April 14, 2008

u.r. not my fever anymore


"Sour Cherry"


"Tape Song"


"No Wow"


"The Good Ones" (incompleta)

Diz a sabedoria popular que não se deve misturar negócios com prazer. E se a sabedoria popular nem sempre sabe o que diz, esta é daquelas situações em que há que lhe dar uma certa razão. O caso dos The Kills é disso expressivo.
Devo confessar que nunca assisti a nenhum concerto dos Kills da era A.M. (antes de Moss), apenas me posso reportar àquilo que li em várias publicações, bem como aos relatos de vários amigos, onde se falava em actuações verdadeiramente electrizantes, libidinosas, quase eróticas, em que a química entre Alison Mosshart (aka VV) e Jamie Hince (aka Hotel) era explosiva.
Aquilo que presenciámos no concerto do passado dia 12, inserido nas sessões Clubbing da Casa Música, foi apenas um pálido reflexo de actuações passadas.
Longe de ser um mau concerto (que não foi, de todo), sentia-se com frequência que faltava ali qualquer coisa. O vazio deixado pelo final da relação entre VV e Hotel é grande demais para ser preenchido pela simples amizade e cumplicidade que parece continuar a existir entre ambos. Tudo porque os Kills basearam toda a sua carreira, todo o conceito da banda, nos laços sentimentais que os uniam, mas que entretanto se quebraram.
A tensão sexual, a refrega erótica que tornava os concertos da banda tão únicos e interessantes deu lugar a arroubos velados apenas. A proximidade física entre VV e Hotel é constrangida, envergonhada, rapidamente se esfuma, como se de dois amantes adúlteros a debaterem-se com sentimentos de culpa se tratasse (será?). Um bom álbum como "Midnight Boom" merecia uma melhor promoção.
Agradecia que alguém me esclarecesse quanto a isto, pois não quero estar aqui a mentir, mas julgo uma vez ter lido que a existência dos Kills apenas faria sentido enquanto a relação amorosa entre ambos os seus elementos durasse. Talvez esteja na altura da banda repensar a fundo o caminho a seguir. Ou talvez os The Kills devessem mesmo pôr um ponto final na sua carreira e encetar novos projectos musicais. Quiçá, com novos significant others.