October 6, 2007

era uma michelle pfeiffer para cada carocho!

A Notícias Sábado desta semana presenteia-nos com a entrevista que faltava... Não, não é com o Special One, nem com o Cristiano Ronaldo e muito menos com a Merche Romero. O entrevistado é, nada mais nada menos, que o Monsenhor Luciano Guerra, reitor do santuário de Fátima... Por esta altura 99% dos leitores desta posta devem estar a pensar: "E o que é que isso me interessa a mim??". Calma! Aguentem aí os cavalos e não desesperem, que o senhor até tinha algumas coisas engraçadas para nos dizer!
A propósito da inauguração da igreja da Santíssima Trindade e dos 90 anos das aparições, o Monsenhor tece algumas considerações, no mínimo curiosas (e no máximo absurdas!), sobre tudo e mais alguma coisa.

Começando pelo princípio: Monsenhor Luciano Guerra é um acérrimo defensor que os milagres de Fátima não aconteceram na realidade (até aqui estamos de acordo), que é tudo uma questão de fé, fé essa que acabou por criar na mente dos crentes, ou a partir dela, uma espécie de projecção holográfica do sol a rodopiar no céu (isto começa a assemelhar-se a um episódio dos X-Files. Defensores da teoria que Deus é um alienígena rejubilem!). Passo a citar a resposta do senhor padre quando o entrevistador o confronta com o facto do milagre de Fátima não ter sido cientificamente registado:

"Não tem de ser registado. Não tem de ser um milagre real. Testemunhar, para mim, não tem de acontecer fisicamente. (...) O que aconteceu em Fátima foi um fenómeno psiquíco provocado por Deus.", histeria colectiva divina ou esquizofrenia abençoada, deve ser qualquer coisa por aí. Continuando... "E aconteceu a pessoas que estavam aqui e a 30 quilómetros de distância. Sempre seleccionadas. As próprias pessoas que viram Jesus ressuscitado foram escolhidas, Ele não apareceu a toda a gente. E estou convencido de que se existissem máquinas fotográficas nessa época seria impossível fotografá-Lo."

Então, se bem percebi, não só o milagre de Fátima não foi real, como Jesus também não ressuscitou realmente, não passando tudo de projecções mentais desses tais 'escolhidos'... Porque, como já dizia a minha avózinha, tudo o que é real, tudo o que existe num plano físico, pode ser fotografado, radiografado, ecografado ou captado numa ressonância magnética... Hmm, a trama adensa-se... Mas o senhor padre continua o seu raciocínio, e à pergunta se tudo não passa de uma questão de fé, replica:

"Sim, mas não significa que essa questão de fé não assente numa determinada construção psicológica. Mas não sei como se produz materialmente em imagem. Para mim, de facto, não houve em Fátima uma realidade exterior que aparecesse como uma imagem, porque se não, as outras pessoas teriam visto o que os pastorinhos viram. O olhar deles teve mais qualquer coisa do que o olhar material."

Ahhh! Então isso significa que se eu tiver muita fé, se acreditar com muita forcinha o meu cérebro irá criar uma elaborada construção psicológica que, embora eu não perceba bem como, irá produzir uma imagem material do Daniel Kessler na minha cama esta noite que mais ninguém irá ver. É assim que funciona?... E depois eu posso interagir com essa imagem material ou é uma coisa hands off? Monsenhor, há aqui muitas questões que urge serem respondidas!

Escuso-me agora a comentar aqui a opinião do senhor padre acerca do divórcio e da violência doméstica, porque aí iria estar a entrar no campo do surreal, que, como todos sabem, é algo que não domino. Assim, prossigo para outros campos mais verdejantes.
Outra sagaz consideração do Monsenhor prendia-se com a relação entre a falta de aproveitamento escolar, a sexualidade e a toxicodependência. Diz ele:

"(...) Tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem. Os ingleses concluíram isso. Quanto mais você se concentrar num prazer menos tem concentração para aquilo que não lhe dá prazer. É por isso que os drogados coitados, acabam por se drogar noite e dia, porque estão a pensar sempre naquilo. É uma obsessão."

Enfim, que dizer? Mesmo não sabendo nada acerca da fisiologia humana e das vias bioquímicas envolvidas no prazer e na dependência física e psicológica, o Monsenhor é um génio, porque nos apresenta a solução para o flagelo da droga: põe-se uma gaja(o) boa(m) ao pé do(a) toxicodependente e já está! Nada mais simples, troca-se um prazer por outro e problema resolvido!
Agora perguntam vocês, "Então e as ninfomaníacas e os satiríacos, como é que isso se resolve?". Fácil, põe-se-lhes a droga à frente! Ha!