no ninho dos açores

ms. oaktree vai à feira (continuando a abrir o apetite)

Posto isto, deparo-me com um sério problema: deixei de ter espaço para arrumar livros e CDs.
Lá vou eu ter que recorrer à célebre técnica dos 'montinhos': montinhos nas prateleiras, montinhos na mesa de cabeceira, montinhos no chão, montinhos debaixo da cama... Como eu detesto os montinhos!

algo para abrir o apetite

as etiquetas e coiso...

Orchid

Alguém é capaz de me explicar o que é o power violence? Afinal, o que vem a ser isso? O poder da violência? Violência ao poder? Violência poderosa? Deve ser algo do género do screamo: eu berro a um microfone, logo eu scream-o... Nice...
Sinceramente, nunca percebi essa história das catalogações. Esse preciosismo, esse excesso de zelo. Essa nossa necessidade, tão peculiar, de compartimentalizar tudo e mais alguma coisa. Não será isto extremamente redutor?
Vamos a ver se nos entendemos: gostas ou não gostas? E o facto de gostares ou não, deve-se à etiqueta que vem lá colada? Tendo em consideração que a etiqueta não é sinónimo de qualidade, mantens a resposta à última questão?

Avaliem por vocês próprios:
Orchid - “Dance Tonight! Revolution Tomorrow!/Chaos Is Me” - 1999, Ebullition
Orchid - Gatefold - 2004, Ebullition

a não perder

Antes que me esqueça, abriram hoje as portas, e até dia 10 de Junho, as Feiras do Livro de Lisboa e Porto.
Boa, boa! Milhares de livros fresquinhos, a preço mais ou menos simpático, ali prontinhos para virem repor o meu stock... Mmm, tão bom! Mnham

mañana

Isto vem a propósito de algo que recebi ainda há pouco...

What you learned, what you read in their books, all they offered.
What you saw when they told you to look, a final offer.
Well today we are giving birth to a new future.
Yes, today we are giving birth to our own future.
We will learn.
We will love.
We will work to change each other.
We will spread.
We will cover the earth like air and water.
Tomorrow is blank.
We’ll just fill it in with our own answers.
If we are stopped, we’ll just start again.
That is the new offer.
That’s it.
That is our final one.

(Desaparecidos - “Mañana”)

i made this...

vaya con dios

At The Drive-In - “Vaya” (1999, Fearless)

Agora que os The Mars Volta se transformaram numa verdadeira masturbação de ego (ainda relevantes mas cada vez mais centrados neles próprios), importa recordar os primeiros passos de Cedric Bixler Zavala e Omar Rodriguez-Lopez nessa coisinha tão pequenina que foram os At The Drive-In.
E nada melhor do que começar pelo EP “Vaya”.

Se “in/CASINO/OUT” (1998, Fearless) marcou o ponto de viragem na carreira dos At The Drive-In e “Relationship of Command” (2000, Grand Royal) (que, não obstante ter sido produzido por um dos responsáveis máximos pela pior praga do virar do século, continua a ser um portento) lançou muitas das pistas que mais tarde viriam a ser exploradas pelos The Mars Volta, desde a experimentação iminente até à inclusão de elementos de ‘outras’ músicas, este “Vaya” constitui a transição, o meio termo entre dois planos, duas realidades paralelas para uma banda, já por si, altamente mutável.
E diz a sabedoria popular, e muito bem, que ‘no meio é que está a virtude’. O que neste caso lhes assenta que nem uma luva, uma vez que este EP é, em minha modestissíma opinião, um dos melhores e mais consistentes discos de post-hardcore de sempre. Daquela que é, sem dúvida, uma das mais interessantes bandas jamais geradas por essa ‘sick machine breeding a mass of shit’ que é a cena punk-hardcore.

santa ignorância!

Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “(...) Então e o que é que a senhora faz?”
Eu: “Estou a tirar uma pós-graduação.”
Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “(silêncio) Mas está desempregada?”
Eu: “Sim. Estou a estudar.”
Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “(silêncio) Mas o que é que isso significa?”
Eu: “Significa que eu me licenciei e que agora estou a tirar uma pós-graduação.”
Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “(silêncio) Mas isso o que é que quer dizer? Está desempregada? Está à espera?”
Eu, a começar a ficar ligeiramente irritada: “Não, quer dizer que eu graduei-me e agora estou a a tirar um curso de pós-graduação.”
Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “Ah!... (silêncio) Mas o que é uma pós-graduação?”
Eu, à beira do desespero: “É como se fosse um mestrado ou um doutoramento. É um curso para quem já tem formação superior.”
Menina dos inquéritos de rua com ar de mitra: “Pronto. Então obrigada pelo seu tempo e obrigada por me ensinar as coisas.”
Eu, incrédula: “De nada?... Sempre às ordens?... É para isso que aqui estamos?...”

Moral da história: Parva sou eu por ainda perder o meu precioso tempo com estes tipos!

batalha campal


É por estas e por outras que os Helmet continuam a ser uma das minhas bandas preferidas.
(courtesy of Mr. M.A.)

notas musicais avulsas #2


...Mas como também nem só de ‘velharias’ se vive, aqui ficam algumas das novidades musicais, numa altura particularmente fértil em edições discográficas.

Arctic Monkeys - “Favourite Worst Nightmare” (2007, Domino)
Confirmem-se as expectativas e afastem-se os piores receios. Os Arctic Monkeys também não foram afectados pelo ‘síndroma do 2º álbum’. Após um primeiro álbum soberbo, recheado de canções de agrado fácil e instantâneo, que funcionavam perfeitamente em qualquer situação, eis que se nos apresenta a confirmação e o sinal de maturidade musical.
O que temos aqui não é mais um conjunto de potenciais singles, mas sim um álbum perfeitamente pensado e estruturado. Onde antes havia imediatismo, agora há algo que veio para ficar, que se entranha na pele lenta mas irremediavelmente.
Se este é melhor que o primeiro? Parece-me bem que sim. É assim que se cria música intemporal.

Modest Mouse - “We Were Dead Before the Ship Even Sank” (2007, Epic)
Até me fogem as palavras. Perante tanto anseio e tanta opinião alheia, nem sabia bem o que havia de pensar do novo do rato modesto antes de o ouvir. Mas acalma-te coração, que o que lá vinha era algo de maravilhoso! Algo ainda mais coeso e mais uniforme, mais excitante e mais interessante que o “Good News For People Who Love Bad News”.
Se isto não é uma obra-prima, então não sei o que será.

Antelope - “Reflector” (2007, Dischord)
Mais uma vez, a Dischord afasta-se do seu fio condutor original, com resultados bastante aprazíveis até. E estes Antelope não são uma excepção.
Um bom disco indie, com rendilhados de algum post-qualquer-coisa. Continuo, contudo, à espera dos dignos sucessores de uns Black Eyes, ou de uns Q and Not U, qual D. Sebastião regressado numa manhã de nevoeiro.

The USA is a Monster - “Sunset at the End of the Industrial Age” (2006, Load)
Estes senhores são um compêndio de muito do que foi feito das décadas de 60 e 70. Do psicadelismo ao rock sinfónico, está tudo lá. Com algum post-rock à mistura, para dar o toque de modernidade - que eles não querem nada com o mofo.
São freaks sem ser folk. São neo sem ser hippie. O que no meu livrinho é algo de muito positivo. Mais uma das interessantes bizarrias da Load, portanto.


Este é já hoje, eu é que não posso ir. Amanhã há os Logh com Christian Kjellvander e Katabatic no Santiago Alquimista (8€, abertura de portas às 22h) e eu lá estarei. Embora o que me leve lá sejam, na verdade, os Katabatic... Porque o que é nacional nem sempre é bom, mas quando é bom e é dos amigos é mesmo muito, muito bom!

a cena bifa e a cena gringa

Comigo as coisas não vivem só de música nova. Por vezes é também necessário regredir uns anos e voltar a pegar naqueles diamantes em bruto que se encontram para ali perdidos no meio de uma das minhas estantes para CDs, cuja lotação já esgotou há muito.

Os bob tilton são um dos nomes maiores e mais queridos da chamada cena emocore britânica de meados dos anos 90, que juntamente com bandas como os Schema, Baby Harp Seal, Tribute, Spy vs. Spy, entre outras, deram o mote para tudo o que viria a ser feito desde então, dentro desse espectro, no Velho Continente.
Enquanto nos Estados Unidos se assistia a uma explosão de um certo emo de cariz mais college rock, feito de melodias acessíveis e luminosas (digeríveis?), refrões orelhudos, vozes cândidas, quase assexuadas até, e com uma produção primorosa que, a espaços, chegava a ser sufocante (vide The Get Up Kids, Promise Ring, Texas Is the Reason, Sense Field, etc.), na Grã-Bretanha o monstro assumia uma forma totalmente diferente. Era a prevalência da substância sobre a forma.

Nascidos em 1993 na cidade de Nottingham, os bob tilton não optaram pelo caminho mais fácil do emo-chora-chora para agradar a jovens colegiais (não me interpretem mal, eu continuo a adorar os primeiros trabalhos dos gringos supracitados, talvez pela frescura que eles então apresentavam). Ao invés, criaram uma identidade muito própria, em que sobrepunham às características melodias emo camadas de dissonância e cacofonia, complementadas com letras bem mais maduras e complexas, muito para além da fórmula-chavão “a minha namorada deixou-me e eu agora vou chorar um bocadinho”. Tudo isto pontuado por uma atitude muito mais introspectiva e ponderada do que a dos seus homólogos transatlânticos (exceptuando os gringos Braid, caP’n Jazz, Mineral, etc., que também assumiram uma toada mais indie, mais do meu agrado).
Assim, surgiu aquilo a que se convencionou chamar emo-indie, que, formalmente se aproxima muito mais da cena post-hardcore de Washington D.C., personificada na figura da editora Dischord, do que de qualquer outra coisa a que se possa chamar emocore.
Assim, surgiu aquele que é, em minha opinião, um dos estilos mais vitais e mais significativos dessa época.
E penso que a pergunta se eu sou do emo fica automaticamente respondida.

A recordar:
“Crescent” (1996, Southern)
“The Leading Hotels of the World” (1999, Southern)

o profeta da desgraça, ou nada disso

Chuck Palahniuk (n. 1962)

Toda a obra deste senhor poder-se-ia resumir a um grande livro acerca da estranheza da condição humana.
A temática é recorrente. Indivíduos que levam uma existência mais ou menos monótona, mais ou menos miserável e que buscam formas de escape nas mais triviais ou bizarras actividades, desde a construção de maquetes de edifícios que posteriormente serão esmagados por pés nus até à frequência de grupos de apoio a problemas que não os afectam. Tudo isto até que um dia algum acontecimento fantástico ou uma qualquer horrível tragédia altera radicalmente o curso das suas vidas e, por inerência, todo o universo que as rodeia.

Mas há algo que me agrada sumamente na sua escrita. A urgência, o inconformismo, a revolta, as personagens totalmente associais. Uma certa noção de caos iminente, de que por muito que se faça, muito mais há ainda a fazer. Que por muito que se faça, o caos continuará a imperar. Que nada faz sentido e apenas nos resta continuar a cumprir o nosso papel de engrenagem defeituosa na grande máquina que, em última instância, acabará por contribuir e precipitar o colapso final.

E sempre a eterna questão que permanece: se te fosse dada a possibilidade de alterar o mundo de acordo com os teus desejos, seria esse mundo agradável e justo para o resto da humanidade? Qual o teu conceito de justiça? Qual o teu conceito de mundo ideal? E qual o do teu vizinho do lado, o do teu colega no emprego, o do tipo que vês no comboio todos os dias?
E quanto desse 'admirável mundo novo' não seria mais do que a tua pequena vingançazinha pessoal contra tudo aquilo e todos aqueles que abominas? E todos aqueles que te detestam, não deveriam também ter direito à sua vendetta?

Obras de ficção:
Fight Club (1996)
Survivor (1999)
Invisible Monsters (1999)
Choke (2001)
Lullaby (2002)
Diary (2003)
Haunted (2005)
Rant (2007)

my cat loves menomena, and so do i!

O que me traria aqui hoje era algo totalmente diverso. Mas depois de ver o que estava no correio, tudo o resto deixou de fazer sentido.
Para além de serem dois dos melhores layouts que eu já tive a felicidade de observar, pela pequena amostra deixada no MySpace, a música, também ela, promete. Oh se promete! E só por causa disto (e de pouco mais de 20€) a Barsuk merece um link aqui ao lado.
E agora, se me dão licença, vou fruir destas duas pequenas pérolas.
 

© nos Açores não há açores. | template Modern Clix criado por Rodrigo Galindez | adaptado para o blogger por Introblogger | modificado por ms. oaktree