderemos ainda assitir a actuações de Noiserv, i, The Allstar Project, Bringing the Day Home, Legend of Man, Vortex Sound Tech e, a julgar pelas pistas, os estimados Katabatic estarão também em processo de confirmação.
Quanto à logística do evento, como já terão reparado, este irá decorrer entre os dias 11 e 13 de Julho deste ano no Museu Regional de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga, e os concertos terão início às 19h. Entre as 13h, hora de abertura do recinto, e as 19h estão previstas uma série de outras actividades, a ter lugar nesse mesmo espaço (workshops, sessões de curtas, etc.). Para mais informações, queiram dirigir-se aqui ou aqui.

E que venham mais iniciativas destas!

o homem do futuro

O tema de capa da edição do NME de 26 de Abril é, mais do que uma enumeração, uma homenagem às personalidades nas quais, segundo os escribas desta publicação, reside o futuro da música, seja como indústria ou forma de arte.
O artigo intitula-se "The Future 50" e, como já perceberam, dá-nos o ranking dos 50 "artistas, músicos, bandas, inventores, reinventores e inovadores" que estarão, já hoje, a cimentar o futuro desta arte que conhecemos e amamos, personificando o espírito "let's push things forward" (como, eloquentemente, diria o amigo Mike Skinner).
Dessa lista gostaria apenas de destacar os 10 primeiros classificados, que são por ordem crescente de importância: Crystal Castles, Alex Turner, Damon Albarn, Rick Rubin, Saam, Burial, Fucked Up (escolha que muito me surpreendeu e agradou), Radiohead, M.I.A. e, ocupando a pole position, David Sitek (na foto). E é precisamente sobre este senhor que vos vinha aqui falar.

Concorde-se ou não com a escolha, e cada um acaba sempre por defender a sua donzela, tal como o NME não deixa de ser uma publicação relativamente especializada, é inegável que no espectro de uma certa música dita alternativa, Dave Sitek representou e continua a representar um papel preponderante, quer como força criativa, quer como técnico exímio, quer ainda como visionário que continua a quebrar barreiras.
Seja como membro dos magníficos TV on the Radio, seja pelos inúmeros e, na sua larga maioria, interessantíssimos projectos com os quais colaborou, emprestando os seus dotes de produtor, remisturador, etc. (Yeah Yeah Yeahs, Liars, Celebration, Angels of Light, Nine Inch Nails, Telepathe, Animal Collective, Yeasayer, Effi Briest, Marnie Stern, Dirty Projectors, Gang Gang Dance, Dragons of Zynth, Thee Oh Sees, Dawn of Man, entre outros), seja pelos seus projectos pessoais como fotógrafo e pintor, o facto é que o homem é um mago imparável. Um autêntico Midas dos tempos modernos.

Neste particular, há que tirar o chapéu ao NME.

primavídeos #7

E agora, o peso.

OM - "Pilgrimage" mix (por noislust666)

frota de raposas

Fleet Foxes - "Fleet Foxes" (02.06.2008, Sub Pop)

As abelhinhas fazem o mel, os passarinhos fazem os seus ninhos, os coelhinhos fornicam... Bom, que nem coelhinhos e as raposinhas, ao que parece, escrevem belas canções.
O que me chamou a atenção nestes Fleet Foxes, e para este seu albúm de estreia em particular, não foi o suposto hype que estará a ser gerado em torno da banda (nunca antes havia eu ouvido falar destas magníficas criaturas), mas sim a elegante junção por eles praticada, entre a música folk no seu sentido mais tradicional (sem prefixo freak, portanto) e outras sonoridades. Nomeadamente, a pop de mais fino recorte, bem como algumas tiradas a puxar ao rock para boa medida. Mas o rol de influências é vastíssimo. A Sub Pop chama-lhe, com alguma propriedade, "baroque harmonic pop"... E depois há a voz e aqueles coros quase-gospel, que eu apenas consigo classificar como sublimes.
Fala-se aqui de um disco de sol, seja na praia ou no campo. De e para dias felizes e despreocupados. Sem dúvida, o feel good record of the summer.

Nota: De ora em diante, sempre que aqui virem o selo 'Sharing is Caring', cliquem nessa mesma imagem para aceder ao link para a 'batota'. Mas, como não me canso de dizer: Apoiem os artistas! Comprem os discos!

dava-te as mãos até te suarem as palminhas! #9

Here he is... Da man!
Aaron Turner (Isis, etc, etc, etc...)

primavídeos #6


Bon Iver - "Wolves (Act I & II)
 

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